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Saúde

Apostas online aumentam risco de endividamento e perda de controle, aponta pesquisa

Redação Saiu Agora
19 de setembro de 2026 às 14:41
Apostas online aumentam risco de endividamento e perda de controle, aponta pesquisa
Foto: Divulgação
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A falsa promessa de ganhar dinheiro rápido com apostas online pode levar ao endividamento, à perda de controle e a conflitos pessoais, segundo levantamento do Instituto Fecomércio de Pesquisas e Análises (IFec-RJ). Embora a pesquisa tenha sido realizada com moradores da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, os dados ajudam a dimensionar um problema que também exige atenção em cidades como Alfenas e outros municípios do Sul de Minas, onde o acesso às plataformas digitais ocorre pelo celular.

O estudo foi realizado entre os dias 22 e 25 de junho, com 1.024 pessoas. Do total de entrevistados, 22,8% disseram já ter participado de apostas online. Entre esse grupo, o principal motivo apontado foi a possibilidade de ganhar dinheiro rapidamente, citada por 33%. Outros 25,4% enxergam nas apostas uma alternativa para obter renda extra.

Pesquisa mostra dificuldade para interromper as apostas

O levantamento indica que o problema não se limita ao valor gasto. 22,3% dos apostadores afirmaram ter dificuldade para parar. Além disso, 29,1% disseram já ter sentido culpa por apostar e 34,8% relataram ter sido criticados por causa do hábito.

Os números também apontam possíveis impactos sobre familiares e pessoas próximas. De acordo com a pesquisa, 6,9% dos entrevistados afirmaram já ter se prejudicado ou ter afetado outra pessoa em razão das apostas. Entre aqueles que relataram esse tipo de consequência, 68% disseram ter perdido dinheiro.

Outro dado considerado preocupante é o comportamento após o prejuízo. 42% dos que já apostaram admitiram voltar a jogar para tentar recuperar o dinheiro perdido. Esse mecanismo pode ampliar as perdas, porque transforma uma tentativa de compensar o prejuízo em uma sequência de novas apostas e novos riscos financeiros.

Endividamento atinge parte dos apostadores

O gasto médio mensal declarado pelos apostadores foi de R$ 96,30. Entre os participantes da pesquisa, 5,1% afirmaram ter se endividado por causa das apostas. O percentual, embora pareça baixo à primeira vista, ganha importância quando analisado junto com o cenário geral de dívidas.

  • 42,9% dos entrevistados disseram possuir algum tipo de dívida;
  • entre as pessoas endividadas, 45,9% afirmaram estar com os pagamentos atrasados;
  • o gasto médio mensal informado com apostas foi de R$ 96,30;
  • 21,9% disseram apostar diariamente;
  • 27,9% afirmaram apostar de uma a duas vezes por semana.

O IFec-RJ estima que 1,9 milhão de pessoas na Região Metropolitana do Rio de Janeiro já tenham participado de apostas online. Com base no gasto médio informado, a movimentação estimada chega a R$ 182 milhões por mês. Em projeção anual, o valor alcança aproximadamente R$ 2,2 bilhões, montante superior a três vezes a movimentação financeira estimada para as compras de Natal mencionada no levantamento.

Quem aposta e quais plataformas aparecem na pesquisa

Entre as pessoas que já participaram de apostas online, 36% têm renda mensal entre um e dois salários mínimos. Outros 19,7% recebem de dois a três salários mínimos, enquanto 19,4% têm renda de até um salário mínimo. Os dados reforçam que o fenômeno não está restrito a grupos de maior poder aquisitivo e pode atingir famílias com orçamento mais limitado.

Na lista de modalidades e plataformas citadas, as bets aparecem em primeiro lugar: 60,9% dos entrevistados que já apostaram disseram ter utilizado esse tipo de serviço. O chamado Tigrinho foi mencionado por 49,4%. A pesquisa não significa que todos os participantes utilizem as mesmas plataformas ou apostem com a mesma frequência.

Por que as apostas podem comprometer a saúde mental

As apostas online são apresentadas pelas plataformas como entretenimento, mas a facilidade de acesso pode favorecer o uso frequente. Com poucos cliques, o usuário consegue colocar dinheiro em jogos ou eventos e acompanhar imediatamente o resultado. Essa combinação de rapidez, expectativa de recompensa e possibilidade de recuperar perdas pode contribuir para um comportamento repetitivo.

A dificuldade de parar, o sentimento de culpa, as críticas de familiares e o retorno às apostas depois de perder dinheiro são sinais que merecem atenção. O problema pode afetar o orçamento doméstico, o relacionamento com outras pessoas e a saúde mental. Quando há uso de dinheiro destinado a despesas básicas, empréstimos ou atrasos recorrentes para continuar apostando, a orientação é buscar ajuda o quanto antes.

Como agir diante do problema

  • reconhecer os gastos e registrar quanto dinheiro está sendo destinado às apostas;
  • evitar tentar recuperar perdas com novas apostas;
  • bloquear notificações, excluir aplicativos e limitar o acesso às plataformas;
  • conversar com familiares ou pessoas de confiança sobre a situação;
  • procurar atendimento em serviços de saúde, especialmente quando houver ansiedade, culpa, sofrimento ou dificuldade para interromper o comportamento.

Em Alfenas, pessoas que enfrentam dificuldades relacionadas ao uso compulsivo de apostas podem procurar a rede pública de saúde do município para orientação e encaminhamento. O atendimento deve ser buscado também quando o problema ainda parece pequeno, já que a identificação precoce pode evitar o agravamento das dívidas e dos conflitos familiares.

Os resultados foram divulgados pelo diretor-executivo do IFec-RJ, João Gomes, que destacou a existência de uma percepção equivocada de que o jogo seria uma forma de ganho fácil. A pesquisa, por ter sido feita na Região Metropolitana do Rio, não permite calcular quantos moradores de Alfenas apostam ou quanto é movimentado localmente. Ainda assim, os indicadores mostram os riscos associados ao hábito e servem de alerta para usuários, famílias e órgãos de atendimento.

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