Empresários, investidores e executivos se reúnem em São Paulo para discutir novas rotas, projetos de infraestrutura e oportunidades de negócios entre as regiões Norte, Nordeste e Sudeste. O EXPOLOG DAY São Paulo foi programado para 1º de outubro de 2026 com uma agenda voltada à aproximação entre os ativos produtivos e logísticos do Norte e do Nordeste e os principais centros empresariais e financeiros do Sudeste.
O encontro é organizado a partir do conceito “Norte, Nordeste e Sudeste em Movimento: Conexões que aproximam regiões, investimentos e mercados”. A proposta é colocar em debate como a melhoria da infraestrutura e a integração entre diferentes meios de transporte podem reduzir obstáculos para a circulação de mercadorias, ampliar mercados e estimular investimentos no país.
Evento discute portos, ferrovias e transporte multimodal
A programação inclui temas ligados a portos, ferrovias, terminais, multimodalidade, comércio exterior, indústria, energia e tecnologia. A multimodalidade é o uso combinado de diferentes meios de transporte, como rodovias, ferrovias e hidrovias, em uma mesma cadeia de distribuição. Na prática, a integração pode ajudar empresas a escolher rotas mais eficientes para levar produtos das áreas de produção aos centros consumidores, portos e mercados internacionais.
O debate ocorre em um cenário de custos elevados para o transporte e a distribuição no Brasil. Dados do Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS) indicam que os custos logísticos chegaram a R$ 1,96 trilhão em 2025, o equivalente a 15,5% do Produto Interno Bruto (PIB). O percentual mostra o peso da logística na economia e reforça a necessidade de buscar alternativas para abastecimento, armazenagem, transporte e distribuição.
Para as empresas, uma logística mais integrada pode influenciar o preço final dos produtos, o prazo de entrega e a capacidade de alcançar novos consumidores. Para os governos e investidores, o tema envolve a necessidade de ampliar e conectar a infraestrutura existente, com atenção a terminais, ferrovias, portos, centros de distribuição e sistemas tecnológicos capazes de acompanhar as operações.
Nordeste terá R$ 60,9 bilhões do FNE em 2027
Entre os participantes está o Banco do Nordeste (BNB), representado por Eliane Brasil, superintendente estadual da instituição no Ceará. A presença do banco destaca as transformações em andamento no Nordeste e as possibilidades de financiamento para projetos de infraestrutura, logística e produção.
Um dos principais dados apresentados é a previsão de que o Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) disponibilize R$ 60,9 bilhões em 2027. Esse será, segundo as informações divulgadas para o evento, o maior volume histórico do fundo. Os recursos serão destinados ao financiamento de atividades produtivas nos nove estados nordestinos, além de municípios de Minas Gerais e do Espírito Santo.
Os fundos constitucionais de financiamento são instrumentos criados para apoiar o desenvolvimento econômico e social de regiões consideradas prioritárias. No caso do FNE, os recursos podem ampliar o acesso ao crédito para empreendimentos produtivos e projetos capazes de gerar atividade econômica, empregos e integração regional. O dinheiro não representa investimento automático em todos os setores, mas cria uma fonte relevante de financiamento para empresas e iniciativas enquadradas nas regras do fundo.
A previsão de recursos para 2027 também reforça a conexão entre o Nordeste e o Sudeste. Municípios mineiros e capixabas estão incluídos na área de atuação do FNE, o que pode facilitar projetos que atravessem divisas estaduais e articulem produção, transporte, armazenagem e comércio. Essa integração é especialmente importante em cadeias que dependem de acesso a portos, ferrovias e grandes centros de consumo.
Oportunidades incluem indústria, energia e exportações
O encontro apresenta um conjunto amplo de possibilidades para empresas e investidores. Entre as áreas destacadas estão:
- expansão industrial e implantação de centros de distribuição;
- operações portuárias, armazenagem e transporte multimodal;
- agronegócio, energia e tecnologia aplicada à logística;
- comércio interestadual e exportações;
- integração entre polos industriais, mercados consumidores e corredores de transporte.
O Norte e o Nordeste aparecem no debate como regiões que oferecem ativos estratégicos em portos, ferrovias, energia, mineração e comércio exterior. O Sudeste, por sua vez, concentra mercados consumidores, centros de decisão empresarial e parte importante dos investimentos. A aproximação entre essas características pode abrir espaço para novos fornecedores, operações de distribuição e projetos industriais.
Essa relação não deve ser entendida apenas como um fluxo de produtos em direção ao Sudeste. A integração também pode ampliar o acesso de empresas nordestinas e nortistas a compradores, financiadores, tecnologias e parceiros comerciais. Da mesma forma, investidores sediados no Sudeste podem encontrar oportunidades em regiões com disponibilidade de recursos naturais, produção, energia e localização estratégica para o comércio exterior.
Integração regional é resposta ao alto custo logístico
O custo logístico de 15,5% do PIB, apontado pelo ILOS, ajuda a explicar por que infraestrutura e novas rotas estão no centro da agenda. Quando o transporte é caro ou pouco integrado, o impacto alcança toda a cadeia: produtores podem ter dificuldade para escoar mercadorias, indústrias enfrentam custos maiores para receber insumos e consumidores acabam sujeitos a preços e prazos menos competitivos.
A avaliação de novas rotas também envolve a escolha do modal mais adequado para cada tipo de carga e distância. Ferrovias e hidrovias, por exemplo, podem assumir papel diferente das rodovias em determinadas operações, enquanto terminais e centros de distribuição organizam a transferência e o armazenamento dos produtos. O resultado depende da conexão entre essas estruturas, da qualidade dos serviços e da capacidade de coordenação entre empresas e órgãos públicos.
Ao reunir representantes do setor produtivo, instituições financeiras e executivos, o EXPOLOG DAY busca transformar esse diagnóstico em aproximação comercial. A realização é da Prática Eventos, empresa responsável pelo encontro. A CEO da organização, Enid Câmara de Vasconcelos, destaca que a iniciativa pretende oferecer a empresas de produção, distribuição e comércio exterior uma visão objetiva dos movimentos em curso no Norte e no Nordeste.
O principal efeito esperado é facilitar conversas sobre projetos, financiamento e parcerias. Para o público empresarial, isso pode significar a identificação de fornecedores, clientes e oportunidades de investimento. Para as regiões envolvidas, a expectativa é fortalecer conexões capazes de ampliar a produção, melhorar o escoamento de mercadorias e aproximar os mercados nacionais e internacionais.
Mais do que um debate setorial, a agenda coloca em evidência um desafio nacional: reduzir a distância econômica entre as regiões por meio de infraestrutura, crédito e integração logística. O avanço dependerá da execução dos projetos, da aplicação dos recursos disponíveis e da capacidade de transformar potenciais regionais em operações permanentes de produção e comércio.