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Saúde

SUS amplia cuidado para prevenir avanço da doença renal crônica

Redação Saiu Agora
18 de setembro de 2026 às 13:28
SUS amplia cuidado para prevenir avanço da doença renal crônica
Foto: Divulgação
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O Ministério da Saúde ampliou e reorganizou a assistência especializada para pessoas com doença renal crônica atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A medida também alcança a rede pública que atende moradores de Alfenas e da região, embora a execução dependa da organização dos serviços e dos encaminhamentos feitos localmente.

O objetivo é agir antes que o quadro se agrave, reduzir o tempo de espera entre consultas e exames e preparar os pacientes que possam precisar de terapia renal substitutiva, como a hemodiálise. A estratégia foi apresentada dentro do programa Agora Tem Especialistas, do governo federal.

Como funciona a nova assistência para doença renal crônica

A principal mudança está na criação das Ofertas de Cuidados Integrados (OCIs). Em vez de organizar cada consulta, exame ou procedimento de maneira isolada, a proposta reúne, em um mesmo conjunto de atendimento, as etapas necessárias para acompanhar o paciente conforme o estágio da doença e suas necessidades.

Na prática, as ofertas podem incluir consulta com especialista, exames laboratoriais e de imagem, acompanhamento por diferentes profissionais e procedimentos relacionados à preparação do tratamento. A intenção é diminuir os intervalos entre essas etapas, facilitar a continuidade do atendimento e evitar que o paciente avance no quadro sem acompanhamento adequado.

Segundo o Ministério da Saúde, os valores destinados a esses cuidados poderão ser até 360% superiores aos pagamentos anteriores. A pasta afirma que o reforço financeiro deve aumentar a capacidade de atendimento especializado e melhorar a preparação dos pacientes que precisam iniciar a terapia renal substitutiva.

Preparação para hemodiálise terá valor maior

Um dos exemplos citados pelo governo é o cuidado de preparação para a hemodiálise. O valor pago pelo procedimento passa de R$ 940,22 para R$ 3.000,63. Essa etapa é importante porque o paciente precisa ser avaliado e preparado antes do início regular do tratamento, reduzindo o risco de chegar à diálise em situação de urgência.

A hemodiálise é um tratamento que substitui parte da função dos rins quando esses órgãos deixam de filtrar adequadamente o sangue. O procedimento exige acompanhamento contínuo e pode ter impacto significativo na rotina do paciente e da família. Por isso, o acompanhamento desde as fases anteriores é considerado essencial para orientar decisões, controlar complicações e organizar o acesso ao serviço necessário.

Doença renal pode avançar sem sintomas claros

A doença renal crônica ocorre quando os rins perdem sua capacidade de funcionamento de forma persistente. Em muitos casos, a evolução é lenta e não apresenta sinais claros no começo. Condições como hipertensão e diabetes estão entre os problemas frequentemente relacionados à perda da função renal, o que reforça a importância do acompanhamento na atenção básica e da realização de exames quando indicados pelos profissionais de saúde.

O cuidado integrado não substitui a porta de entrada do SUS. A unidade básica de saúde continua tendo papel importante na identificação de alterações, no acompanhamento de doenças crônicas e no encaminhamento para a atenção especializada. Para o morador de Alfenas, o caminho tende a começar pelo serviço de saúde de referência, que avalia a necessidade de exames, consulta especializada ou encaminhamento para a rede regional.

A organização em ofertas integradas busca evitar uma situação comum em tratamentos complexos: o paciente fazer um exame, esperar longo período por uma consulta e depois precisar recomeçar o processo para conseguir outro procedimento. A proposta é concentrar as etapas e dar mais continuidade ao cuidado.

Protocolo do SUS inclui novas opções para anemia

Além da reorganização dos atendimentos, o Ministério da Saúde atualizou o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da Anemia na Doença Renal Crônica. O PCDT é o documento que orienta, no SUS, quais critérios devem ser observados, como a doença deve ser acompanhada e quais tratamentos podem ser utilizados.

A atualização incorporou novas opções terapêuticas para o controle da anemia, entre elas:

  • Carboximaltose férrica;
  • Derisomaltose férrica.

A anemia pode aparecer em pessoas com doença renal crônica e precisa ser avaliada pela equipe de saúde. A inclusão de alternativas no protocolo amplia as possibilidades de tratamento dentro da rede pública, sempre de acordo com a avaliação clínica, os exames e os critérios estabelecidos pelo SUS.

Transplante renal deve ser avaliado antes da diálise

O transplante renal também faz parte da linha de cuidado da doença renal crônica. Com as OCIs, o acompanhamento especializado poderá favorecer a identificação e o encaminhamento de pacientes que tenham indicação para avaliação de transplante antes mesmo do início da diálise.

As regras do Sistema Nacional de Transplantes estabelecem que pessoas com doença renal crônica em estágio avançado, mesmo aquelas que ainda não fazem diálise, sejam orientadas sobre a possibilidade do transplante e tenham acesso à avaliação especializada. Isso não significa que todos os pacientes serão candidatos ao procedimento. A indicação depende de análise médica, exames, condições clínicas e dos critérios do sistema de transplantes.

O encaminhamento antecipado pode permitir mais tempo para investigar a possibilidade de transplante, orientar o paciente e organizar as etapas necessárias. Também ajuda a evitar que a avaliação só aconteça depois que a pessoa já iniciou um tratamento que exige sessões regulares de diálise.

O que muda para pacientes e famílias

Para quem tem diagnóstico ou suspeita de doença renal, a orientação é manter o acompanhamento no serviço de saúde, levar exames anteriores às consultas e informar à equipe sobre mudanças no estado de saúde. O paciente não deve interromper medicamentos nem iniciar tratamentos por conta própria.

Os principais pontos da nova organização são:

  • maior integração entre consultas, exames e procedimentos;
  • acompanhamento conforme o estágio da doença renal;
  • preparação mais adequada para a terapia renal substitutiva;
  • atualização das opções de tratamento da anemia;
  • possibilidade de avaliação para transplante antes da diálise, quando houver indicação.

A implementação prática depende dos fluxos definidos entre os municípios, os serviços especializados e a rede regional de saúde. Em Alfenas, pacientes e familiares devem procurar a unidade de referência ou a Secretaria Municipal de Saúde para obter informações sobre encaminhamentos, serviços disponíveis e critérios de atendimento.

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