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Cultura

“Vozes Surdas na Câmara” reúne comunidade surda e moradores de Alfenas

Redação Saiu Agora
01 de outubro de 2026 às 03:00
“Vozes Surdas na Câmara” reúne comunidade surda e moradores de Alfenas
Foto: Divulgação
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Alfenas recebeu, na noite de 30 de setembro de 2026, o primeiro encontro “Vozes Surdas na Câmara”, iniciativa que reuniu pessoas surdas, familiares, autoridades, moradores e participantes de cidades da região para discutir inclusão, acessibilidade, cultura e protagonismo da comunidade surda. O evento foi realizado pela Escola do Legislativo Prof. Edson Antônio Velano, da Câmara Municipal, como parte da programação do Setembro Surdo.

A principal atração foi a palestra de Sueli Ramalho Segala, atriz, escritora, professora de Libras, intérprete e especialista em inclusão de pessoas surdas. Surda de nascença, Sueli faz parte de uma família com mais de 30 pessoas surdas e tem a Língua Brasileira de Sinais (Libras) como língua materna. Ao longo da carreira, ela também atuou como consultora em inclusão e acessibilidade e participou de trabalhos ligados à educação, à cultura e à valorização da língua de sinais.

Protagonismo surdo foi tema central da palestra em Alfenas

Durante o encontro, Sueli compartilhou experiências de sua trajetória pessoal e profissional e falou sobre os desafios enfrentados por pessoas surdas em uma sociedade formada, em sua maioria, por pessoas ouvintes. A palestra abordou situações vividas no cotidiano, na formação educacional, no ambiente profissional e na participação em espaços públicos.

Um dos pontos centrais apresentados foi a importância do protagonismo surdo. A proposta é que pessoas surdas não sejam observadas somente pela perspectiva da deficiência ou das limitações de comunicação, mas também sejam reconhecidas por suas capacidades, conhecimentos, experiências e contribuições para a sociedade.

Na prática, o protagonismo significa ampliar a presença de pessoas surdas em espaços de decisão, educação, cultura, trabalho e representação social. Também envolve garantir que elas possam falar por si mesmas, participar da construção de políticas públicas e ocupar funções compatíveis com sua formação e seus interesses.

A discussão se relaciona diretamente com a necessidade de ampliar a acessibilidade em órgãos públicos, escolas, serviços de saúde, empresas e atividades culturais. No Brasil, a Libras é reconhecida como meio legal de comunicação e expressão pela Lei Federal nº 10.436/2002. A legislação ajudou a fortalecer o reconhecimento da língua de sinais e dos direitos linguísticos da população surda, embora a oferta de atendimento acessível ainda seja um desafio em muitas cidades.

Encontro abriu espaço para perguntas de surdos e ouvintes

Depois da palestra, a convidada participou de uma conversa com o público. Pessoas surdas e ouvintes puderam fazer perguntas, compartilhar vivências e tirar dúvidas diretamente com a palestrante. Esse momento ampliou o diálogo proposto pelo encontro e permitiu que diferentes experiências fossem apresentadas.

A presença de participantes surdos e ouvintes também reforçou que a inclusão depende de responsabilidade compartilhada. Para além da comunicação em Libras, a acessibilidade envolve atitudes, informação, respeito às diferenças e disposição para remover barreiras que dificultam a participação social.

Quem participou do “Vozes Surdas na Câmara”

O evento contou com a presença do presidente da Câmara Municipal, Matheus Paccini, das vereadoras Marina Gissi e Maria Idalina, além de autoridades locais, integrantes da ASALF (Associação dos Surdos de Alfenas), moradores de Alfenas e pessoas vindas de municípios da região.

  • Participação da comunidade surda de Alfenas e de cidades da região;
  • Presença de representantes do Legislativo municipal e autoridades locais;
  • Palestra com Sueli Ramalho Segala sobre inclusão, acessibilidade e protagonismo surdo;
  • Espaço aberto para perguntas, relatos e troca de experiências entre surdos e ouvintes;
  • Atividade integrada à programação do Setembro Surdo.

Setembro Surdo amplia visibilidade e debate sobre direitos

O Setembro Surdo é um período dedicado à visibilidade, à cultura, aos direitos e ao protagonismo das pessoas surdas. A programação busca levar a sociedade a conhecer melhor a comunidade surda, sua identidade, sua língua e suas formas de participação.

Mais do que uma agenda comemorativa, a realização de atividades como a promovida em Alfenas ajuda a colocar a acessibilidade no debate público. A iniciativa também aproxima a comunidade das instituições e pode contribuir para que as demandas das pessoas surdas sejam conhecidas por gestores, vereadores, educadores e demais setores da sociedade.

Ao promover o primeiro “Vozes Surdas na Câmara”, a Escola do Legislativo propôs que o prédio e as atividades do Poder Legislativo sejam espaços de escuta e participação. A iniciativa reforça a importância de construir ambientes públicos acessíveis, inclusivos e abertos à presença de todos, com atenção não apenas à comunicação, mas também ao direito de participação e representação.

O encontro terminou com a valorização das histórias, da cultura e da atuação da comunidade surda. Em Alfenas, a atividade colocou em evidência a necessidade de que o debate sobre inclusão continue depois do Setembro Surdo e faça parte da rotina das instituições e dos serviços oferecidos à população.

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