Na última semana de campanha, os candidatos à Presidência da República ampliaram a presença em atos públicos, entrevistas, reuniões com setores da economia e atividades de rua. A segunda-feira (28) foi marcada por compromissos em diferentes regiões do país, com propostas voltadas principalmente para saúde pública, controle de gastos, direitos sociais e diálogo com eleitores.
Saúde pública esteve entre as prioridades de Lula
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cumpriu agenda em Belém, no Pará, e Manaus, no Amazonas. Durante o ato na capital paraense, o candidato prometeu ampliar o acesso da população a exames modernos, diagnósticos mais rápidos e consultas com médicos especialistas pela rede pública de saúde.
A proposta envolve uma das principais demandas do Sistema Único de Saúde (SUS): reduzir o tempo de espera entre a solicitação de um exame, a confirmação de uma doença e o início do tratamento. O SUS é a rede pública responsável pelo atendimento gratuito em todo o país, desde a atenção básica até procedimentos de maior complexidade.
“É um direito do povo ser tratado com respeito e decência”, afirmou Lula durante a agenda.
Campanhas tiveram atos em ruas, universidades e centros comerciais
Renan Santos (Missão) esteve no Espírito Santo e se reuniu, à noite, com apoiadores no centro de Vitória. A atividade ocorreu em uma região de circulação intensa, formato usado pelas campanhas para ampliar a visibilidade e manter contato direto com o eleitorado.
Em São Paulo, Samara Martins (UP) fez panfletagem no bairro da Mooca, na zona leste da capital. A candidata também participou de um ato pela legalização do aborto na Avenida Paulista e de um evento na Universidade Zumbi dos Palmares. O tema do aborto está entre os assuntos de maior controvérsia no debate eleitoral e envolve discussões sobre saúde pública, legislação, direitos reprodutivos e políticas de atendimento às mulheres.
Clariana Barão (DC) esteve no Mercadão, na região central de São Paulo, onde conversou com comerciantes e apoiadores. Depois, caminhou pelas ruas do centro e também fez panfletagem. A candidata declarou que, se eleita, indicará quatro mulheres para o Supremo Tribunal Federal (STF).
O STF é a mais alta corte do Poder Judiciário brasileiro e tem entre suas atribuições julgar ações que envolvem a Constituição Federal. A indicação de ministros é feita pelo presidente da República, mas depende de aprovação do Senado Federal.
Controle de gastos foi defendido por Ronaldo Caiado
Ronaldo Caiado (PSD) participou de uma caminhada no bairro Jardim Guanabara, em Goiânia, Goiás. Durante a agenda, voltou a defender medidas para limitar o crescimento das despesas do governo federal.
A proposta apresentada pelo candidato prevê que os gastos obrigatórios cresçam, no máximo, 50% do avanço do Produto Interno Bruto (PIB). Ele também defendeu um corte de 25% nas despesas discricionárias.
O PIB é a soma dos bens e serviços produzidos no país em determinado período e é um dos principais indicadores usados para medir o tamanho e o desempenho da economia. Já as despesas obrigatórias são aquelas que o governo precisa pagar por força da Constituição ou de leis, como aposentadorias, salários e benefícios. As despesas discricionárias dependem de decisão orçamentária e incluem investimentos e custeio de políticas públicas.
“Gestão de gasto público nós mostramos como fazer aqui no estado. O que se precisa no Brasil é saber governar. Mas não só saber governar, é ter autoridade moral para governar”, afirmou Caiado.
Romeu Zema cumpriu compromissos em Minas Gerais
Romeu Zema (Novo) almoçou com apoiadores em Caeté, na região metropolitana de Belo Horizonte, em Minas Gerais. O candidato também concedeu entrevista à Rádio Alfa, de Nova Era, no mesmo estado.
Agendas em cidades do interior costumam ser usadas pelos candidatos para buscar apoio fora das capitais e apresentar propostas diretamente a lideranças locais e eleitores. Em Minas Gerais, a circulação por municípios de diferentes regiões também permite às campanhas abordar temas ligados à economia regional, serviços públicos e infraestrutura.
Reuniões com empresas e setores organizados
Augusto Cury (Avante) participou de uma reunião com executivos do Bradesco. Ele também se encontrou com representantes da Associação Nacional dos Transportes Rodoviários e do YouTube Brasil.
Reuniões desse tipo permitem que candidatos apresentem suas propostas a empresas, entidades setoriais e plataformas de comunicação. O transporte rodoviário tem papel central na economia brasileira, tanto no deslocamento de passageiros quanto na circulação de mercadorias. Já as plataformas digitais se tornaram importantes espaços de informação, propaganda e disputa política.
Augusto Cury cancelou a visita que faria à Assembleia de Deus, no bairro do Brás, em São Paulo. A agenda religiosa, portanto, não foi realizada.
Candidatos sem agenda pública divulgada
Rui Costa Pimenta (PCO) e Wilson Grassi (Democrata) não tiveram agenda pública de campanha registrada na segunda-feira.
Também aparece na relação do dia o candidato Edmilson Costa (PCB). As informações disponíveis na fonte consultada não apresentam os detalhes da agenda cumprida por ele.
A ausência de compromisso público divulgado não significa necessariamente que o candidato não tenha realizado atividades internas, reuniões partidárias ou ações sem cobertura pública. As campanhas podem manter parte da programação restrita a equipes, apoiadores ou eventos locais.
Reta final concentra esforços das campanhas
Com a aproximação da votação, entrevistas, caminhadas, panfletagens e encontros com setores organizados ganham espaço na estratégia dos candidatos. As atividades têm objetivos diferentes: enquanto os atos de rua buscam mobilizar eleitores e ampliar a exposição, as reuniões institucionais servem para discutir propostas com empresas e entidades.
Para o eleitor, o período também é uma oportunidade de comparar compromissos nas áreas de saúde, economia, direitos sociais, gestão pública e relação com instituições. A avaliação das propostas deve considerar não apenas o anúncio feito durante a campanha, mas também a forma de execução, os custos e a necessidade de aprovação do Congresso Nacional ou de outros órgãos públicos.