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Política

Lula rebate Trump e defende retomada de territórios dominados por facções no Rio

Redação Saiu Agora
18 de setembro de 2026 às 20:36
Lula rebate Trump e defende retomada de territórios dominados por facções no Rio
Foto: Divulgação
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rebateu nesta sexta-feira (18) a classificação de organizações criminosas brasileiras como terroristas feita pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Durante um evento oficial no Rio de Janeiro, com a participação de representantes da segurança pública federal, estadual e municipal, Lula afirmou que o Brasil precisa enfrentar o crime organizado e retomar áreas ocupadas por traficantes.

A declaração ocorre em meio ao aumento da pressão política entre os governos brasileiro e norte-americano sobre a atuação de grupos como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). Em maio, os Estados Unidos já haviam designado as duas organizações como terroristas. No dia 15, Trump voltou a criticar o Brasil em um documento anual enviado ao Congresso norte-americano, no qual afirmou que o governo brasileiro não teria conseguido enfrentar adequadamente as facções.

Lula contesta classificação de PCC e Comando Vermelho como terroristas

Ao responder às declarações do presidente norte-americano, Lula rejeitou o uso do termo terrorismo para definir as facções criminosas brasileiras. “Nós precisamos ganhar do crime organizado. Eu não aceito a ideia de que as facções são terroristas, como diz o Trump”, afirmou.

Na avaliação do presidente, o conceito utilizado por Trump estaria relacionado a disputas pelo poder e a ações promovidas por governos ou grupos políticos com objetivo de intimidar e controlar o Estado. “Quando Trump fala em terrorismo, ele fala em terrorismo de Estado, briga pelo poder”, disse Lula.

Em seguida, o presidente associou o conceito ao plano de ruptura institucional investigado no Brasil após as eleições de 2022. Lula citou o ex-presidente Jair Bolsonaro e afirmou que a tentativa de golpe de 8 de janeiro e o planejamento para matar autoridades seriam exemplos de terrorismo de Estado.

“Quem era isso? Era o Bolsonaro tentando dar o golpe de 8 de Janeiro. Isso é terrorismo. Pensando em matar Lula, Alckmin e até Alexandre de Moraes. Esse era o plano. Isso é terrorismo de Estado”, declarou.

Condenação de Bolsonaro foi mencionada no discurso

O discurso ocorreu depois de o ex-presidente Jair Bolsonaro ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e três meses de prisão, em março deste ano. Segundo a decisão mencionada no evento, Bolsonaro foi considerado culpado por crimes relacionados à trama golpista.

Entre os fatos analisados no processo está a ciência de um plano para matar Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro do STF Alexandre de Moraes. A referência feita por Lula colocou no mesmo debate dois temas distintos: de um lado, a violência praticada por organizações criminosas; de outro, as acusações de tentativa de ruptura da ordem democrática e de ataque às instituições.

O STF é a mais alta instância do Poder Judiciário brasileiro e tem, entre suas atribuições, a análise de processos envolvendo autoridades com foro especial e a proteção da Constituição. Já as forças de segurança responsáveis pelo combate ao tráfico e às milícias atuam em diferentes níveis, incluindo União, estados e municípios.

Presidente defende retomada de áreas ocupadas por traficantes

Além de responder a Trump, Lula defendeu uma ação coordenada para recuperar territórios dominados por grupos criminosos no Rio de Janeiro. A declaração foi feita durante uma reunião que reuniu a cúpula da segurança pública nas esferas federal, estadual e municipal.

A retomada de territórios é uma das principais dificuldades enfrentadas pelas autoridades em regiões onde facções controlam a circulação de moradores, impõem regras, exploram serviços clandestinos e disputam pontos de venda de drogas. Na prática, uma operação policial isolada não resolve o problema de forma permanente. A recuperação dessas áreas costuma exigir investigação, presença contínua do Estado, serviços públicos e medidas para impedir que os grupos voltem a ocupar o espaço.

O pronunciamento, no entanto, não apresentou um novo plano operacional nem detalhou metas, prazos ou recursos para a retomada das áreas. A fala de Lula foi principalmente política e ocorreu em um momento de troca de acusações entre Brasil e Estados Unidos sobre segurança, soberania e combate ao crime organizado.

Petróleo, terras raras e margem equatorial entram no debate

Lula também afirmou que o Brasil precisa reforçar a vigilância sobre áreas consideradas estratégicas para a economia e para a segurança nacional. Entre elas estão a margem equatorial, no Norte do país, e o pré-sal, localizado no litoral do Sudeste.

As duas regiões estão relacionadas à exploração de petróleo. A margem equatorial abrange uma faixa marítima próxima à costa de estados do Norte e do Nordeste e é apontada como uma área de potencial energético. O pré-sal, por sua vez, reúne grandes reservas de petróleo em águas profundas do litoral brasileiro.

“Nós temos que tomar conta porque o Trump está aí. O Trump está aí atrás de minerais críticos, atrás de petróleo, atrás de terra rara”, afirmou o presidente.

Os chamados minerais críticos são matérias-primas consideradas importantes para setores como energia, tecnologia, indústria e defesa. As terras raras formam um grupo de elementos químicos utilizados em equipamentos eletrônicos, motores, baterias e sistemas de alta tecnologia. Por isso, o controle de reservas e cadeias de produção desses materiais tem ganhado importância nas disputas econômicas entre países.

O que está em jogo para o Brasil

  • Segurança pública: o governo federal tenta articular ações com estados e municípios para combater facções e recuperar áreas sob influência criminosa;
  • Soberania: Lula rejeita que os Estados Unidos definam unilateralmente como o Brasil deve classificar e enfrentar suas organizações criminosas;
  • Relações internacionais: a classificação do PCC e do CV como grupos terroristas amplia a pressão diplomática e pode afetar a cooperação entre os dois países;
  • Recursos estratégicos: petróleo, terras raras e outros minerais críticos são apontados pelo governo brasileiro como áreas que exigem proteção e planejamento;
  • Instituições democráticas: o presidente vinculou a discussão sobre terrorismo às investigações e à condenação relacionadas à tentativa de golpe e aos planos contra autoridades.

Para os municípios brasileiros, incluindo Alfenas, o debate tem reflexos indiretos. Mudanças na política nacional de segurança podem influenciar operações contra redes de tráfico, ações de inteligência e a distribuição de recursos para forças policiais. Até o momento, porém, não foram anunciadas medidas específicas para Alfenas ou para a região do Sul de Minas relacionadas ao discurso feito no Rio de Janeiro.

O episódio mostra que o combate ao crime organizado passou a ser tratado simultaneamente como tema de segurança pública, política externa e proteção de áreas estratégicas. A resposta brasileira dependerá da cooperação entre os órgãos de segurança, do fortalecimento das investigações financeiras e da presença permanente do Estado nas regiões afetadas.

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