São Paulo recebe nesta quinta-feira (24) a segunda edição do Agrolend Day, evento promovido pela Agrolend, instituição financeira especializada no financiamento do agronegócio em todo o Brasil. A programação reúne clientes, parceiros, investidores e colaboradores para discutir os desafios do crédito rural e os caminhos para tornar o financiamento do campo mais acessível, organizado e sustentável.
O encontro ocorre em um momento de pressão sobre a cadeia produtiva, marcado por juros elevados, preocupação com a inadimplência, margens mais apertadas e necessidade de maior controle financeiro. Esses fatores afetam desde a indústria que fornece sementes, fertilizantes e defensivos agrícolas até cooperativas, tradings, distribuidores e produtores rurais.
De acordo com a organização, o evento foi estruturado para aproximar diferentes elos do agronegócio e estimular soluções que considerem o sistema produtivo como um todo. A programação inclui quatro painéis com executivos de indústrias de insumos, cooperativas, empresas de produção e distribuição, tradings e instituições financeiras.
“No Agrolend Day temos um conteúdo relevante, conexões verdadeiras e o orgulho de fazer parte da busca de caminhos para superar os desafios do crédito rural”, afirma André Glezer, co-CEO da Agrolend.
Quatro painéis sobre crédito, gestão e distribuição no agro
Os debates do Agrolend Day 2026 foram organizados em quatro frentes. A proposta é discutir tanto as dificuldades imediatas do setor quanto mudanças estruturais na forma como o crédito é concedido e utilizado no campo.
Indústria de insumos enfrenta virada do ciclo
O primeiro painel trata da situação da indústria de insumos durante a chamada virada do ciclo. O debate aborda o impacto dos juros, a redução ou pressão sobre as margens, o avanço da inadimplência e as perspectivas para os próximos meses.
Participam da discussão André Savino, presidente e co-CEO de Proteção de Cultivos da Syngenta; Eduardo Monteiro, country manager da Mosaic Fertilizantes no Brasil e no Paraguai; Nairo Piña Rojas, presidente LATAM da Sumitomo Chemical; Renato Guimarães, presidente da FMC Brasil; Santiago Franco, CEO da Cibra; e Sebastian Lüth, vice-presidente LATAM da HELM do Brasil.
Os insumos representam uma parcela importante do custo de produção agrícola. Por isso, alterações nos juros, nos prazos de pagamento e nos níveis de inadimplência podem afetar o planejamento do produtor e a capacidade das empresas de manter estoques, financiar vendas e preservar investimentos.
Soluções integradas para financiar o sistema produtivo
O segundo painel discute soluções integradas de crédito para o agronegócio, com foco na relação entre o cliente e os demais participantes da cadeia produtiva. A ideia é avaliar como o financiamento pode ser estruturado de forma mais conectada às necessidades de cada atividade, em vez de depender de uma única modalidade ou de decisões isoladas.
Estão previstos Brunno Leto, gerente financeiro da Cibra; Bruno Damasceno, líder de Soluções Financeiras da Mosaic; Eduardo Gradiz, head de Operações Financeiras da BASF; e Thaís Gomes, tesoureira e líder de Operações Estruturadas LATAM da FMC.
Na prática, o crédito integrado pode envolver fabricantes de insumos, distribuidores, cooperativas, produtores e agentes financeiros. O objetivo é melhorar a previsibilidade dos pagamentos e alinhar o financiamento ao ciclo agrícola, que possui períodos específicos para compra, plantio, colheita e comercialização.
Disciplina financeira é apontada como base para crescer
O terceiro painel será dedicado à saúde financeira das empresas do agronegócio. Com o título “Crescer com o balanço saudável: a disciplina financeira que sustenta a expansão no Agro”, a conversa deve abordar a importância do controle de custos, da gestão de caixa, da avaliação de riscos e do planejamento para empresas que pretendem continuar crescendo mesmo em um cenário de crédito mais seletivo.
Participam Eliane Viotto, diretora financeira e administrativa da Coplacana; Felipe Marques, CFO da Boa Safra; Guilherme Carneiro, diretor financeiro da Biotrop; e Jairo Carolinski, vice-presidente de Finanças da Mosaic. A programação da fonte também menciona outra participante, mas o nome aparece incompleto nas informações disponíveis.
O tema tem impacto direto sobre produtores e empresas. Um balanço saudável não significa apenas obter lucro, mas manter capacidade de pagamento, administrar compromissos de curto e longo prazo e escolher investimentos compatíveis com a geração de receita. No setor rural, essa disciplina é especialmente relevante porque a entrada de recursos costuma depender da safra e das condições de mercado.
Futuro da distribuição também entra na agenda
O quarto painel será voltado ao futuro da distribuição no agronegócio, um segmento que conecta fabricantes de insumos, revendas, cooperativas e produtores. A discussão completa a programação ao tratar de um dos principais pontos de chegada dos produtos e serviços financeiros ao campo.
A distribuição exerce papel estratégico porque ajuda a levar tecnologia, assistência comercial e condições de pagamento para diferentes regiões produtoras. Mudanças nesse modelo podem alterar a relação entre fornecedores e agricultores, além de influenciar a oferta de crédito, a negociação de prazos e a capacidade de atendimento local.
Crédito rural passa por busca de maior eficiência
O crédito rural é um dos instrumentos que sustentam a produção agropecuária. Ele permite antecipar recursos para a compra de insumos, máquinas, serviços e outros itens necessários ao ciclo produtivo. Quando os juros sobem ou os critérios de concessão ficam mais rígidos, produtores e empresas precisam revisar investimentos e negociar prazos com mais cuidado.
O encontro promovido pela Agrolend pretende colocar esse cenário em debate com representantes de diferentes áreas. A presença de empresas como Syngenta, Mosaic, Sumitomo Chemical, FMC, Cibra, HELM, BASF, Coplacana, Boa Safra e Biotrop mostra a tentativa de reunir agentes que participam de etapas distintas da produção e da comercialização agrícola.
Além dos painéis, a organização destaca a criação de conexões entre os participantes. Para o setor, esse tipo de articulação pode facilitar o compartilhamento de experiências e a construção de alternativas diante de dificuldades comuns, como inadimplência, custo de capital e necessidade de financiar operações cada vez mais complexas.
A segunda edição do Agrolend Day, portanto, combina avaliação do cenário atual e discussão sobre o futuro do financiamento do campo. As conclusões dos debates devem interessar não apenas às instituições financeiras, mas também a empresas da cadeia de insumos, cooperativas, distribuidores e produtores que dependem de crédito para manter ou ampliar suas atividades.