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Saúde

Hábitos cotidianos e sinais ignorados podem aumentar o risco de infarto

Redação Saiu Agora
29 de setembro de 2026 às 14:05
Hábitos cotidianos e sinais ignorados podem aumentar o risco de infarto
Foto: Divulgação
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Cansaço frequente, falta de ar durante esforços e dor no peito podem ser confundidos com estresse, falta de descanso ou consequência de uma rotina acelerada. Em alguns casos, porém, esses sinais estão relacionados a problemas cardiovasculares e precisam de avaliação médica. Reconhecer alterações no corpo e buscar atendimento rapidamente pode reduzir o risco de complicações.

O infarto agudo do miocárdio ocorre quando o fluxo de sangue para parte do coração é interrompido, geralmente por uma obstrução em uma artéria. Segundo o Ministério da Saúde, a doença é a principal causa de mortes no país. A estimativa nacional é de 300 mil a 400 mil casos por ano, com um óbito a cada cinco a sete ocorrências.

Os números da rede pública também mostram a dimensão do problema. Na cidade de São Paulo, foram registradas 13.800 internações por infarto entre janeiro de 2023 e julho de 2025. No mesmo período, houve 9.394 internações por acidente vascular cerebral (AVC). Infarto e AVC têm fatores de risco em comum, como pressão alta, diabetes, colesterol elevado, tabagismo, excesso de peso e sedentarismo.

Fatores de risco cardiovascular que podem passar despercebidos

O cardiologista Francisco José, da rede de clínicas AmorSaúde, afirma que os fatores mais conhecidos, como hipertensão, diabetes, colesterol alto e tabagismo, não são os únicos que devem ser observados. A avaliação também precisa considerar a genética familiar, a obesidade e hábitos alimentares e de atividade física.

  • Hipertensão: muitas vezes não provoca sintomas claros, mas mantém os vasos sanguíneos sob pressão elevada e aumenta o risco de infarto e AVC.
  • Diabetes: quando a glicose permanece alta e sem controle, pode danificar os vasos sanguíneos e favorecer doenças cardiovasculares.
  • Colesterol elevado: principalmente quando há excesso de LDL, pode contribuir para o acúmulo de placas nas artérias e dificultar a circulação.
  • Histórico familiar: a ocorrência de doenças cardiovasculares entre parentes pode indicar uma predisposição que deve ser informada ao profissional de saúde.
  • Excesso de peso e hábitos pouco saudáveis: obesidade, falta de atividade física e alimentação rica em sal, ultraprocessados e açúcar estão associados a alterações metabólicas e ao aumento do risco cardiovascular.

“É preciso considerar a genética familiar e a obesidade, além de hábitos como a inatividade física e a alimentação rica em sal, ultraprocessados e açúcar”, afirma o médico.

Por que a hipertensão exige acompanhamento

A pressão alta é conhecida como uma condição silenciosa porque pode permanecer por muito tempo sem causar sintomas perceptíveis. Mesmo assim, a pressão elevada provoca desgaste progressivo nas paredes das artérias e sobrecarrega o coração. Sem acompanhamento, pode contribuir para o surgimento de infarto, AVC e outras complicações.

O mesmo cuidado vale para o diabetes e o colesterol. Nem sempre a pessoa percebe quando a glicose ou o LDL estão acima dos níveis desejáveis. Por isso, exames periódicos e consultas são importantes, especialmente para quem tem histórico familiar, excesso de peso, fuma ou mantém uma rotina com pouca atividade física.

Sintomas que não devem ser atribuídos apenas ao estresse

Dor ou pressão no peito, falta de ar ao fazer esforço e cansaço fora do padrão merecem atenção. O fato de um sintoma parecer comum não significa que ele seja inofensivo. A intensidade também não deve ser usada como único critério para decidir se é necessário buscar ajuda.

Em caso de dor no peito persistente, falta de ar importante, mal-estar súbito ou suspeita de infarto, a orientação é procurar imediatamente um serviço de emergência. O atendimento rápido é fundamental para identificar o problema e iniciar o tratamento adequado. Não é recomendado esperar os sintomas desaparecerem ou tentar resolver a situação apenas com repouso.

Prevenção depende de mudanças possíveis na rotina

A prevenção cardiovascular não se resume a uma única medida. Ela envolve acompanhar a pressão arterial, controlar diabetes e colesterol quando houver diagnóstico, não fumar, manter atividade física conforme orientação profissional e reduzir o consumo de sal, açúcar e alimentos ultraprocessados.

  • Faça consultas e exames de rotina, mesmo quando não houver sintomas.
  • Informe ao profissional de saúde casos de infarto, AVC ou outras doenças cardiovasculares na família.
  • Evite o tabagismo e procure ajuda para interromper o hábito, quando necessário.
  • Adote uma alimentação equilibrada, com menor presença de sal, açúcar e produtos ultraprocessados.
  • Pratique atividade física de forma regular e compatível com sua condição de saúde.

As mudanças devem ser incorporadas de maneira contínua e individualizada. Pessoas que já têm diagnóstico de hipertensão, diabetes ou colesterol elevado não devem interromper medicamentos nem alterar o tratamento por conta própria.

Setembro Vermelho reforça alerta sobre doenças do coração

O Setembro Vermelho amplia a conscientização sobre as doenças cardiovasculares e tem como referência o Dia Mundial do Coração, celebrado em 29 de setembro. A campanha chama atenção para a prevenção antes que a doença se manifeste de forma grave.

O alerta vale para todas as idades, mas ganha importância quando há combinação de fatores de risco. A identificação precoce de alterações e o acompanhamento regular podem ajudar a evitar agravamentos. Cuidar do coração, nesse sentido, envolve tanto reconhecer sinais de emergência quanto rever hábitos que, repetidos diariamente, aumentam a sobrecarga do organismo.

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