A Petrobras batizou, no Píer Mauá, no Rio de Janeiro, o navio Starnav Elektra, primeira embarcação entregue pelo Programa Mar Aberto, iniciativa criada para renovar e ampliar a frota usada nas operações offshore da companhia. A embarcação foi construída no Estaleiro Detroit, em Itajaí (SC), recebeu investimento de R$ 450 milhões e seguirá para atender plataformas instaladas nas bacias petrolíferas brasileiras.
O destaque da entrega é também simbólico: o Starnav Elektra foi o primeiro navio do programa a realizar a viagem entre Santa Catarina e o Rio de Janeiro com uma tripulação 100% feminina. A equipe era formada por 16 mulheres, sob o comando da comandante Isabela Teixeira Ponce de Leon. A operação coloca mulheres em todas as funções da tripulação durante a navegação e reforça a presença feminina em um setor historicamente marcado pela predominância masculina.
Programa Mar Aberto prevê renovação da frota da Petrobras
O Programa Mar Aberto faz parte da estratégia da Petrobras para ampliar a capacidade operacional e modernizar os navios que dão suporte às atividades de exploração e produção de petróleo e gás. Essas embarcações transportam equipamentos, materiais, insumos e outros recursos necessários ao funcionamento das plataformas em alto-mar.
O Starnav Elektra é classificado como Platform Supply Vessel (PSV), expressão em inglês usada para identificar os navios de apoio às plataformas. Esse tipo de embarcação é fundamental para manter o abastecimento das unidades offshore, reduzindo riscos de interrupção nas operações e garantindo maior regularidade no transporte marítimo.
Durante a cerimônia de batismo, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que os investimentos na indústria naval e no setor offshore podem estimular um novo ciclo de negócios no país. Segundo ela, a renovação da frota também tem relação direta com a eficiência financeira e operacional da estatal.
“São projetos que nos trazem mais eficiência e lucro. Quando utilizamos nossa própria frota estamos economizando recursos e valorizando o portfólio da Petrobras”, disse Magda.
A presidente também destacou o compromisso da companhia com a renovação da frota, medida que, segundo a Petrobras, contribui para aumentar a segurança das operações e dar continuidade às atividades da indústria nacional. Na prática, a contratação e a construção de novas embarcações movimentam estaleiros, empresas fornecedoras, serviços especializados e profissionais ligados à cadeia de petróleo e gás.
Petrobras prevê 48 barcos contratados até o fim do ano
De acordo com Magda Chambriard, a Petrobras deverá chegar a 48 barcos contratados até o fim do ano. A previsão é que, até o ano seguinte, sejam entregues 96 embarcações, incluindo não apenas navios de apoio, mas também barcaças e empurradores.
A presidente afirmou ainda que as empresas brasileiras vêm apresentando bom desempenho nas disputas promovidas pela companhia. “As empresas brasileiras estão tendo um desempenho excelente e estão vencendo todas as licitações”, declarou.
O volume de contratos anunciado amplia a perspectiva de trabalho para estaleiros e fornecedores nacionais. A construção naval envolve profissionais de áreas como engenharia, soldagem, mecânica, elétrica, automação, logística e segurança do trabalho. Além da geração de empregos diretos, os projetos costumam movimentar uma rede de empresas responsáveis por peças, manutenção, tecnologia e serviços portuários.
Novos navios terão tecnologias para reduzir consumo e emissões
Os projetos contratados pela Petrobras também incorporam recursos voltados à eficiência energética e à redução do impacto ambiental. As embarcações contam com sistemas modernos de geração e distribuição de energia, além de equipamentos capazes de acompanhar o consumo durante a operação.
- Bancos de baterias para apoiar o armazenamento e o uso mais eficiente de energia;
- Monitoramento por telemetria, que permite acompanhar o consumo e o desempenho dos sistemas;
- Possibilidade futura de operação parcial com combustível renovável;
- Novas tecnologias de pintura e sistemas anti-incrustação;
- Medidas destinadas a reduzir o consumo de combustível e as emissões de gases.
A telemetria permite que informações de funcionamento sejam acompanhadas de forma remota, ajudando na identificação de desperdícios e na tomada de decisões operacionais. Já os sistemas anti-incrustação dificultam o acúmulo de organismos marinhos no casco, problema que aumenta o atrito da embarcação com a água e pode exigir mais combustível para manter a velocidade.
O uso de baterias e a possibilidade de adoção parcial de combustíveis renováveis estão alinhados às metas de transição energética da Petrobras. Embora essas tecnologias não eliminem imediatamente o uso de combustíveis convencionais, elas podem reduzir o consumo e as emissões ao longo da operação, especialmente quando combinadas com sistemas de controle e manutenção mais eficientes.
Impacto para a indústria naval brasileira
A entrega do Starnav Elektra ocorre em um momento de retomada dos investimentos em embarcações de apoio à produção de petróleo e gás. Para a Petrobras, a ampliação da frota pode diminuir a dependência de embarcações contratadas no exterior e melhorar o planejamento das operações. Para a indústria nacional, os contratos representam demanda para estaleiros e empresas especializadas.
O navio construído em Itajaí e a tripulação feminina liderada por Isabela Teixeira Ponce de Leon também evidenciam dois aspectos do projeto: a participação da cadeia produtiva brasileira e a busca por maior diversidade no ambiente marítimo. O batismo do Starnav Elektra, portanto, reúne uma frente de investimento industrial, a modernização tecnológica das operações e a ampliação da presença de mulheres em funções embarcadas.
Para Alfenas e o Sul de Minas, os efeitos não são de uma obra ou contrato local, mas o desempenho da indústria naval e do setor de energia tem reflexos na economia brasileira por meio da contratação de serviços, da circulação de investimentos e da demanda por mão de obra especializada. A expansão prevista pela Petrobras mantém o setor offshore entre os segmentos com potencial de gerar negócios nos próximos anos.