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Economia

JAC Motors estima economia anual de € 38,2 mil com caminhão elétrico de distribuição

Redação Saiu Agora
02 de outubro de 2026 às 03:18
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A JAC Motors afirma que caminhões elétricos usados em operações de distribuição podem reduzir de forma significativa o custo total de propriedade de frotas com alta quilometragem. Segundo a fabricante, um caminhão leve elétrico de 4,5 toneladas poderia gerar uma economia anual de aproximadamente € 38.200 apenas em energia, quando comparado a um modelo equivalente movido a diesel.

A estimativa foi apresentada em 2 de outubro de 2026, em Hefei, na China, e considera preços de combustíveis e eletricidade praticados em mercados europeus. O cálculo não representa uma economia automática para qualquer operação: o resultado depende da distância percorrida, do preço local da energia, do tipo de carregamento, da tarifa de combustível, da carga transportada e dos custos de aquisição e manutenção dos veículos.

Como foi calculada a economia do caminhão elétrico

Para chegar ao valor estimado, a JAC considerou um veículo que percorre 150 mil quilômetros por ano. No cenário a diesel, foram usados os seguintes parâmetros:

  • consumo médio de 14,5 litros de diesel a cada 100 quilômetros;
  • preço do diesel de aproximadamente € 2,30 por litro;
  • despesa anual estimada de cerca de € 50.100 com combustível.

Para o caminhão elétrico equivalente, a projeção considerou consumo de 35 kWh a cada 100 quilômetros e eletricidade a € 0,2264 por kWh. Com esses parâmetros, o gasto anual estimado ficaria em torno de € 11.900.

A diferença entre os dois cenários chega a aproximadamente € 38.200 por ano. O valor é uma estimativa de custo de energia e não corresponde, sozinho, ao lucro ou à economia líquida da transportadora. Para conhecer o resultado real, a empresa precisa incluir o preço de compra do veículo, a infraestrutura de recarga, seguros, pneus, manutenção, impostos, eventuais subsídios e o valor de revenda.

O que é o custo total de propriedade, ou TCO

O Total Cost of Ownership, conhecido pela sigla TCO, é uma metodologia usada para calcular quanto um veículo custa durante todo o período em que permanece em operação. A análise vai além do preço pago na concessionária e permite comparar tecnologias diferentes, como caminhões a diesel, elétricos ou movidos por outros combustíveis.

Na fórmula apresentada pela fabricante, o cálculo considera:

  • custo de aquisição: preço do veículo, adaptações necessárias e possíveis subsídios;
  • custo operacional: energia ou combustível, manutenção, pneus e seguros;
  • custo de infraestrutura: carregadores, instalação e eventuais reforços na rede elétrica;
  • custos de conformidade e acesso: pedágios, taxas de congestionamento e cobranças em zonas de baixa emissão;
  • valor residual: estimativa de quanto o veículo poderá valer na revenda, descontada do custo total.

Na prática, uma frota elétrica pode ter um preço inicial mais alto, mas compensar parte desse investimento ao longo dos anos com despesas menores de energia e manutenção. A comparação precisa considerar a duração da operação e a quantidade de quilômetros rodados por cada veículo. Quanto maior a utilização, maior tende a ser o impacto dos custos recorrentes no resultado final.

Manutenção menor é outro fator de economia

Além da energia, os veículos comerciais elétricos podem reduzir despesas de manutenção por terem menos componentes no sistema de propulsão. O conjunto elétrico não utiliza motor a combustão nem exige serviços como troca de óleo do motor e manutenção do sistema de escapamento.

Isso não significa que o veículo deixe de precisar de revisões. Pneus, freios, suspensão, sistemas eletrônicos, ar-condicionado e demais itens de segurança continuam exigindo inspeção e substituição conforme o uso. A diferença está principalmente na quantidade e na complexidade de componentes associados ao motor a combustão e à transmissão convencional.

Infraestrutura de recarga entra na conta

O custo dos carregadores e da instalação elétrica é um dos pontos que podem alterar o resultado de uma frota. Uma operação com recarga em depósito pode distribuir o investimento entre vários veículos, reduzindo o peso da infraestrutura no custo individual de cada caminhão.

Antes de eletrificar a frota, o operador precisa avaliar a capacidade disponível na rede, o número de veículos, os horários de saída e retorno, o tempo necessário para recarga e a potência dos equipamentos. Dependendo do local, podem ser necessários reforços na instalação elétrica ou mudanças na rotina logística.

O carregamento no próprio depósito também permite planejar a recarga fora dos horários de maior demanda, quando houver tarifas diferenciadas. Esse tipo de estratégia pode influenciar o custo da energia, mas não elimina a necessidade de avaliar as condições específicas do contrato de fornecimento e da rede local.

Mercado europeu amplia pressão por veículos de baixa emissão

A JAC Motors relaciona a análise ao avanço dos veículos elétricos de distribuição em mercados europeus. Segundo a empresa, esses modelos vêm alcançando a chamada paridade de TCO com veículos a diesel em um número crescente de mercados. Isso significa que, quando todos os custos são considerados, o elétrico pode se aproximar ou até superar a competitividade econômica do modelo convencional.

Outro fator citado são as regras de acesso a áreas urbanas. Cidades e regiões podem adotar zonas de baixa emissão, taxas de congestionamento ou restrições à circulação de veículos mais poluentes. Nesses casos, um caminhão elétrico pode ter vantagem operacional ao evitar determinadas cobranças ou limitações, embora o impacto dependa das regras de cada localidade.

Para transportadoras, a escolha não envolve apenas a tecnologia do veículo. Também é necessário analisar o perfil das rotas, a disponibilidade de pontos de recarga, a capacidade de carga, a autonomia e o tempo de parada. Caminhões que retornam regularmente à base tendem a ter uma operação de recarga mais previsível do que aqueles que percorrem longas distâncias sem voltar ao depósito.

Estimativa não substitui análise individual da frota

Os números divulgados pela JAC têm como referência condições específicas de preço, consumo e quilometragem na Europa. No Brasil ou em outros mercados, o resultado pode ser diferente por causa do valor do diesel, das tarifas de energia, dos impostos, do preço de aquisição, das condições de financiamento e da disponibilidade de infraestrutura.

O principal efeito prático da metodologia é mostrar que a decisão de compra deve considerar o ciclo completo de uso. Comparar apenas o preço inicial pode esconder despesas relevantes ao longo da vida útil do veículo. Da mesma forma, avaliar somente o custo da eletricidade não permite saber se a substituição será vantajosa para uma determinada empresa.

De acordo com a fabricante, a linha europeia de veículos comerciais da JAC Motors atende diferentes necessidades operacionais. A empresa, porém, não apresentou na informação divulgada todos os detalhes técnicos dos modelos, como autonomia, capacidade das baterias, preço de venda ou prazo estimado de retorno do investimento.

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