Pelo menos 11 cidades do Sul de Minas têm registros confirmados de casos de escabiose, conhecida popularmente como sarna humana, em 2026. O número representa quase metade dos municípios mineiros que comunicaram oficialmente surtos da doença à Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) neste ano.
Segundo os dados estaduais, foram comunicadas oficialmente ocorrências em 11 municípios mineiros. Cinco deles estão no Sul de Minas: Alfenas, Andradas, Campos Gerais, Lavras e Paraguaçu. Um levantamento realizado com secretarias municipais de Saúde identificou ainda casos confirmados em Poços de Caldas, Machado, Luminárias, São Lourenço, Caldas e Turvolândia.
A confirmação mais recente ocorreu em Turvolândia, na quarta-feira (4). Como medida preventiva, a Secretaria Municipal de Educação determinou a suspensão temporária do atendimento no CEMEI Professora Célia do Carmo Garcia na quinta-feira (5) e na sexta-feira (6).
Por que os números oficiais podem ser menores
A escabiose não faz parte da lista de doenças de notificação compulsória individual. Isso significa que as prefeituras não precisam informar ao Estado cada caso isolado identificado nos serviços de saúde. Por esse motivo, os registros oficiais de surtos não necessariamente correspondem ao total de pessoas infectadas na região.
A comunicação passa a ser obrigatória quando são identificados dois ou mais casos com vínculo epidemiológico. Esse vínculo pode existir quando as pessoas convivem no mesmo ambiente, como uma escola, uma instituição, um bairro ou outro local de contato frequente.
Nessas situações, os municípios devem comunicar o caso ao Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde de Minas Gerais (CIEVS-Minas) ou à área técnica responsável da SES-MG. O órgão acompanha os episódios de acordo com fatores como gravidade, capacidade de transmissão e quantidade de pessoas atingidas, além de oferecer apoio técnico às equipes municipais.
O que é a escabiose e como ocorre a transmissão
A escabiose é uma infecção causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei, que penetra na pele e provoca coceira intensa, principalmente à noite. A transmissão ocorre, em geral, pelo contato direto e prolongado com uma pessoa infectada. O compartilhamento de roupas, toalhas e roupas de cama também pode favorecer a disseminação, especialmente em ambientes com muitas pessoas.
O problema pode atingir pessoas de qualquer idade. Em escolas, creches, instituições de acolhimento e residências com vários moradores, a identificação de mais de um caso exige atenção para evitar que a cadeia de transmissão continue.
Entre os sinais mais comuns estão:
- coceira forte, geralmente mais intensa durante a noite;
- pequenas lesões, bolhas ou linhas na pele;
- marcas em áreas como mãos, punhos, braços, cintura, axilas e região entre os dedos;
- ocorrência de sintomas em outras pessoas que vivem ou convivem próximas ao paciente.
O diagnóstico e o tratamento devem ser orientados por um profissional de saúde. Em situações de surto, é importante que as pessoas que tiveram contato próximo sigam as orientações da vigilância e da unidade de saúde, mesmo que ainda não apresentem sintomas.
Medidas de prevenção e cuidados em casa
A prevenção depende principalmente da identificação rápida dos casos e do tratamento adequado de todos os envolvidos. A interrupção do atendimento em uma unidade de ensino, como ocorreu em Turvolândia, pode ser adotada pelas autoridades como medida temporária de controle, conforme a avaliação da situação local.
As principais recomendações são:
- procurar uma unidade de saúde diante de coceira persistente ou lesões suspeitas;
- evitar contato físico próximo até receber orientação profissional;
- não compartilhar roupas, toalhas, lençóis e outros objetos de uso pessoal;
- lavar roupas de cama, toalhas e peças usadas recentemente conforme a orientação da equipe de saúde;
- informar à escola, à creche ou a outros ambientes de convivência quando houver confirmação médica.
O tratamento não deve ser interrompido antes do período indicado, mesmo que a coceira diminua. A permanência dos sintomas ou o surgimento de novos casos entre familiares pode indicar a necessidade de nova avaliação.
Monitoramento nos municípios do Sul de Minas
A concentração de registros na região não permite afirmar, sozinha, que o Sul de Minas tenha uma taxa maior de transmissão do que outras áreas. Parte da diferença pode estar relacionada à identificação dos casos, à comunicação das prefeituras e à existência de investigações locais.
Por não haver notificação individual obrigatória, os dados disponíveis representam os surtos comunicados oficialmente e os casos confirmados pelas secretarias municipais consultadas. A SES-MG mantém o acompanhamento dos episódios e presta suporte às prefeituras para orientar as medidas de controle em escolas, bairros e demais locais de convivência.
Para a população, a recomendação é buscar atendimento ao notar sintomas compatíveis e seguir as orientações das equipes municipais de Saúde. A automedicação ou o uso de produtos sem orientação pode atrasar o diagnóstico e contribuir para a continuidade da transmissão.