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Economia

Tesouro Direto registra recorde de R$ 15 bilhões em investimentos em agosto

Redação Saiu Agora
25 de setembro de 2026 às 18:54
Tesouro Direto registra recorde de R$ 15 bilhões em investimentos em agosto
Foto: Divulgação
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Os investimentos no Tesouro Direto alcançaram R$ 15 bilhões em agosto, o maior volume mensal da série histórica do programa. Ao todo, foram realizadas 1,32 milhão de operações, com forte procura por títulos ligados à taxa Selic e participação expressiva de aplicações de pequeno valor.

Apesar do recorde nas vendas, o resultado do mês terminou com captação líquida negativa de R$ 2,21 bilhões. Isso ocorre quando o governo paga mais aos investidores em resgates e vencimentos do que recebe em novas aplicações. Em agosto, as saídas somaram R$ 17,22 bilhões.

Vencimentos de títulos pressionaram o resultado

A diferença entre as vendas e os resgates foi influenciada principalmente pelo vencimento de títulos do Tesouro IPCA+ programado para 2026. Os vencimentos do Tesouro IPCA+ 2026 totalizaram R$ 11,3 bilhões. Já o Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2026 movimentou outros R$ 1,5 bilhão em vencimentos.

O Tesouro Direto é um programa do governo federal criado para permitir que pessoas físicas comprem títulos públicos pela internet. Na prática, o investidor empresta dinheiro ao governo e recebe a remuneração prevista no momento da aplicação, de acordo com o tipo de título e o prazo escolhido.

Por isso, uma captação líquida negativa não significa necessariamente perda para os investidores nem queda de interesse pelo programa. O indicador também reflete o calendário de vencimento dos papéis. Quando muitos títulos chegam ao prazo final, o governo devolve os recursos aos investidores, elevando os resgates no mês.

Tesouro Selic lidera preferência dos investidores

Os títulos vinculados à taxa Selic foram os mais procurados em agosto. As vendas do Tesouro Selic e do Tesouro Reserva somaram R$ 7 bilhões, o equivalente a 46,9% do total aplicado.

O Tesouro Selic acompanha a taxa básica de juros da economia brasileira e costuma ser utilizado por investidores que buscam menor oscilação de preços, liquidez e uma alternativa para recursos de curto e médio prazo. Mesmo assim, como ocorre com qualquer investimento, a rentabilidade final depende das condições do título, do prazo e do momento do resgate.

  • Títulos atrelados à Selic: R$ 7 bilhões, ou 46,9% das vendas;
  • Títulos indexados à inflação: R$ 5,5 bilhões, correspondentes a 36,3%;
  • Títulos prefixados: R$ 2,5 bilhões, equivalentes a 16,7%.

Os títulos indexados à inflação, como os papéis do Tesouro IPCA+, combinam uma variação baseada em índices de preços com uma taxa fixa. Eles são usados por investidores que pretendem proteger o poder de compra ao longo do tempo. Já os prefixados informam antecipadamente a taxa contratada, desde que o investimento seja mantido até o vencimento.

Recompras antecipadas também foram concentradas na Selic

Nas recompras antecipadas, quando o investidor vende o título antes do prazo final, os papéis ligados à Selic também ficaram na liderança. Eles representaram R$ 3 bilhões, ou 67,4% do total recomprado.

Os títulos atrelados a índices de preços responderam por pouco mais de R$ 1 bilhão, participação de 22,9%. Os prefixados somaram R$ 423,6 milhões, correspondentes a 9,7% das recompras.

A venda antes do vencimento pode gerar resultado diferente daquele inicialmente previsto, principalmente em títulos prefixados e indexados à inflação. Isso acontece porque os papéis são negociados conforme as condições do mercado no dia do resgate. Por esse motivo, o prazo do investimento é um dos principais pontos a serem observados antes da aplicação.

Maioria das aplicações ficou abaixo de R$ 1 mil

As aplicações de até R$ 1 mil continuaram predominando e representaram 55,7% das operações realizadas em agosto. O dado mostra a presença de pequenos investidores no programa, que permite começar com valores relativamente baixos.

O valor médio por aplicação foi de R$ 11.366,43. A média, porém, não significa que esse tenha sido o valor mais comum entre os investidores, já que aplicações maiores elevam o cálculo mesmo quando mais da metade das operações fica na faixa de até R$ 1 mil.

Investidores preferem prazos de até dez anos

Os títulos com vencimento entre um e cinco anos concentraram 45,2% das vendas. Em seguida apareceram os papéis com prazo entre cinco e dez anos, responsáveis por 43,2% das aplicações. Os investimentos com vencimento superior a dez anos representaram 11,7% do total.

A escolha do prazo deve considerar o objetivo do investidor. Papéis mais longos podem ser adequados para metas de aposentadoria, educação ou formação de patrimônio, mas estão mais sujeitos a oscilações quando são vendidos antes do vencimento. Para objetivos próximos, títulos de prazo menor tendem a reduzir o risco de precisar resgatar o dinheiro em condições desfavoráveis.

Estoque chega a R$ 272 bilhões

O estoque do Tesouro Direto, que representa o volume total de títulos em circulação nas mãos dos investidores, encerrou agosto em R$ 272 bilhões. O valor ficou praticamente estável em relação ao mês anterior, quando era de R$ 272,3 bilhões.

Na comparação com agosto de 2025, porém, houve crescimento de 43%. Naquele período, o estoque era de R$ 190,2 bilhões. A evolução indica aumento do volume acumulado no programa, mesmo com a saída líquida registrada em agosto por causa dos vencimentos.

  • Títulos indexados à inflação: R$ 128 bilhões, ou 47,1% do estoque;
  • Títulos atrelados à Selic: R$ 106,9 bilhões, equivalentes a 39,3%;
  • Títulos prefixados: R$ 37,1 bilhões, ou 13,6%.

Os papéis ligados à inflação continuam sendo a maior parcela da carteira. A concentração está relacionada ao uso desses investimentos para objetivos de longo prazo, já que sua remuneração busca preservar o valor do dinheiro diante da alta dos preços e acrescenta uma taxa contratada.

Quase metade dos títulos vence entre um e cinco anos

Do estoque total, R$ 20,2 bilhões, ou 7,4%, têm vencimento em até um ano. Os títulos com prazo entre um e cinco anos somam R$ 131,4 bilhões, correspondentes a 48,3% da carteira.

Os papéis com vencimento superior a cinco anos representam R$ 120,5 bilhões, ou 44,3% do estoque. A distribuição mostra que o Tesouro Direto é usado tanto para reservas de prazo mais curto quanto para estratégias de formação de patrimônio ao longo de vários anos.

Para o investidor, os números de agosto reforçam dois pontos: o programa recebeu volume recorde de novas aplicações, mas também devolveu recursos expressivos por causa de vencimentos; e a maior parte das operações foi feita com valores de entrada baixos, enquanto os títulos ligados à Selic permaneceram como a principal porta de acesso para quem busca acompanhar os juros da economia.

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