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Saúde

CFM autoriza uso complementar de PRP no tratamento da artrose do joelho

Redação Saiu Agora
28 de setembro de 2026 às 18:51
CFM autoriza uso complementar de PRP no tratamento da artrose do joelho
Foto: Divulgação
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O Conselho Federal de Medicina (CFM) autorizou o uso do plasma rico em plaquetas (PRP) como tratamento complementar para a osteoartrite do joelho e outras três condições osteomusculares. A mudança está em vigor desde 15 de julho de 2026, com a publicação da Resolução CFM nº 2.464/2026, que retirou o procedimento da condição de experimental.

Até então, desde 2015, o PRP só poderia ser utilizado dentro de protocolos de pesquisa aprovados por comitês de ética. A nova norma estabelece critérios para que médicos possam indicar a técnica na prática clínica, mas deixa claro que ela não substitui tratamentos clínicos, fisioterápicos ou cirúrgicos quando esses recursos forem recomendados.

O que muda com a resolução do CFM

O PRP é obtido a partir do sangue do próprio paciente. Depois da coleta, o material é processado para concentrar as plaquetas e os fatores de crescimento presentes no sangue. A preparação é então aplicada na região lesionada, de acordo com a indicação médica.

As plaquetas participam naturalmente dos processos de reparação dos tecidos. A proposta do procedimento é concentrar esses componentes para auxiliar o organismo em determinadas lesões ou doenças. No caso da artrose, a aplicação costuma ser considerada uma estratégia para ajudar no controle da dor e na melhora da função do joelho, sem representar a reconstrução da cartilagem destruída.

Além da osteoartrite do joelho, a resolução permite o uso adjuvante do PRP em:

  • Discopatia lombar;
  • Epicondilite lateral do cotovelo, conhecida popularmente como cotovelo de tenista;
  • Reparo meniscal.

O termo adjuvante significa que o PRP pode ser usado como apoio a outras formas de cuidado. A decisão não autoriza a aplicação indiscriminada nem transforma o procedimento em solução única para doenças musculoesqueléticas. O médico deve estabelecer um objetivo terapêutico para cada paciente e avaliar se há indicação real.

Indicação depende de avaliação individual

Segundo a norma do CFM, a aplicação deve ser precedida por diagnóstico médico, avaliação clínica individualizada e investigação de possíveis contraindicações. Também é necessário definir o objetivo do tratamento, além de observar regras de coleta, processamento e aplicação do material.

Na prática, isso significa que o paciente com dor no joelho precisa passar por uma consulta completa antes de considerar o PRP. A avaliação pode envolver o histórico dos sintomas, exame físico e exames de imagem, quando necessários. O médico também deve analisar a gravidade da artrose, as limitações provocadas pela doença e os tratamentos já realizados.

A artrose, também chamada de osteoartrite, é uma doença degenerativa que afeta as articulações. No joelho, pode causar dor, rigidez, inchaço e dificuldade para caminhar, subir escadas ou permanecer em pé por períodos prolongados. O tratamento geralmente é definido conforme a intensidade dos sintomas e pode incluir controle do peso, exercícios, fisioterapia, medicamentos, infiltrações e, em casos específicos, cirurgia.

Por isso, a autorização do PRP não significa que ele deva ser indicado para todos os pacientes ou que possa substituir a reabilitação. A resolução reforça justamente a necessidade de integrar o procedimento ao plano terapêutico, quando houver justificativa clínica.

Evidências científicas ainda apresentam resultados diferentes

A decisão do CFM ocorre em um cenário de debate entre especialistas. Há estudos que apontam benefícios do PRP, mas também pesquisas que não identificaram vantagem significativa em relação a outras opções ou ao placebo. Os resultados podem variar conforme a concentração de plaquetas, o método de preparo, o número de aplicações, o estágio da doença e o perfil dos pacientes avaliados.

Uma meta-análise publicada em 2025 na American Journal of Sports Medicine encontrou melhora clinicamente relevante da dor e da função em pacientes tratados com PRP quando comparados ao placebo. O resultado foi mais favorável nos preparados com maior concentração de plaquetas.

Outra análise, uma rede meta-análise publicada em 2024 na revista Arthroscopy, comparou diferentes injeções intra-articulares. O PRP apresentou os melhores índices de melhora para dor e função entre as técnicas avaliadas, à frente de corticoide, ácido hialurônico e concentrado de medula óssea.

Os resultados, porém, não são uniformes. O ensaio clínico RESTORE, publicado em 2021 na revista JAMA, não encontrou diferença estatística entre o PRP e a injeção de solução salina depois de 12 meses. Esse estudo é um dos principais contrapontos às pesquisas que indicam benefício da técnica.

Essa divergência explica por que a indicação precisa ser individualizada. Uma meta-análise reúne resultados de vários estudos e pode apontar uma tendência geral, mas não elimina as diferenças entre os protocolos. Já um ensaio clínico isolado pode apresentar conclusões diferentes conforme o desenho da pesquisa, os critérios utilizados e o grupo analisado.

Segurança, rastreabilidade e informação ao paciente

Como o PRP é produzido com o sangue do próprio paciente, o risco de rejeição imunológica tende a ser menor do que em materiais de outra origem. Isso não elimina, contudo, a necessidade de cuidados médicos. A coleta, o processamento e a aplicação devem seguir procedimentos seguros, com rastreabilidade do material utilizado.

Antes da aplicação, o paciente deve receber informações sobre a finalidade do tratamento, os possíveis benefícios, as limitações da evidência científica e as alternativas disponíveis. Também é importante esclarecer que a autorização pelo CFM não representa garantia de resultado para todos os casos.

O paciente não deve interromper fisioterapia, medicamentos ou outro tratamento prescrito para substituir essas medidas pelo PRP sem orientação profissional. Da mesma forma, a existência da resolução não significa que qualquer clínica ou profissional possa oferecer a técnica sem estrutura adequada ou sem diagnóstico médico.

O que o paciente deve perguntar antes do procedimento

  • Qual é o diagnóstico e por que o PRP foi considerado neste caso?
  • Qual é o objetivo esperado com a aplicação?
  • Quais tratamentos convencionais continuam indicados?
  • Como será feita a coleta, o processamento e a aplicação do material?
  • Quais são os riscos, as limitações e as alternativas?

A nova regra amplia a possibilidade de uso do PRP na medicina brasileira, especialmente no tratamento complementar de problemas do joelho, mas mantém a responsabilidade da decisão no atendimento médico individual. Para o paciente, a principal mudança é que o procedimento deixa de estar restrito à pesquisa e passa a contar com uma autorização normativa específica. A efetividade, entretanto, ainda deve ser analisada caso a caso, à luz do diagnóstico, das condições clínicas e das evidências disponíveis.

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