Hospitais públicos de média e alta complexidade sob gestão da Associação de Gestão, Inovação e Resultados em Saúde (Agir) passaram a operar, desde 2025, com protocolos assistenciais e fluxos digitais integrados. A medida busca reduzir falhas evitáveis no atendimento, como erros de medicação, quedas e problemas na identificação dos pacientes.
A iniciativa ganha destaque no Dia Mundial da Segurança do Paciente, celebrado em 17 de setembro. A data é usada para reforçar a importância de prevenir danos durante a assistência e de aprimorar os processos adotados por hospitais, clínicas e demais serviços de saúde.
Segurança do paciente envolve prevenção de falhas
Segundo estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), um em cada dez pacientes sofre algum tipo de dano durante o atendimento em saúde. Aproximadamente metade desses casos é considerada evitável. Entre os principais riscos estão a administração incorreta de medicamentos, as quedas dentro das unidades e as falhas na conferência da identidade do paciente.
Na prática, segurança do paciente significa criar mecanismos para identificar riscos antes que eles provoquem consequências. Isso inclui protocolos padronizados, conferências feitas pelas equipes, comunicação adequada entre os profissionais e acompanhamento contínuo das etapas do atendimento.
Para o médico Guillermo Sócrates, superintendente Técnico Assistencial da Agir, nenhum paciente deve sofrer dano que poderia ser evitado durante a assistência.
“Por isso é tão importante que em todas as nossas unidades haja protocolos de segurança muito bem definidos para que a gente possa identificar, mitigar riscos e o paciente possa ter sua saúde restabelecida”, afirma.
Checagem digital é feita à beira do leito
Uma das principais ferramentas adotadas pela instituição é a checagem à beira do leito. O procedimento utiliza recursos digitais para confirmar se o medicamento ou hemocomponente será administrado ao paciente correto e se as informações da prescrição estão de acordo com o atendimento.
Essa conferência considera dados como paciente, medicamento, dose e horário. O objetivo é criar uma barreira adicional contra erros em uma etapa que exige atenção permanente das equipes de enfermagem, farmácia e medicina.
Os sistemas integrados também permitem consultar informações clínicas relevantes antes da administração. Entre os recursos estão a identificação de alergias e a emissão de alertas sobre possíveis interações entre medicamentos prescritos. Quando o sistema aponta uma situação de risco, a equipe assistencial pode avaliar o caso e decidir a conduta mais adequada.
- Confirmação da identidade do paciente;
- Conferência do medicamento ou hemocomponente;
- Verificação da dose e do horário previstos;
- Identificação de alergias registradas;
- Alertas sobre possíveis interações medicamentosas.
A tecnologia, nesse contexto, não substitui a avaliação dos profissionais. Ela funciona como apoio à tomada de decisão e como uma forma de tornar os processos mais consistentes, especialmente em ambientes hospitalares com grande volume de atendimentos e diferentes equipes atuando de forma integrada.
Protocolos padronizados organizam o cuidado
Além da segurança no uso de medicamentos, as unidades administradas pela Agir adotam práticas voltadas à identificação correta dos pacientes, à prevenção de quedas e à checagem dos procedimentos realizados. A padronização ajuda a reduzir diferenças na execução das rotinas e facilita a identificação de falhas.
Em um hospital, o paciente pode passar por diversos setores e ser atendido por profissionais de diferentes áreas. Nesse percurso, informações precisam ser registradas e compartilhadas corretamente. Protocolos claros ajudam a diminuir o risco de perda de dados, interpretações equivocadas ou execução incompleta de uma etapa do cuidado.
A identificação do paciente é uma das primeiras medidas de segurança. Ela deve ocorrer antes de procedimentos, exames, administração de medicamentos e transfusões. A conferência é especialmente importante porque pessoas com nomes semelhantes, mudanças de setor e situações de emergência podem aumentar o risco de engano.
A prevenção de quedas também faz parte desse conjunto de ações. O risco pode ser maior entre idosos, pessoas com dificuldade de locomoção, pacientes sob efeito de medicamentos ou indivíduos debilitados. A avaliação das condições clínicas e do ambiente permite orientar a equipe e adotar medidas preventivas.
Padrão internacional de excelência
Desde 2025, as unidades sob gestão da Agir passaram a seguir um padrão global de excelência baseado em critérios da Healthcare Information and Management Systems Society (HIMSS). A organização internacional atua na área de tecnologia e gestão da informação em saúde e desenvolve referências para avaliar o uso de sistemas digitais na assistência.
A adoção desse tipo de parâmetro está relacionada à necessidade de integrar informações, melhorar o acesso aos dados clínicos e apoiar decisões mais seguras. Em vez de tratar a tecnologia apenas como ferramenta administrativa, o modelo considera seu impacto direto na qualidade e na segurança do cuidado.
Com fluxos digitais integrados, informações importantes podem ser apresentadas no momento em que a equipe precisa tomar uma decisão. Alertas de alergia, possíveis interações entre medicamentos e confirmações de identidade são exemplos de recursos que ajudam a reduzir a dependência de controles isolados ou exclusivamente manuais.
Impacto para pacientes e profissionais
Para o paciente, a principal consequência esperada é um atendimento mais seguro, com menor possibilidade de falhas evitáveis. A digitalização também pode dar mais transparência ao acompanhamento dos procedimentos, já que as etapas realizadas ficam registradas nos sistemas utilizados pelas unidades.
Para os profissionais, os protocolos estabelecem uma referência comum de trabalho. Isso é importante em hospitais que funcionam continuamente e reúnem equipes de diferentes turnos e especialidades. A existência de rotinas definidas facilita o treinamento, a comunicação e a avaliação dos resultados.
A segurança do paciente, no entanto, não depende apenas de equipamentos ou sistemas. Ela exige participação das equipes, atualização dos protocolos, registro correto das informações e comunicação entre os setores. Também depende da identificação de incidentes e da análise das causas, para que os processos possam ser corrigidos.
Ao combinar protocolos assistenciais, checagem à beira do leito e ferramentas digitais, a Agir busca criar camadas de proteção ao longo do atendimento. A proposta é reduzir riscos desde a entrada do paciente na unidade até a administração de medicamentos, a realização de procedimentos e a continuidade do cuidado.