Pular para o conteúdo
Economia

Primavera impulsiona mercado de flores e plantas ornamentais no Brasil

Redação Saiu Agora
28 de setembro de 2026 às 17:10
Primavera impulsiona mercado de flores e plantas ornamentais no Brasil
Foto: Divulgação
Compartilhar: WhatsApp Facebook X LinkedIn

A chegada da primavera, em 22 de setembro, costuma aumentar o movimento no mercado brasileiro de flores e plantas ornamentais. A mudança de estação interfere diretamente nas condições de cultivo e ajuda a explicar por que determinadas espécies apresentam maior oferta, qualidade e durabilidade em alguns períodos do ano.

O setor também tem peso relevante na economia. De acordo com levantamento do Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor), com dados do Cepea/Esalq-USP, o Produto Interno Bruto (PIB) da cadeia de flores e plantas ornamentais chegou a R$ 23,35 bilhões em 2025. O resultado representa crescimento de 10% em relação ao ano anterior.

Mercado de flores reúne milhares de produtores no país

A cadeia produtiva envolve o cultivo, a comercialização e a distribuição de flores, plantas ornamentais e outros produtos ligados à jardinagem e à decoração. Segundo o levantamento, o segmento reúne 8.715 produtores e ocupa aproximadamente 17,2 mil hectares em todo o Brasil.

Esse mercado depende de uma oferta diversificada ao longo do ano. Para produtores e floristas, conhecer a sazonalidade é importante para planejar o cultivo, organizar a colheita e atender à procura dos consumidores. Para quem compra, a época de produção pode influenciar a disponibilidade, o preço, a aparência e a resistência das flores.

Temperatura, luminosidade, umidade do ar e volume de chuvas estão entre os fatores que afetam o desenvolvimento das plantas. Na primavera, a combinação de temperaturas mais elevadas, maior quantidade de luz e, normalmente, aumento das chuvas e da umidade pode acelerar o ciclo de várias espécies.

Como a primavera interfere na produção de flores

Na Cooperflora, cooperativa localizada em Jaguariúna, no estado de São Paulo, o cultivo reúne diferentes espécies e variedades produzidas em diversas regiões. A cooperativa tem mais de 115 cooperados e trabalha com um portfólio superior a 1.500 variedades.

A diversidade permite trabalhar com culturas que respondem de maneiras diferentes às condições climáticas de cada época. Com isso, a produção não fica concentrada em um único ciclo, o que amplia as possibilidades de oferta durante o ano.

“Na primavera, temos temperaturas mais elevadas, maior luminosidade e, normalmente, um aumento das chuvas e da umidade do ar. Para muitas espécies, essas condições aceleram o ciclo de desenvolvimento e antecipam o ponto de colheita, aumentando o volume de produção”, explica Herlen Oliveira, coordenador de Qualidade da Cooperflora.

Na prática, a antecipação do ponto de colheita pode resultar em maior disponibilidade de determinadas flores no mercado. No entanto, a resposta não é igual para todas as plantas. Cada espécie possui necessidades próprias de temperatura, luz e umidade, e o manejo precisa acompanhar essas características.

Qualidade e durabilidade dependem do cultivo

O período de maior oferta não significa apenas aumento na quantidade de flores. As condições adequadas de cultivo também podem contribuir para que a planta desenvolva melhor suas características naturais.

“Quando a flor é cultivada dentro das condições mais adequadas para a sua cultura, ela consegue expressar melhor o seu potencial, o que pode refletir suas características de qualidade e durabilidade”, afirma Herlen.

Essa relação ajuda a explicar por que uma flor considerada “da estação” pode apresentar desempenho melhor em determinada época. A expressão não significa que a espécie necessariamente deixe de existir em outros meses, mas que suas condições naturais de desenvolvimento podem ser mais favoráveis em um período específico.

O que é fotoperíodo e por que ele importa

Além das condições de temperatura e umidade, o desenvolvimento das plantas também está ligado ao fotoperíodo, conceito que se refere à duração das horas de luz e de escuro ao longo do dia.

As plantas podem responder de formas diferentes à variação da luminosidade. Algumas espécies se desenvolvem melhor quando há maior duração do período de luz, enquanto outras respondem a dias mais curtos. Esse comportamento influencia o crescimento, a floração e o momento adequado para a colheita.

Por isso, o calendário não é o único fator usado pelo produtor para definir o planejamento. A observação das condições ambientais e o conhecimento das características de cada variedade são fundamentais para ajustar o cultivo e manter a regularidade da oferta.

Impacto para produtores, floristas e consumidores

Para os produtores, acompanhar os ciclos naturais permite organizar melhor o uso da área, da mão de obra e dos insumos. Também ajuda a prever períodos de maior ou menor disponibilidade e a escolher variedades mais adequadas para cada região e estação.

Para floristas e comerciantes, a sazonalidade facilita o planejamento dos estoques e das encomendas. Já para o consumidor, a compra de flores da estação pode representar acesso a produtos com maior disponibilidade e, em determinadas situações, melhor relação entre qualidade e preço.

  • Produtores: planejam o cultivo conforme temperatura, luminosidade e umidade.
  • Floristas: organizam estoques e encomendas de acordo com a oferta prevista.
  • Consumidores: encontram maior variedade de espécies em períodos favoráveis ao cultivo.
  • Plantas: podem apresentar diferenças de volume, qualidade e durabilidade conforme a estação.

O avanço da primavera, portanto, movimenta o comércio, mas também evidencia a relação entre a produção e os ciclos naturais. Em um setor que reúne milhares de produtores e movimenta bilhões de reais, entender o comportamento das plantas é parte essencial do planejamento e da qualidade que chega ao consumidor.

Assuntos

Relacionadas

Leia também