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Cultura

Primavera reforça alfaiataria feminina e mistura peças estruturadas com estampas leves

Redação Saiu Agora
28 de setembro de 2026 às 13:17
Primavera reforça alfaiataria feminina e mistura peças estruturadas com estampas leves
Foto: Divulgação
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A chegada da primavera no Hemisfério Sul, na última terça-feira (22), coloca a alfaiataria feminina novamente no centro das tendências de moda para a temporada. O movimento foi identificado pela WGSN, consultoria internacional de previsão de tendências, a partir da análise de coleções femininas apresentadas nas passarelas para a primavera e o verão.

Para os próximos meses, a moda deve combinar peças de aparência mais estruturada, como blazers, calças sociais e conjuntos, com estampas e referências visuais associadas ao verão. A proposta representa uma mudança em relação às temporadas marcadas por modelagens amplas e mais soltas. Agora, ombros definidos, cintura marcada e cortes precisos voltam a ganhar espaço no guarda-roupa feminino.

Alfaiataria feminina retoma espaço nas vitrines

A alfaiataria é tradicionalmente associada a peças de corte preciso, acabamento mais formal e tecidos que ajudam a manter a estrutura da roupa. Embora tenha origem ligada ao vestuário profissional e a ocasiões formais, esse tipo de peça passou a ser usado também em produções mais variadas, com combinações que podem transitar entre o trabalho, compromissos sociais e momentos de lazer.

Segundo o levantamento da WGSN, a principal referência visual da temporada vem dos anos 1980. A década aparece na construção de blazers com ombros estruturados e na valorização da cintura. A leitura atual, no entanto, não se limita à reprodução de roupas antigas. A tendência recupera elementos conhecidos e os adapta ao consumo contemporâneo, com possibilidades de combinação mais amplas e menos rígidas.

Na prática, o retorno da alfaiataria não significa apenas o uso de ternos tradicionais. O destaque está na presença de peças separadas e conjuntos que podem ser usados de maneiras diferentes. Um blazer, por exemplo, pode acompanhar uma calça de alfaiataria, uma saia ou uma composição menos formal. Da mesma forma, a calça social feminina pode ser combinada com camisas, blusas e peças de aparência mais leve.

O que são os neo-uniformes

Entre os conceitos destacados para a temporada está o dos neo-uniformes. A expressão descreve uma releitura das roupas tradicionalmente associadas ao ambiente de trabalho, como a alfaiataria e a camisa social. A proposta é preservar a praticidade e a aparência organizada dessas peças, mas atualizar formas, proporções e maneiras de usar.

Esse movimento acompanha mudanças na relação das consumidoras com o vestuário profissional. A roupa de trabalho deixou de ser necessariamente composta por combinações formais e repetitivas. Em seu lugar, aparecem peças que podem ser adaptadas a diferentes situações e que permitem mais liberdade na montagem dos looks.

O resultado é uma alfaiataria com presença mais assertiva, mas não obrigatoriamente limitada ao escritório. A estrutura dos cortes ajuda a criar uma imagem alinhada, enquanto a combinação com cores, estampas e tecidos diferentes reduz o excesso de formalidade. Essa versatilidade ajuda a explicar por que os conjuntos e as calças de alfaiataria continuam relevantes mesmo com a mudança das estações.

Estampas de verão dividem espaço com peças estruturadas

A tendência apontada para a primavera e o verão não será formada apenas por roupas de corte marcado. A previsão também inclui estampas ligadas ao clima de férias e ao chamado universo resort, expressão usada na moda para identificar referências associadas a viagens, praia, descanso e destinos de verão.

Entre os destaques aparecem:

  • Florais artísticos, que atualizam a presença tradicional das flores nas coleções de primavera;
  • Listras, capazes de criar composições com aparência clássica ou mais descontraída;
  • Padronagens náuticas, relacionadas ao imaginário marítimo e ao vestuário de verão;
  • Poá clássico, estampa de círculos que volta a aparecer entre as referências da temporada.

Essas estampas devem dividir espaço com blazers, calças e conjuntos estruturados. A mistura cria um contraste entre a precisão da alfaiataria e a leveza esperada para os meses mais quentes. Em vez de escolher entre uma estética formal e outra descontraída, a tendência propõe combinar os dois caminhos no mesmo guarda-roupa.

Por que a alfaiataria continua relevante

Para Renata Vasconcelos, consultora de moda da Anellimn, o movimento identificado nas passarelas confirma uma percepção já observada no consumo local. “O conjunto alfaiataria feminino e a calça alfaiataria feminina ganham espaço porque são peças que atravessam estações sem perder relevância”, afirma.

A avaliação ajuda a explicar a permanência dessas peças no mercado. Diferentemente de itens ligados a uma única época do ano, a alfaiataria pode ser usada em diferentes temperaturas e ocasiões, com ajustes na composição. No verão, por exemplo, a combinação pode privilegiar peças mais leves e estampas; em períodos frios, o mesmo blazer ou a mesma calça pode ser usado com sobreposições.

Outro fator é a possibilidade de montar um guarda-roupa mais funcional. Um conjunto pode ser usado junto, criando uma produção coordenada, ou separado, multiplicando as combinações. Essa característica atende a consumidoras que buscam roupas capazes de acompanhar rotinas diferentes sem perder a aparência de acabamento e organização.

Como a tendência deve aparecer no dia a dia

A interpretação da tendência pode variar de acordo com o ambiente e com o estilo pessoal. Para uma produção mais formal, o conjunto de alfaiataria e a camisa social mantêm a proposta de visual alinhado. Já em situações menos formais, a alfaiataria pode ser equilibrada com estampas leves e peças de aparência mais casual.

As principais referências para a temporada são:

  • Blazers com ombros estruturados e cintura marcada;
  • Calças de alfaiataria em combinações que não dependem do conjunto completo;
  • Camisas sociais reinterpretadas dentro dos neo-uniformes;
  • Florais, listras, padronagens náuticas e poás em peças de verão;
  • Conjuntos que podem ser usados tanto de forma coordenada quanto separados.

A proposta não exige que todas as referências sejam usadas ao mesmo tempo. A combinação entre uma peça estruturada e outra estampada já traduz o direcionamento da estação. Da mesma forma, uma consumidora pode adotar apenas um blazer de corte marcado ou uma calça social, sem precisar reformular todo o guarda-roupa.

Com o início oficial da primavera, essas referências tendem a ganhar presença nas vitrines de moda feminina ao longo da temporada. A expectativa da WGSN é que a alfaiataria mantenha o protagonismo durante a primavera e o verão, em convivência com estampas mais leves e com a atualização das roupas associadas ao trabalho.

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