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Educação

Analfabetismo entre jovens com deficiência é 12 vezes maior, aponta IBGE

Redação Saiu Agora
18 de setembro de 2026 às 12:57
Analfabetismo entre jovens com deficiência é 12 vezes maior, aponta IBGE
Foto: Divulgação
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Jovens e adultos com deficiência enfrentam uma desigualdade educacional muito maior do que pessoas sem deficiência. Em 2022, a taxa de analfabetismo entre brasileiros de 15 a 29 anos com algum tipo de deficiência chegou a 12,2%, enquanto o índice entre aqueles sem deficiência ficou em 1%. Os dados fazem parte do Censo Demográfico 2022, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A diferença significa que o analfabetismo foi, proporcionalmente, 12 vezes maior entre os jovens com deficiência. O resultado chama atenção porque afasta uma explicação baseada apenas na idade: embora as pessoas com deficiência estejam mais concentradas entre os idosos, que pertencem a gerações com menor escolaridade, a desigualdade também aparece de forma expressiva entre os mais novos.

Desigualdade não é explicada apenas pelo envelhecimento

Segundo a pesquisadora do IBGE Luanda Botelho, a taxa de analfabetismo historicamente é mais elevada entre as pessoas com deficiência. Parte dessa diferença está relacionada à maior presença de pessoas com deficiência entre os idosos, mas os dados sobre a população jovem mostram que o problema é mais amplo.

“Sabe-se que, historicamente, elas têm uma taxa de analfabetismo mais elevada do que as pessoas sem deficiência. Parte dessa diferença decorre da maior concentração de pessoas com deficiência entre os idosos, gerações menos escolarizadas do que as gerações atuais. Contudo, esse enfoque nos jovens consegue acrescentar que a desigualdade entre as pessoas com deficiência e sem deficiência não se resume só à questão geracional”, afirmou a pesquisadora.

Na prática, o levantamento indica que crianças e adolescentes com deficiência continuam encontrando mais barreiras para entrar, permanecer e avançar na escola. Essas barreiras podem envolver a falta de acessibilidade física, ausência de materiais adaptados, insuficiência de profissionais de apoio e dificuldades para garantir atendimento educacional adequado a diferentes necessidades.

Taxa de analfabetismo varia conforme o tipo de deficiência

O Censo Demográfico também mostra que o indicador não é igual para todos os grupos. A maior taxa foi registrada entre as pessoas com dificuldades associadas às funções mentais, com 40,4% de analfabetismo. Entre aqueles que declararam mais de um tipo de deficiência, o índice chegou a 34%.

Também foram observadas taxas elevadas entre pessoas com dificuldade de pegar objetos pequenos, com 31,3%, e entre aquelas com dificuldade para caminhar ou subir escadas, com 23,3%. O índice ficou em 10% entre pessoas com dificuldade de ouvir.

Mesmo o grupo com a menor taxa dentro da população com deficiência apresentou um resultado bastante superior ao registrado entre pessoas sem deficiência. Entre aqueles com alguma dificuldade para enxergar, o analfabetismo foi de 3,5% — mais de três vezes o índice de 1% observado entre os jovens sem deficiência.

Frequência escolar é menor entre estudantes com deficiência

A diferença também aparece na frequência escolar. Entre crianças de 6 a 14 anos com deficiência, 92,6% frequentavam a escola em 2022. Na população sem deficiência, o percentual era de 98,4%.

Entre adolescentes de 15 a 17 anos, a distância permanecia: a frequência era de 79,5% entre aqueles com deficiência, contra 85,4% entre os que não tinham deficiência. Essa faixa etária é especialmente importante porque corresponde ao período de continuidade dos estudos e de transição para o ensino médio, etapa em que muitos alunos acabam deixando a escola.

  • 6 a 14 anos: 92,6% dos estudantes com deficiência frequentavam a escola, contra 98,4% entre os sem deficiência;
  • 15 a 17 anos: 79,5% dos jovens com deficiência estavam na escola, ante 85,4% dos jovens sem deficiência.

A situação era ainda mais difícil entre pessoas com deficiência profunda — aquelas que não conseguem, de forma alguma, escutar, enxergar, pegar objetos ou caminhar. Nesse grupo, a frequência escolar era de 82,3% entre crianças de 6 a 14 anos e de apenas 65,6% entre adolescentes de 15 a 17 anos.

Acessibilidade ainda não está presente em todas as escolas

Os dados do Censo Escolar 2025 ajudam a explicar parte dos obstáculos enfrentados pelos estudantes. Embora a legislação brasileira determine a inclusão e a oferta de condições de acesso e permanência, os recursos de acessibilidade ainda não estão disponíveis em todas as unidades de ensino.

  • 57% das escolas tinham banheiro acessível;
  • 30% contavam com sala de recursos multifuncionais;
  • 26,2% possuíam profissional de apoio;
  • 78,5% tinham pelo menos um desses recursos.

O banheiro acessível é uma adaptação básica para garantir autonomia e segurança a estudantes com mobilidade reduzida. Já a sala de recursos multifuncionais é utilizada no atendimento educacional especializado, com equipamentos e materiais que complementam a formação do aluno. O profissional de apoio, por sua vez, pode auxiliar em atividades de locomoção, alimentação, higiene e participação na rotina escolar, conforme a necessidade do estudante.

Também há diferença entre as redes de ensino. A rede privada apresentava proporção maior de escolas com banheiros acessíveis: 64,4%, contra 54,8% na rede pública. O levantamento mostra que a acessibilidade não depende apenas da matrícula: é preciso garantir estrutura, apoio e condições para que o estudante consiga permanecer na escola e aprender.

Impacto para municípios como Alfenas

Embora os números apresentados sejam nacionais, eles ajudam a orientar o debate em municípios de todos os portes, incluindo Alfenas e o Sul de Minas. A existência de matrícula não significa, por si só, inclusão plena. Para reduzir o analfabetismo e a evasão escolar entre pessoas com deficiência, as redes municipais e estaduais precisam identificar as barreiras enfrentadas por cada aluno e planejar ações de acessibilidade, transporte, atendimento especializado e formação das equipes.

O levantamento do IBGE também reforça a importância de acompanhar os estudantes ao longo de toda a trajetória escolar. A diferença começa na infância, aumenta entre adolescentes e aparece de forma severa entre jovens e adultos. Por isso, o enfrentamento do problema depende de políticas contínuas, e não apenas de medidas pontuais.

Os resultados do Censo Demográfico 2022 e do Censo Escolar 2025 oferecem um retrato da dimensão do desafio: pessoas com deficiência têm menor frequência escolar, maior risco de abandonar os estudos e taxas de analfabetismo muito superiores às da população sem deficiência. Em Alfenas, assim como em outras cidades, esses indicadores podem servir de referência para avaliar se as escolas estão preparadas para garantir educação acessível e aprendizagem para todos.

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