Três documentários sobre personagens que ajudaram a preservar a memória e as tradições de Pirenópolis (GO) serão exibidos gratuitamente no Cine Brasília, no dia 30 de setembro, às 19 horas. A sessão integra a Mostra Goiana Meia Ponte Pé Rachado e terá, além dos filmes, uma conversa com mestres retratados nas produções e um show da Camerata Caipira.
A programação reúne histórias de uma poetisa, de um mestre ligado às Folias de Reis e do Divino e de um escultor popular. São personagens associados à transmissão de conhecimentos entre gerações, à religiosidade popular, à literatura e à produção artística do município goiano. O nome da mostra faz referência à antiga denominação de Pirenópolis, que no passado era conhecida como Meia Ponte.
Documentários recuperam memórias e tradições de Pirenópolis
Os filmes foram produzidos em parceria pelos Pontos de Cultura COEPi, de Pirenópolis, e Camerata Caipira, do Distrito Federal, com a produtora independente Audiovisuwow. A iniciativa também integra as comemorações dos 30 anos da COEPi, organização que atua na valorização da cultura local e na preservação de manifestações tradicionais.
A sessão terá três obras:
- Marieta – Naqueles Tempos: acompanha a poetisa Marieta de Sousa, aos 89 anos, em um percurso pelas ruas de Pirenópolis ao lado da diretora Isabella Rovo. Durante o trajeto, ela relembra causos, personagens e acontecimentos que inspiraram seu livro, publicado em 2021.
- Mestre Mário e os Caminhos da Folia: apresenta a trajetória de Mário Vicente dos Santos, conhecido como Mestre Mário, desde a infância, quando começou a participar das Folias de Reis e do Divino. O documentário combina o relato do mestre com imagens históricas das celebrações.
- Isaías – Arte Barroca no Cerrado: resgata a história do escultor popular Isaías, responsável pelo altar e pelas imagens sacras da Capela de São João Menino, na zona rural de Pirenópolis.
Memória oral e patrimônio religioso
O documentário sobre Marieta relaciona as lembranças da poetisa aos espaços onde as histórias foram vividas ou ganharam forma. A proposta aproxima a literatura da paisagem urbana e mostra como a memória de uma pessoa pode ajudar a registrar transformações, costumes e personagens de uma comunidade.
Já a produção dedicada a Mestre Mário trata das Folias de Reis e do Divino, manifestações religiosas e culturais marcadas por cantos, cortejos, encontros comunitários e transmissão de saberes. Ao acompanhar a trajetória do mestre, o filme mostra como essas tradições permanecem vivas por meio da participação de diferentes gerações.
O terceiro documentário tem como foco o trabalho de Isaías, artista que produziu peças para a Capela de São João Menino. Morto em 2021, em decorrência da covid-19, ele deixou na capela um conjunto de obras ligado à arte sacra e à identidade religiosa de Goiás. O filme aborda seu processo de criação e a importância de sua produção para o patrimônio artístico do estado.
Conversa com mestres e apresentação musical
Depois das exibições, Marieta de Sousa e Mário Vicente dos Santos participarão de uma conversa com o público. O encontro deve ampliar os temas apresentados nos documentários, permitindo que os próprios personagens comentem suas trajetórias, as manifestações culturais de Pirenópolis e os desafios de manter esses conhecimentos em circulação.
A programação será encerrada no foyer do Cine Brasília com um pocket show da Camerata Caipira. O formato reúne cinema, música e tradição oral em uma mesma noite, aproximando o público de expressões culturais ligadas ao interior de Goiás e ao Distrito Federal.
Serviço
- Evento: Mostra Goiana Meia Ponte Pé Rachado
- Local: Cine Brasília, no Distrito Federal
- Data: 30 de setembro
- Horário: 19 horas
- Entrada: gratuita
- Atrações: exibição de três documentários, conversa com Marieta de Sousa e Mestre Mário e apresentação da Camerata Caipira
A realização é assinada pelos Pontos de Cultura COEPi e Camerata Caipira, em parceria com a Audiovisuwow. Os filmes foram feitos por Gabriel Rovo Dias e Isabella Rovo, integrante dos Pontos de Cultura envolvidos na iniciativa. Ao colocar em evidência artistas e mestres de Pirenópolis, a mostra reforça o papel do audiovisual como ferramenta de registro, reconhecimento e circulação do patrimônio cultural brasileiro.