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Economia

IA acelera seguro viagem, mas atendimento humano continua essencial

Redação Saiu Agora
28 de setembro de 2026 às 18:02
IA acelera seguro viagem, mas atendimento humano continua essencial
Foto: Divulgação
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A inteligência artificial (IA) está mudando a rotina do seguro viagem no Brasil, principalmente em tarefas como cotação, emissão de apólices, organização de informações e resposta a dúvidas frequentes. A tecnologia permite atender um volume maior de solicitações em menos tempo, mas não elimina a participação de profissionais na orientação dos viajantes e na análise de situações específicas.

A transformação ocorre em um momento de crescimento no fluxo de passageiros. Entre julho e setembro de 2025, a aviação civil brasileira transportou 33,6 milhões de pessoas em voos domésticos e internacionais. O resultado representa alta de 8,5% em relação ao mesmo período de 2024, conforme dados de tráfego aéreo compilados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Para agentes de viagens, corretores e empresas de assistência ao viajante, o aumento da circulação de passageiros significa também mais pedidos de orçamento, emissão de documentos, dúvidas sobre cobertura e necessidade de suporte durante períodos curtos. Férias escolares, feriados prolongados e temporadas de maior movimento costumam concentrar essas demandas, criando pressão sobre as equipes.

Como a inteligência artificial é usada no seguro viagem

No mercado de seguros, a adoção da IA já alcança grande parte das companhias. Um estudo da Superintendência de Seguros Privados (Susep), divulgado pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), aponta que cerca de 80% das seguradoras brasileiras utilizam algum recurso de inteligência artificial.

A Susep é o órgão responsável por fiscalizar e supervisionar os mercados de seguros, previdência privada aberta, capitalização e resseguros no país. Já a CNseg reúne as empresas do setor e atua na representação institucional das seguradoras. O levantamento indica que, até agora, os principais resultados da IA estão ligados à eficiência operacional e ao aumento da produtividade.

No seguro viagem, a aplicação prática da tecnologia está concentrada em atividades repetitivas e de grande volume. Entre as funções mais comuns estão:

  • responder perguntas frequentes sobre produtos e coberturas;
  • gerar cotações com mais rapidez;
  • dar apoio ao processo de emissão do seguro;
  • organizar dados e informações utilizadas pelas equipes;
  • reduzir o tempo gasto em tarefas administrativas.

Na avaliação de Rafael Turra, diretor operacional da Vital Card, empresa especializada em seguro viagem, a busca por agilidade e a redução de tarefas repetitivas foram fatores decisivos para a adoção da tecnologia.

“No seguro viagem, a IA ajuda a responder dúvidas frequentes, gerar cotações, apoiar emissões e organizar informações de forma mais rápida, principalmente na alta temporada”, afirma o executivo.

Atendimento humano ainda tem papel central

Mesmo com a automação de parte do trabalho, a tecnologia não substitui a atuação de profissionais em todas as etapas. O seguro viagem envolve mais do que o preenchimento de dados ou a escolha de um produto. O viajante pode precisar de orientação sobre as condições da apólice, os limites de cobertura e os procedimentos necessários para acionar a assistência.

Também há situações em que a necessidade do cliente não se encaixa em uma resposta padrão. O perfil do viajante, o destino, a duração da viagem e as características do atendimento solicitado podem exigir interpretação e diálogo. Por isso, a presença de corretores, agentes e equipes especializadas continua importante para transmitir segurança e explicar as alternativas disponíveis.

Segundo Turra, a IA contribui para agilizar processos, enquanto o profissional interpreta as necessidades específicas de cada caso. Na prática, a tecnologia tende a funcionar como uma ferramenta de apoio: assume etapas operacionais, libera tempo das equipes e permite que os trabalhadores se concentrem em situações que dependem de análise, comunicação e tomada de decisão.

O que muda para o viajante

Para o consumidor, a principal mudança esperada é a redução do tempo de atendimento em tarefas simples. Uma cotação pode ser obtida com mais rapidez, assim como informações básicas sobre contratação e emissão. Em períodos de alta procura, essa velocidade pode facilitar a organização da viagem e diminuir filas ou atrasos no atendimento.

Isso não significa, porém, que o viajante deva contratar uma cobertura sem ler as condições do produto. A apólice é o documento que define os serviços incluídos, os limites financeiros, as situações atendidas e eventuais exclusões. Quando houver dúvida, o contato com um profissional pode ser necessário para evitar uma escolha inadequada ao perfil da viagem.

A automação também exige cuidado no tratamento das informações fornecidas pelos clientes. Dados pessoais, detalhes da viagem e informações relacionadas a atendimentos devem ser administrados com segurança pelas empresas. Como a IA trabalha a partir de dados e sistemas digitais, a qualidade das informações e a supervisão humana influenciam diretamente a confiabilidade das respostas.

Expansão acompanha crescimento das viagens

O avanço da IA no seguro viagem está relacionado a uma mudança mais ampla no setor de turismo e transporte: o crescimento do número de passageiros amplia a necessidade de respostas rápidas e serviços disponíveis em diferentes canais. O movimento registrado pela aviação brasileira no terceiro trimestre de 2025 reforça esse cenário.

Quanto maior o volume de viajantes, maior tende a ser a quantidade de cotações, emissões e pedidos de assistência. A tecnologia pode ajudar as empresas a ampliar a capacidade de atendimento sem transformar toda a operação em um processo automático. O desafio é equilibrar velocidade e qualidade, mantendo profissionais preparados para acompanhar os casos que exigem atenção individual.

Assim, a tendência apontada para o seguro viagem é de integração entre sistemas automatizados e equipes humanas. A IA fica responsável por tarefas de escala e repetição, enquanto os profissionais permanecem na linha de frente das decisões que envolvem orientação, interpretação e confiança. Para o consumidor, o resultado esperado é um atendimento mais rápido, mas sem abrir mão da possibilidade de falar com uma pessoa quando a situação exigir.

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