Ronaldo Caiado, candidato do PSD à Presidência da República, afirma que pretende promover um governo “transformador” caso seja eleito nas eleições deste ano. Médico, produtor rural e político de Goiás, Caiado foi deputado federal por cinco mandatos, senador e governador do estado entre 2018 e março de 2026, quando deixou o cargo para disputar a Presidência.
O programa apresentado pelo candidato combina propostas de segurança pública, responsabilidade fiscal, crescimento econômico, gestão profissional e articulação entre os Poderes. A promessa, segundo o documento, é reconstruir a capacidade de coordenação do governo federal e ampliar a cooperação entre União, estados e municípios — uma questão que também atinge diretamente cidades do Sul de Minas, como Alfenas, principalmente em áreas como segurança, saúde, educação e investimentos.
Plano de governo defende cooperação política e responsabilidade fiscal
Na avaliação de Caiado, nenhuma mudança estrutural poderá ser colocada em prática apenas por decisão do presidente. O candidato afirma que será necessário obter apoio no Congresso Nacional, estabelecer diálogo com o Judiciário e recuperar a confiança da sociedade.
“O governo transformador combinará pacificação democrática, responsabilidade fiscal, segurança, crescimento baseado em investimento e produtividade, gestão profissional e inserção internacional pragmática”, diz o plano.
A proposta de responsabilidade fiscal está relacionada ao controle das contas públicas e à necessidade de equilibrar despesas e receitas do governo. Na prática, esse tipo de diretriz pode influenciar a capacidade da União de financiar programas, obras e serviços que dependem de repasses para estados e municípios. Para as prefeituras, a previsibilidade desses recursos é importante para o planejamento de áreas como atenção básica à saúde, manutenção de estradas, educação e políticas sociais.
O documento também fala em crescimento baseado em investimento e produtividade. O conceito envolve estimular a produção, melhorar a eficiência da economia e ampliar a capacidade de gerar empregos e renda. A proposta, porém, depende de medidas que ainda precisam ser detalhadas e aprovadas pelo Congresso, caso o candidato seja eleito.
Segurança pública é apontada como prioridade
Na área de segurança, Caiado afirma que o Estado deve garantir a proteção da população para que os demais direitos possam ser exercidos. O candidato identifica o avanço das organizações criminosas e das milícias como o principal problema do setor.
“Segurança é o primeiro dever do Estado e condição para todos os outros direitos”, afirma o presidenciável.
Entre as medidas anunciadas estão mudanças na legislação penal e a criação de novas estruturas federais de segurança. As principais propostas citadas no plano são:
- enquadrar organizações criminosas e milícias como grupos terroristas domésticos;
- reduzir para 16 anos a maioridade penal em casos de crimes graves;
- endurecer as penas aplicadas a adultos;
- equiparar o furto de celulares ao crime de roubo;
- estabelecer punições mais severas para casos de enriquecimento ilícito;
- criar um Ministério da Segurança Pública;
- implantar o Sistema Integrado de Proteção à Soberania Nacional;
- criar um Conselho Estratégico Nacional.
Propostas dependem de aprovação do Congresso
As medidas anunciadas não poderiam ser implementadas integralmente apenas por decreto presidencial. Mudanças na maioridade penal, na definição de crimes e no tamanho das penas exigem alteração na legislação e, em alguns casos, podem envolver mudanças constitucionais. Por isso, a própria estratégia apresentada por Caiado dá destaque à necessidade de construir maioria política no Congresso.
A proposta de equiparar o furto de celulares ao roubo também teria impacto direto no sistema de Justiça. Atualmente, furto e roubo são crimes diferentes: o roubo envolve violência ou ameaça contra a vítima, enquanto o furto ocorre sem esse tipo de ação. Uma mudança nesse enquadramento poderia aumentar as penas e alterar a forma como os casos são investigados e julgados.
O plano não apresenta, no trecho divulgado, detalhes sobre o número de profissionais, o orçamento ou o cronograma para a criação do Ministério da Segurança Pública e dos demais órgãos mencionados. Esses pontos seriam fundamentais para avaliar o custo e a forma de execução das propostas em estados e municípios.
Impactos possíveis para Alfenas e o Sul de Minas
Embora o programa seja nacional, as decisões sobre segurança pública têm reflexos no cotidiano dos municípios. Em Alfenas, por exemplo, ações de combate ao tráfico, às organizações criminosas e aos crimes patrimoniais dependem da atuação conjunta das polícias, do sistema de Justiça, do Ministério Público e das administrações estadual e municipal.
Uma política federal mais integrada poderia alterar o compartilhamento de informações, a cooperação entre forças de segurança e o repasse de recursos para equipamentos, treinamento e tecnologia. Por outro lado, mudanças nas leis penais também poderiam aumentar a pressão sobre delegacias, tribunais e unidades prisionais, caso não sejam acompanhadas de estrutura e financiamento.
O candidato defende justamente uma maior coordenação entre os níveis de governo. Essa articulação é relevante para municípios que não controlam diretamente as polícias estaduais, mas enfrentam os efeitos da criminalidade e precisam manter serviços de prevenção, iluminação, monitoramento urbano e atendimento social.
Caiado deixou governo de Goiás para disputar a Presidência
Ronaldo Caiado governou Goiás desde 2018 e deixou o cargo em março de 2026 para participar da corrida presidencial. Antes disso, construiu carreira política no Congresso Nacional, onde exerceu cinco mandatos como deputado federal e um como senador.
A trajetória no Executivo estadual é apresentada como parte da experiência que sustenta a candidatura. O plano, no entanto, depende de uma combinação de fatores: vitória eleitoral, apoio parlamentar, capacidade de negociação com estados e municípios e definição dos recursos necessários para colocar as medidas em prática.
Ao defender um governo “transformador”, Caiado também afirma que pretende recuperar o papel do Palácio do Planalto como coordenador de políticas que dependem da atuação conjunta dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. A proposta prevê ainda uma inserção internacional considerada pragmática, sem detalhamento, no trecho divulgado, sobre as medidas específicas nessa área.
As ideias apresentadas fazem parte do programa de governo do candidato para as eleições presidenciais deste ano. A execução das propostas, caso Caiado seja eleito, dependerá da formação do governo, da aprovação de projetos no Congresso e da regulamentação das medidas.