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Saúde

Anvisa alerta para riscos graves no uso indevido de preenchedores dérmicos

Redação Saiu Agora
12 de março de 2026 às 21:52
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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alertou nesta quinta-feira (12) para os riscos do uso inadequado de preenchedores dérmicos, produtos injetáveis usados em procedimentos estéticos e também em tratamentos de saúde. O alerta vale para substâncias como hidroxiapatita de cálcio, ácido hialurônico, poli-L-ácido lático (PLLA) e os preenchedores permanentes à base de polimetilmetacrilato (PMMA).

A orientação também se aplica aos moradores de Alfenas e do Sul de Minas que pretendem realizar procedimentos desse tipo. Segundo a agência, esses produtos são regularizados como dispositivos médicos de risco alto ou máximo e só podem ser comercializados quando possuem registro sanitário. O procedimento deve ocorrer em serviço autorizado e ser realizado por profissional qualificado.

Uso fora das indicações pode causar sequelas

Os preenchedores dérmicos são aplicados por meio de injeções para alterar o volume ou o contorno de determinadas regiões do corpo. A segurança depende, entre outros fatores, do produto utilizado, da área escolhida, da quantidade aplicada e da técnica empregada.

A Anvisa afirma que o uso em regiões anatômicas não indicadas ou em volumes diferentes daqueles previstos pelo fabricante pode provocar consequências clínicas incapacitantes ou de difícil tratamento. “A aplicação de preenchedores dérmicos em regiões anatômicas não indicadas e em quantidades não previstas nas instruções de uso dos produtos, conforme as especificações estabelecidas pelos fabricantes, pode causar danos à saúde com consequências clínicas incapacitantes ou de difícil manejo”, informou a agência.

O alerta é importante porque a aparência de um procedimento simples não elimina os riscos de uma aplicação invasiva. Além da reação local, o produto pode atingir vasos sanguíneos ou desencadear respostas graves do organismo. A oclusão vascular, por exemplo, ocorre quando um vaso é bloqueado, comprometendo a circulação. Dependendo da região atingida, isso pode causar danos sérios.

Complicações relatadas pela Anvisa

Entre os efeitos graves já relatados estão:

  • Embolia pulmonar, condição em que um vaso sanguíneo do pulmão é obstruído;
  • deficiência visual temporária ou permanente provocada por oclusão vascular;
  • inflamação granulomatosa, uma resposta imune crônica que pode formar nódulos e provocar alterações persistentes;
  • nível elevado de cálcio no sangue;
  • cálculo renal e insuficiência renal, inclusive com necessidade de hemodiálise.

A gravidade das complicações varia de acordo com o produto, a quantidade aplicada, o local do procedimento e as condições de saúde do paciente. A insuficiência renal com necessidade de hemodiálise, citada no alerta, representa uma situação em que os rins deixam de desempenhar adequadamente sua função de filtrar o sangue, exigindo um tratamento especializado.

O que o paciente deve verificar antes da aplicação

Antes de fechar o procedimento, o paciente deve pedir informações claras sobre o produto, o local de aplicação e o volume que será utilizado. As instruções de uso elaboradas pelo fabricante indicam as regiões anatômicas e as quantidades permitidas para cada produto. Essas informações devem ser conferidas antes da aplicação.

  • Verifique se o produto tem registro na Anvisa;
  • confirme se o serviço está autorizado a funcionar;
  • procure um profissional qualificado e peça orientação antes de iniciar o tratamento;
  • pergunte qual produto será usado, em que quantidade e em qual região do corpo;
  • solicite o cartão de rastreabilidade do produto aplicado.

O cartão de rastreabilidade reúne informações que permitem identificar o produto utilizado no procedimento. Ele deve ser entregue ao paciente, enquanto uma cópia precisa ser mantida no prontuário. Esse registro ajuda em uma eventual investigação, no acompanhamento médico e na identificação de lotes ou produtos relacionados a reações adversas.

Quando procurar atendimento

Qualquer sinal ou sintoma de complicação após a aplicação deve ser avaliado por assistência profissional qualificada. O paciente não deve tentar tratar uma reação por conta própria nem esperar que alterações importantes desapareçam sem orientação.

Alterações visuais, dor intensa ou persistente, inchaço importante, mudanças na coloração da pele, falta de ar e outros sintomas que surjam depois do procedimento exigem atenção médica. A avaliação rápida é especialmente importante quando há suspeita de comprometimento da circulação ou de reação sistêmica.

A Anvisa reforça que a regularização do produto não elimina a necessidade de seguir as instruções de uso. O registro sanitário é uma etapa de controle e fiscalização, mas a segurança também depende da indicação correta, da aplicação na região autorizada, do respeito ao volume recomendado e da qualificação do profissional.

Como denunciar produto irregular

Produtos sem registro ou fabricados por empresas não licenciadas podem ser denunciados à Anvisa por meio do sistema Fala.BR da Ouvidoria da Anvisa, disponível em falabr.cgu.gov.br. A agência orienta que o paciente guarde documentos, recibos, informações da clínica, nome do profissional e o cartão de rastreabilidade, quando esses dados estiverem disponíveis.

O alerta serve como orientação preventiva para quem avalia realizar preenchimentos dérmicos. Antes de qualquer decisão, a recomendação é buscar avaliação de um profissional de saúde, confirmar a origem e a regularização do produto e conferir se a aplicação pretendida está prevista nas instruções do fabricante.

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