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Cultura

Câmara de Alfenas promove debate sobre protagonismo e inclusão da comunidade surda

Redação Saiu Agora
01 de outubro de 2026 às 19:04
Câmara de Alfenas promove debate sobre protagonismo e inclusão da comunidade surda
Foto: Divulgação
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A Câmara Municipal de Alfenas recebeu, na noite da última quarta-feira, a primeira edição do evento Vozes Surdas na Câmara, iniciativa voltada à discussão sobre os direitos, a cultura e a participação social das pessoas surdas. A programação integrou as atividades do Setembro Surdo e teve como principal convidada a atriz, escritora, professora de Língua Brasileira de Sinais (Libras), intérprete e consultora em acessibilidade Sueli Ramalho Segala.

Realizado pela Escola do Legislativo Professor Edson Antônio Velano, o encontro reuniu autoridades, representantes da comunidade surda, moradores de Alfenas e visitantes de municípios vizinhos. A proposta foi ampliar o debate sobre inclusão para além do acesso a serviços, destacando a necessidade de que pessoas surdas ocupem espaços de decisão, liderança, educação e trabalho.

Setembro Surdo amplia debate sobre direitos e visibilidade

O Setembro Surdo é um período dedicado à visibilidade da comunidade surda e à reflexão sobre as barreiras enfrentadas no cotidiano. As discussões costumam envolver temas como comunicação, educação bilíngue, acessibilidade, mercado de trabalho, participação política e reconhecimento da cultura surda.

Em vez de tratar a surdez apenas sob a perspectiva da deficiência, a abordagem também valoriza a identidade, a língua e as experiências coletivas das pessoas surdas. Nesse contexto, a Libras tem papel central. Reconhecida oficialmente no Brasil, ela é uma língua visual-espacial, com estrutura própria, e não uma simples tradução gestual do português.

Para o público, debates como o realizado em Alfenas ajudam a tornar mais conhecidos os direitos das pessoas surdas e a mostrar que a inclusão depende de medidas práticas. Entre elas estão a presença de intérpretes, a oferta de informações acessíveis, a adaptação de ambientes e a abertura de oportunidades para que pessoas surdas participem diretamente das decisões que afetam suas vidas.

Sueli Ramalho destaca protagonismo surdo

Surda de nascença, Sueli Ramalho Segala compartilhou durante a palestra momentos de sua trajetória pessoal e profissional. Ela pertence a uma família com mais de 30 integrantes surdos e possui formação em Letras Português-Espanhol e Letras-Libras.

Ao longo da exposição, a palestrante abordou desafios vivenciados pela comunidade surda e defendeu que as capacidades e contribuições dessas pessoas sejam reconhecidas. A participação em posições de liderança, segundo a discussão apresentada no encontro, é importante para superar uma visão limitada à condição de deficiência e fortalecer a autonomia do grupo.

O protagonismo surdo significa permitir que as próprias pessoas surdas sejam ouvidas e tenham participação efetiva na formulação de políticas públicas, na educação, na cultura e no ambiente profissional. Também envolve substituir decisões tomadas exclusivamente por terceiros por processos que incluam a comunidade diretamente interessada.

Temas relacionados à inclusão discutidos no encontro

  • Reconhecimento da Libras como instrumento de comunicação e participação social;
  • Ampliação da presença de pessoas surdas em espaços de liderança e decisão;
  • Acesso à educação e às oportunidades profissionais;
  • Combate a visões preconceituosas ou restritas sobre a surdez.

Participação da comunidade e autoridades de Alfenas

O encontro contou com a presença do presidente do Legislativo, Mateus Paccini (PDT), e das vereadoras Marina Gissi (PT) e Maria Idalina (PL). Também participaram integrantes da Associação dos Surdos de Alfenas (Asalf), moradores da cidade e pessoas de municípios da região.

A presença da Asalf aproximou a atividade institucional da realidade vivenciada pela comunidade surda no município. Associações desse tipo costumam atuar no fortalecimento de vínculos, na defesa de direitos, na promoção da cultura surda e na busca por condições mais acessíveis de comunicação e participação.

Para uma cidade como Alfenas, que recebe moradores, estudantes e trabalhadores de diferentes localidades, a discussão tem impacto direto em áreas como atendimento público, saúde, educação, cultura e serviços. A acessibilidade não se limita à instalação de estruturas físicas: ela também inclui comunicação adequada e atendimento capaz de considerar diferentes formas de interação.

Perguntas e troca de experiências encerraram a programação

Depois da palestra, o público participou de um momento de perguntas e troca de experiências. A etapa permitiu que dúvidas e relatos fossem compartilhados pelos participantes, aproximando o debate das situações enfrentadas no dia a dia.

A realização da primeira edição do Vozes Surdas na Câmara abre espaço para que a inclusão da comunidade surda continue sendo discutida no Legislativo de Alfenas. A expectativa, a partir de iniciativas desse tipo, é que o tema avance do debate público para ações permanentes de acessibilidade, participação e respeito à diversidade linguística e cultural.

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