O Instituto Mais Ação, organização não governamental criada em Minas Gerais, dobrou em dois anos o número de crianças e adolescentes atendidos por projetos esportivos gratuitos. A instituição passou de cerca de 5 mil para mais de 10 mil participantes, com atuação em mais de 70 municípios de 16 estados brasileiros.
O crescimento ocorre em um momento de maior discussão sobre o papel do esporte não apenas na formação de atletas, mas também na inclusão social, na educação e na geração de oportunidades. Para famílias de baixa renda, projetos gratuitos podem representar acesso a atividades que muitas vezes não estão disponíveis na rede pública ou no orçamento doméstico.
Esporte movimenta R$ 183,4 bilhões por ano no Brasil
Um estudo divulgado em 2025 pelo Instituto Sou do Esporte aponta que a cadeia produtiva do esporte movimenta aproximadamente R$ 183,4 bilhões por ano no país. O valor equivale a 1,69% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e está relacionado a mais de 3,3 milhões de empregos diretos e indiretos.
O levantamento também calculou o chamado efeito multiplicador dos investimentos no setor. Segundo os dados, cada R$ 1 aplicado pela iniciativa privada no esporte gera um retorno estimado de R$ 23. Quando o recurso é investido por iniciativas governamentais, o retorno corresponde a R$ 12.
Esses números consideram a movimentação econômica provocada por atividades esportivas, como contratação de profissionais, compra de materiais, uso de espaços, realização de eventos e prestação de serviços. No caso de projetos sociais, o impacto vai além da economia: envolve convivência, disciplina, saúde, permanência em atividades educativas e desenvolvimento de vínculos comunitários.
Instituto Mais Ação começou no Barreiro, em Belo Horizonte
A história do Instituto Mais Ação começou em 2018, no Barreiro, região Oeste de Belo Horizonte. A entidade foi idealizada pelo técnico de voleibol Alexandre Seixas, formado em Educação Física e com experiência na criação e na gestão de projetos esportivos.
Seixas conheceu o voleibol ainda na escola pública. Aos 20 anos, montou a primeira escolinha e, mais tarde, especializou-se em gestão de projetos sociais. Ao longo da carreira, liderou iniciativas ligadas principalmente ao vôlei e ao futsal, antes de criar o instituto com a proposta de ampliar o acesso de crianças e adolescentes ao esporte.
“O esporte é uma ferramenta poderosa de transformação. Desde o início, nosso objetivo foi criar um espaço onde cada criança pudesse enxergar um horizonte diferente e descobrir seu próprio potencial”, afirmou Seixas.
Em outra declaração, o diretor destacou que o avanço da instituição depende de planejamento e organização. “Ver o trabalho crescer em 16 estados e ultrapassar 10 mil crianças mostra que o esporte possui um poder enorme de transformação quando recebe planejamento adequado. Nós entregamos disciplina, futuro e cidadania”, disse.
Projetos gratuitos atendem diferentes faixas etárias
Para alcançar públicos de idades diferentes, o Instituto Mais Ação mantém seis projetos esportivos gratuitos. As ações são estruturadas por meio de mecanismos de incentivo ao esporte, modelo que permite a captação de recursos para financiar atividades, profissionais, equipamentos e espaços destinados aos participantes.
Entre os projetos citados está o Semear Esportes. A instituição informa que cinco das iniciativas são voltadas a atividades esportivas organizadas para diferentes faixas etárias. Os detalhes completos sobre todas as modalidades, cidades atendidas e critérios de participação não foram apresentados nas informações disponíveis.
- Atendimento gratuito a crianças e adolescentes;
- Uso do esporte como ferramenta de inclusão social;
- Atuação em mais de 70 municípios;
- Presença em 16 estados brasileiros;
- Mais de 10 mil pessoas atendidas atualmente.
Impacto para comunidades e possibilidade de expansão
O crescimento do instituto mostra como organizações sociais podem ampliar o alcance de políticas esportivas quando combinam planejamento, captação de recursos e atuação contínua nas comunidades. O esporte, nesse modelo, não se limita à competição. Ele funciona como espaço de convivência e desenvolvimento de habilidades como responsabilidade, cooperação, respeito às regras e trabalho em equipe.
Em cidades do interior, incluindo municípios do Sul de Minas, iniciativas desse tipo podem ajudar a preencher uma lacuna na oferta de atividades para o contraturno escolar. No entanto, a expansão de um projeto depende de parcerias locais, disponibilidade de espaços, profissionais capacitados e recursos específicos. As informações divulgadas sobre o Instituto Mais Ação não confirmam, até o momento, uma unidade ou projeto em Alfenas.
Os mecanismos de incentivo ao esporte funcionam, em linhas gerais, por meio da apresentação e aprovação de projetos dentro das regras previstas para a área. Depois, as instituições buscam empresas ou outros apoiadores para financiar as ações. A execução deve seguir o plano aprovado e prestar contas dos recursos utilizados.
Para as famílias, o principal efeito prático de projetos como os do Instituto Mais Ação é a possibilidade de acesso gratuito a atividades regulares, com orientação profissional e objetivos que vão além do desempenho esportivo. Para o poder público e para empresas, os dados do estudo reforçam que o investimento no setor pode produzir retorno econômico e social.