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Economia

Despreparo de líderes aumenta rotatividade e reduz produtividade nas empresas

Redação Saiu Agora
28 de setembro de 2026 às 16:39
Despreparo de líderes aumenta rotatividade e reduz produtividade nas empresas
Foto: Divulgação
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O despreparo de gestores tem provocado efeitos que vão muito além de conflitos no ambiente de trabalho. Em empresas de diferentes setores, falhas na condução das equipes podem elevar a rotatividade de profissionais, reduzir a produtividade, aumentar o retrabalho e contribuir para o desgaste emocional dos funcionários. O problema é apontado como um dos custos invisíveis da gestão corporativa: nem sempre aparece de forma imediata no balanço financeiro, mas afeta diretamente os resultados.

Uma pesquisa amplamente difundida da consultoria global Gallup aponta que os gestores respondem por pelo menos 70% da variação no engajamento das equipes. O indicador mostra a influência direta da liderança sobre a disposição dos funcionários para participar das atividades, cumprir objetivos e permanecer vinculados à organização.

Outro levantamento, realizado pela consultoria McKinsey & Company, identificou que a presença de lideranças pouco empáticas ou consideradas tóxicas está entre as principais razões para a onda de demissões voluntárias observada no mercado. Na prática, o trabalhador não abandona apenas uma empresa ou uma função. Muitas vezes, ele deixa uma relação profissional marcada por comunicação ruim, falta de reconhecimento, centralização das decisões e ausência de apoio.

Como a liderança despreparada afeta as empresas

A promoção de profissionais técnicos para cargos de gestão é uma prática comum no mercado. O problema surge quando a mudança de função não vem acompanhada de preparação para lidar com pessoas, conflitos e decisões estratégicas. Dominar uma área técnica não significa, necessariamente, saber distribuir tarefas, dar feedback, ouvir a equipe ou conduzir mudanças.

Segundo análises citadas no debate sobre governança corporativa, esse processo pode criar gestores centralizadores, que concentram decisões e dificultam a autonomia dos funcionários. Também pode aumentar a incidência de burnout, síndrome associada ao esgotamento físico e emocional relacionado ao trabalho, além de gerar decisões táticas ineficazes e retrabalho.

  • Turnover: saída frequente de funcionários, com custos de contratação, seleção e treinamento de substitutos;
  • Queda de produtividade: perda de ritmo e de qualidade na execução das atividades;
  • Retrabalho: repetição de tarefas provocada por falhas de comunicação ou decisões inadequadas;
  • Desgaste emocional: aumento da pressão sobre líderes e equipes, com reflexos na saúde e no desempenho;
  • Perda de conhecimento: saída de profissionais experientes e dificuldade para preservar processos internos.

Esses impactos se somam. A saída de um funcionário, por exemplo, pode interromper projetos, sobrecarregar os colegas e exigir novos investimentos para recompor a equipe. Quando o problema é causado pela forma de gestão, a empresa pode perder profissionais sucessivamente sem identificar que a origem está na liderança.

Mercado busca formação prática para gestores

O cenário de maior volatilidade econômica e competitividade tem levado empresas a rever os modelos tradicionais de treinamento. No segmento de educação corporativa Business-to-Business (B2B), voltado à relação entre empresas, ganham espaço programas que combinam conhecimento e aplicação prática.

A mudança ocorre porque cursos baseados apenas em conceitos teóricos nem sempre preparam o gestor para situações comuns do cotidiano, como administrar conflitos, negociar prioridades, dar uma notícia difícil, corrigir rotas ou manter a equipe mobilizada em períodos de pressão. A expectativa é que o desenvolvimento seja conectado aos desafios reais enfrentados pelos profissionais.

Especialistas em governança corporativa defendem que a capacitação deve preparar os líderes para decisões mais consistentes e para o ambiente competitivo. Governança, nesse contexto, envolve mecanismos de direção, controle, transparência e responsabilidade dentro das organizações. Uma liderança bem preparada contribui para que as decisões sejam tomadas com mais clareza, alinhamento e responsabilidade.

Método reúne cinco pilares de desenvolvimento

Foi a partir da experiência prática em empresas que o executivo de Auditoria Interna, Governança e Compliance Ivan Nogueira fundou a Bazza Escola de Lideranças. De acordo com as informações apresentadas, Nogueira acumula mais de uma década de atuação na liderança de equipes em multinacionais e experiência como palestrante corporativo em grandes grupos.

A proposta da escola é organizar o desenvolvimento de líderes com base em cinco pilares interconectados:

  • Governo emocional;
  • Empatia;
  • Influência;
  • Relevância;
  • Eficácia.

O chamado governo emocional está relacionado à capacidade de reconhecer e administrar as próprias emoções antes de tomar decisões ou conduzir conversas difíceis. A empatia amplia a compreensão sobre as necessidades e os limites da equipe. Já a influência diz respeito à capacidade de mobilizar pessoas sem depender apenas da autoridade formal do cargo.

Os dois últimos pilares completam a proposta. A relevância envolve a capacidade de gerar valor e manter uma atuação conectada aos objetivos da organização. A eficácia está ligada à transformação das decisões em resultados, com acompanhamento, clareza de responsabilidades e foco na execução.

“Não entregamos apenas conteúdo, mas uma nova forma de liderar”, afirma Ivan Nogueira, ao resumir a proposta do método. A ideia é que a formação não fique restrita à sala de aula, mas ajude o profissional a aplicar as competências na rotina do trabalho.

Impacto para trabalhadores e empresas

Para os funcionários, uma liderança mais preparada pode significar comunicação mais clara, critérios definidos, maior abertura para diálogo e redução de conflitos desnecessários. Para as empresas, o efeito esperado é a criação de equipes mais estáveis, produtivas e capazes de lidar com mudanças.

O desenvolvimento de gestores, no entanto, não elimina a responsabilidade da organização. Programas de capacitação precisam estar acompanhados de políticas coerentes de reconhecimento, canais de escuta, metas realistas e acompanhamento dos resultados. Sem esse conjunto de medidas, o treinamento corre o risco de ser tratado como uma ação isolada.

A discussão também mostra que a liderança deixou de ser vista apenas como uma competência individual. O comportamento do gestor é influenciado pela cultura da empresa, pelos modelos de avaliação e pelos incentivos definidos pela direção. Por isso, combater práticas tóxicas e reduzir o turnover exige mudanças tanto na postura de quem lidera quanto na estrutura que sustenta a gestão.

Em um mercado marcado por transformações rápidas, preparar líderes para lidar com pessoas e resultados passou a ser uma necessidade operacional. O investimento em competências humanas e estratégicas pode ajudar as organizações a reduzir custos indiretos, preservar talentos e tomar decisões mais eficientes.

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