Uma indústria de bebidas e alimentos instalada no interior de São Paulo reduziu em até 90% o consumo de lubrificante em esteiras transportadoras e passou a economizar aproximadamente R$ 283 mil por ano. A mudança ocorreu após a substituição do produto utilizado anteriormente pelo Klüberfood NH1 C4 58, da Klüber Lubrication, aplicado em equipamentos da fabricante Krones.
Além da queda no uso do insumo, o projeto registrou ganho de 1% na eficiência energética da operação, resultado equivalente a uma economia anual estimada em 1 MWh. A iniciativa foi acompanhada por medições técnicas antes e depois da troca, com o objetivo de comparar os efeitos da nova solução nas mesmas condições de produção.
Consumo caiu de 33 litros para 3 litros por dia
Antes da mudança, a planta utilizava cerca de 33 litros de lubrificante por dia nas esteiras transportadoras. Depois dos ajustes realizados durante o acompanhamento da operação, o consumo diário caiu para aproximadamente 3 litros. Segundo os dados do projeto, a redução representa uma economia anual de cerca de 10,6 mil litros de lubrificante.
A primeira medição apontou uma diminuição imediata de 70% no gasto de óleo. Com o acompanhamento da equipe técnica da Klüber Lubrication nos três turnos da fábrica e a realização de ajustes finos no sistema, o resultado chegou à redução de até 90% no consumo do produto.
Também foi identificada uma redução de até 12,5% no coeficiente de atrito dos equipamentos. Esse indicador mostra a resistência ao movimento entre superfícies em contato. Em uma linha industrial, a diminuição do atrito pode contribuir para o funcionamento mais eficiente dos componentes, desde que seja mantida a segurança operacional e o desempenho esperado da produção.
Como o resultado foi medido
Para evitar comparações distorcidas, a avaliação considerou o mesmo volume de produção e as mesmas condições de funcionamento nos períodos analisados. Primeiro, foi estabelecida uma linha de base, chamada de baseline, com os dados da operação antes da troca do lubrificante. Depois, os resultados foram comparados com o cenário posterior à adoção do novo produto.
- Os dados de potência elétrica e consumo de energia foram coletados em intervalos de um minuto durante um mês antes da substituição;
- O coeficiente de atrito foi medido em quatro pontos do equipamento;
- A análise foi feita mantendo as condições operacionais e o volume de produção;
- O consumo de lubrificante foi acompanhado durante os três turnos da unidade;
- Os resultados foram avaliados segundo protocolos internacionais de medição e verificação.
Entre os protocolos utilizados está o International Performance Measurement and Verification Protocol (IPMVP), referência internacional para comprovar economias de energia e desempenho de projetos de eficiência. Também foi aplicada a norma DIN ISO 50015, que trata da medição e verificação do desempenho energético.
Na prática, esse tipo de procedimento permite demonstrar se uma economia atribuída a determinado projeto realmente ocorreu. A adoção de critérios padronizados também facilita auditorias e reduz a margem para que resultados sejam estimados apenas com base em projeções ou declarações de consumo.
Certificação e relação com a ISO 50001
Os relatórios produzidos no projeto podem ser utilizados em auditorias relacionadas à ISO 50001, norma internacional voltada à gestão de energia. A certificação estabelece diretrizes para que empresas acompanhem o uso de energia, identifiquem oportunidades de redução de desperdícios e melhorem continuamente o desempenho energético.
A metodologia aplicada também recebeu certificação da TÜV SÜD, organização que atua em inspeção, testes, certificação e avaliação de conformidade. O reconhecimento atesta que os procedimentos adotados para medir os ganhos seguiram critérios considerados adequados para esse tipo de análise.
O cuidado metodológico é importante porque o consumo de energia de uma fábrica pode variar por diversos motivos, como volume produzido, velocidade das linhas, paradas, manutenção e condições de operação. Ao manter essas variáveis sob controle, a comparação entre os períodos se torna mais confiável.
Lubrificação como estratégia de eficiência industrial
Em linhas de bebidas e alimentos, as esteiras transportadoras são responsáveis pelo deslocamento contínuo de embalagens e produtos entre diferentes etapas da fabricação. Por trabalharem durante longos períodos e em ritmo elevado, esses equipamentos dependem de lubrificação adequada para reduzir desgaste, atrito e risco de falhas.
A escolha do lubrificante influencia não apenas a manutenção. Um produto aplicado de maneira correta pode ajudar a reduzir o consumo de insumos, diminuir perdas e contribuir para o desempenho energético dos motores e componentes envolvidos no transporte. O resultado, porém, depende da compatibilidade com o equipamento, da quantidade aplicada e das condições específicas de cada operação.
O Klüberfood NH1 C4 58 utilizado no projeto é formulado sem PFAS, sigla em inglês para substâncias perfluoroalquil e polifluoroalquil. Esse grupo reúne compostos químicos conhecidos pela alta persistência no ambiente e usados historicamente em diferentes aplicações industriais. A ausência dessas substâncias é apresentada como um dos aspectos ambientais da solução adotada.
Economia financeira e impacto operacional
Com a redução do consumo diário, a indústria passou a economizar tanto na compra do lubrificante quanto na necessidade de reposição do produto ao longo da operação. O cálculo divulgado aponta uma economia anual próxima de R$ 283 mil, além da redução de aproximadamente 10,6 mil litros no uso do insumo.
O ganho energético estimado, de cerca de 1 MWh por ano, é menor em proporção que a economia de lubrificante, mas reforça que ações de manutenção e melhoria de processo podem produzir efeitos combinados. Em operações industriais de grande escala, pequenas reduções percentuais podem representar valores relevantes quando repetidas diariamente.
Para Rodrigo Viana, responsável técnico de Eficiência Energética da Klüber Lubrication, o resultado mostra que a lubrificação deve ser tratada como parte da estratégia de desempenho da fábrica, e não apenas como uma atividade de manutenção.
“Quando a lubrificação é tratada de forma estratégica, ela contribui diretamente para a eficiência energética, a redução do consumo de insumos, a confiabilidade operacional e a sustentabilidade das operações. Os resultados obtidos nesse projeto mostram que ganhos técnicos e financeiros podem caminhar juntos, gerando valor para a indústria e apoiando suas metas de produtividade e eficiência”, afirma.
A unidade envolvida não teve o nome divulgado. O caso mostra uma tendência observada em setores industriais que buscam reduzir custos, controlar o consumo de materiais e atender metas ambientais sem alterar o volume de produção. A comprovação dos resultados por medições padronizadas permite que a empresa avalie com mais segurança se a solução pode ser ampliada para outras linhas ou equipamentos.