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Economia

Selic cai para 13,75% ao ano e aumenta interesse por investimentos em energia solar

Redação Saiu Agora
29 de setembro de 2026 às 17:45
Selic cai para 13,75% ao ano e aumenta interesse por investimentos em energia solar
Foto: Divulgação
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A Selic caiu de 14% para 13,75% ao ano, segundo decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada no último dia 22. É a primeira vez neste ano que a taxa básica de juros fica na casa dos 13%, depois de uma sequência de reduções de 0,25 ponto percentual desde março. A mudança ocorre em um cenário de incerteza internacional e começa a movimentar a busca por alternativas de investimento ligadas à economia real, como a geração de energia solar.

A Selic é a principal taxa de juros da economia brasileira. Ela influencia o custo do crédito, o rendimento de aplicações financeiras e as decisões de empresas e consumidores. Quando está elevada, tende a encarecer financiamentos e conter o consumo, ajudando no controle da inflação. Ao mesmo tempo, costuma tornar investimentos de renda fixa mais atrativos. Com a redução gradual dos juros, ativos ligados à produção e à geração de renda podem ganhar espaço na avaliação dos investidores.

Copom mantém cautela diante da inflação e do cenário internacional

Na ata da reunião, o Copom destacou que o ambiente externo continua incerto, principalmente por causa dos conflitos no Oriente Médio e da condução da política monetária em países avançados. Essas decisões internacionais afetam o fluxo de capital, o câmbio e as condições de financiamento no Brasil.

Mesmo com a redução da taxa, o Banco Central indicou que a política monetária continua restritiva. Em outras palavras, os juros ainda permanecem em nível considerado elevado para conter a pressão sobre os preços. O comitê afirmou que, embora a política monetária esteja contribuindo de forma determinante para o processo de desinflação, a inflação continua pressionada pela demanda.

A decisão, de acordo com o documento, é compatível com a estratégia de levar a inflação para o entorno da meta no horizonte relevante. O Copom também considera efeitos que podem aparecer mais à frente, inclusive com atenção a resultados esperados para 2027. Por isso, a queda da Selic não significa abandono da cautela: o ritmo dos próximos cortes dependerá da inflação, da atividade econômica e das condições externas.

Brasileiros procuram segurança e renda para enfrentar a inflação

A redução dos juros ocorre em um momento em que muitas famílias buscam preservar o poder de compra e criar fontes complementares de renda. Pesquisa da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) apontou que 21,5% dos entrevistados investem para manter o capital aplicado, com foco em segurança e emergências.

O dado ajuda a explicar por que investimentos com renda previsível e lastro em ativos físicos passaram a receber mais atenção. Em vez de depender apenas da valorização de papéis no mercado financeiro, algumas modalidades estão associadas à produção de bens ou serviços. Ainda assim, cada alternativa tem riscos, regras próprias, prazo de retorno e necessidade de análise antes da contratação.

Energia solar ganha espaço entre investimentos da economia real

Nesse contexto, a energia fotovoltaica aparece como uma opção vinculada a um ativo real: a capacidade de gerar eletricidade a partir da luz do sol. O setor vem crescendo no Brasil, impulsionado pela expansão da geração distribuída, modelo em que a energia é produzida próxima do local de consumo, como em telhados, terrenos e pequenos empreendimentos.

Na geração distribuída, a eletricidade produzida por sistemas solares pode ser utilizada no próprio local ou compensada na rede, conforme as regras do setor elétrico. O modelo reduz a dependência de grandes centrais e permite que consumidores, empresas e investidores participem de uma cadeia que combina infraestrutura, geração de energia e consumo.

Para Davi Cordeiro, conselheiro da Solare Invest, empresa especializada em investimentos no setor de energia solar, o interesse por esse tipo de aplicação cresceu nos últimos meses. Ele relaciona o movimento à preocupação dos brasileiros com a inflação e à busca por receitas complementares.

"As pessoas se sentem inseguras diante das altas inflacionárias. Com isso, investimentos sólidos que oferecem renda passiva passaram a ser mais buscados. O nosso ramo de energia solar tornou-se uma alternativa segura e previsível para essas pessoas", afirmou Cordeiro.

Juros altos favorecem uma seleção entre os investimentos

Segundo o executivo, períodos de Selic elevada provocam uma espécie de seleção natural na economia real. Projetos com ativos capazes de gerar receitas em prazo mais curto tendem a se destacar, desde que apresentem estrutura financeira, operação e demanda bem definidas.

A avaliação, porém, não deve considerar apenas a promessa de renda passiva. Antes de investir, é importante entender como o dinheiro será aplicado, quem administra o projeto, qual é a origem da receita, quais são os custos de manutenção e em quanto tempo o capital pode ser recuperado. Também é necessário verificar se há riscos relacionados à produção de energia, à regulação, ao crédito e às condições do contrato.

  • A queda da Selic reduz a taxa básica de juros, mas não elimina a necessidade de controle da inflação;
  • o Copom manteve a indicação de que a política monetária continua restritiva;
  • a instabilidade internacional segue influenciando as decisões econômicas;
  • o interesse por investimentos voltados à segurança e a emergências alcançou 21,5% dos entrevistados na pesquisa citada;
  • a geração distribuída de energia solar é apresentada como uma alternativa ligada à economia real e à produção de eletricidade.

Para o consumidor, o efeito da Selic não aparece apenas nos investimentos. A taxa também influencia empréstimos, financiamentos, cartões de crédito e decisões de compra. A redução pode melhorar gradualmente as condições de crédito, mas esse impacto depende da velocidade de repasse das instituições financeiras e do comportamento dos demais indicadores econômicos.

No setor solar, a combinação entre expansão da geração fotovoltaica e procura por renda previsível tende a manter o segmento em evidência. O cenário, no entanto, exige informação e comparação: a queda dos juros pode abrir espaço para novos projetos, mas não transforma nenhum investimento em aplicação sem risco ou com retorno garantido.

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