Quase 919 mil brasileiros que vivem fora do país estarão aptos a votar nas eleições de 2026. De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 918.876 eleitores têm domicílio eleitoral no exterior e poderão escolher o presidente e o vice-presidente da República. O número representa pouco mais de 0,5% dos cerca de 158,7 milhões de eleitores brasileiros.
O eleitorado que mora fora do Brasil terá uma participação diferente da registrada em território nacional. Pela regra eleitoral, brasileiros com domicílio eleitoral no exterior votam apenas para os cargos de presidente e vice-presidente. Não participam, portanto, da escolha de governador, senador, deputado federal, deputado estadual ou distrital.
Eleitorado brasileiro no exterior cresce 358% desde 2010
O total de brasileiros habilitados a votar fora do país vem aumentando de forma contínua. Entre 2010 e 2026, o crescimento acumulado foi de 358%. O avanço acompanha a ampliação do cadastro eleitoral de brasileiros que vivem, estudam ou trabalham em outros países e desejam manter o vínculo político com o Brasil.
- Em 2010, havia cerca de 210 mil eleitores registrados no exterior;
- Em 2014, o número chegou a aproximadamente 354 mil;
- Em 2018, eram cerca de 500 mil eleitores;
- Em 2022, o contingente se aproximou de 700 mil;
- Para 2026, o cadastro reúne 918.876 brasileiros aptos a votar fora do território nacional.
O domicílio eleitoral no exterior é o registro que permite ao brasileiro residente em outro país votar em uma seção eleitoral instalada fora do Brasil. A transferência não elimina a nacionalidade brasileira nem impede o eleitor de manter vínculos com o país. Ela apenas organiza o atendimento eleitoral de quem vive permanentemente ou por longo período no exterior.
Votação ocorrerá em 186 cidades de outros países
Para atender esse eleitorado, o TSE prevê a instalação de seções eleitorais em 186 cidades do exterior. Os locais funcionarão principalmente em consulados e embaixadas brasileiras, mas também poderão ser montados em escolas, hotéis e outros espaços adequados para a votação.
A distribuição das seções faz com que nem todos os brasileiros tenham um local de votação próximo de casa. Em algumas regiões, o eleitor precisará viajar para outra cidade ou até mesmo percorrer longas distâncias dentro do próprio país onde mora. A situação é semelhante à da jornalista Victória Moretti, de 30 anos, que vive em Ontário, no Canadá, desde agosto de 2025.
Estudante de mestrado na University of Niagara Falls, Victória fará sua primeira participação em uma eleição brasileira no exterior. A seção eleitoral mais próxima fica em Toronto, cidade para onde ela e outros brasileiros terão de se deslocar.
“Queria votar, mesmo morando fora, porque sei da importância dessas eleições para o futuro do meu país. Fiz todo o processo necessário para isso”, afirmou.
Para ela, a experiência de morar fora também fortaleceu a relação com o Brasil. “Fiquei mais patriota e orgulhosa do próprio país. Quem mora fora sabe disso porque compara”, disse.
Estados Unidos concentram maior número de eleitores
O eleitorado brasileiro no exterior está espalhado por diferentes continentes, mas alguns países concentram a maior parte dos registros. Os Estados Unidos lideram, com 265,4 mil eleitores. Em seguida aparecem Portugal, Japão, Canadá e Alemanha.
- Estados Unidos: 265,4 mil eleitores;
- Portugal: 134,7 mil;
- Japão: 88,3 mil;
- Canadá: 46,4 mil;
- Alemanha: 41,5 mil.
Esses cinco países reúnem os maiores contingentes do eleitorado brasileiro fora do Brasil, enquanto outros países completam a lista de 134 nações com cidadãos habilitados a votar.
Mulheres são maioria entre brasileiros que votam no exterior
Os dados do TSE também mostram o perfil demográfico desse eleitorado. As mulheres representam 57% dos brasileiros registrados para votar fora do país. Os homens correspondem a 43%.
Em relação ao estado civil, os solteiros são maioria, com 52% do total. Os casados representam 42%, os divorciados somam 6% e os viúvos, 1%. O cadastro eleitoral registra ainda 6.614 pessoas com deficiência, o equivalente a 0,72% do eleitorado no exterior.
Esse perfil ajuda a mostrar que o voto fora do Brasil não se limita a um único grupo. Ele reúne estudantes, trabalhadores, famílias e brasileiros que decidiram permanecer ligados às decisões políticas do país, mesmo vivendo em outras nações.
Participação depende de planejamento do eleitor
Como a votação será concentrada em cidades e locais definidos pela Justiça Eleitoral, o eleitor que mora no exterior precisa se organizar com antecedência. A distância até a seção, a necessidade de deslocamento e a disponibilidade de atendimento consular podem influenciar diretamente a participação.
O crescimento do eleitorado externo também aumenta a responsabilidade de consulados, embaixadas e do próprio TSE na preparação da estrutura. A organização envolve a instalação das seções, a definição dos espaços de votação e o atendimento aos brasileiros habilitados em diferentes fusos horários e realidades locais.
Embora represente uma parcela menor do eleitorado total, o contingente de brasileiros no exterior já se aproxima de 1 milhão de pessoas. Para esses eleitores, a escolha presidencial é a única oportunidade de participar diretamente das eleições brasileiras. O avanço registrado desde 2010 indica que a presença desse grupo no processo eleitoral nacional se tornou cada vez mais relevante.