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Economia

Censo 2022 mostra desigualdade de renda e ocupação entre pessoas com deficiência

Redação Saiu Agora
18 de setembro de 2026 às 12:57
Censo 2022 mostra desigualdade de renda e ocupação entre pessoas com deficiência
Foto: Divulgação
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Trabalhadores com deficiência receberam, em média, R$ 2.053 em 2022, valor equivalente a cerca de 70% do rendimento médio das pessoas sem deficiência, de R$ 2.890. Os dados fazem parte do Censo Demográfico 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e mostram que a desigualdade aparece tanto nos salários quanto no acesso ao mercado de trabalho.

O levantamento foi divulgado na sexta-feira (18) e reúne informações sobre a população com deficiência em idade de trabalhar, suas condições de ocupação e a composição da renda dos domicílios. Embora os números sejam nacionais, o cenário ajuda a dimensionar um desafio que também afeta municípios do Sul de Minas, como Alfenas: garantir que pessoas com deficiência tenham acesso a empregos formais, remuneração justa, qualificação profissional e ambientes de trabalho acessíveis.

Diferença de rendimento aparece em todos os setores

Segundo o IBGE, as pessoas com deficiência recebiam menos do que as pessoas sem deficiência em todos os grupos de atividades econômicas analisados. Além da diferença de remuneração dentro das áreas, a população com deficiência também estava mais concentrada em setores que, em geral, apresentam rendimentos menores.

Entre as atividades com maior presença desse grupo estão os serviços domésticos, a agropecuária e os setores de alojamento e alimentação. A concentração nessas ocupações influencia o rendimento médio e revela que a desigualdade não está ligada apenas ao salário pago por uma função, mas também às oportunidades disponíveis e ao tipo de atividade em que essas pessoas conseguem ingressar.

O melhor resultado médio foi registrado no grupo formado por administração pública, educação, saúde e serviços sociais. Mesmo nesse segmento, porém, a diferença permaneceu: trabalhadores com deficiência recebiam cerca de R$ 3.223, enquanto o rendimento médio dos trabalhadores sem deficiência chegava a R$ 4.146. O valor pago às pessoas com deficiência correspondia a aproximadamente 78% do rendimento do outro grupo.

Apenas três em cada dez pessoas com deficiência estavam ocupadas

O Censo 2022 identificou 13,71 milhões de pessoas com deficiência em idade de trabalhar. Desse total, 3,97 milhões estavam ocupadas. O nível de ocupação era de 29%, o que significa que aproximadamente três em cada dez pessoas com deficiência em idade de trabalhar tinham algum trabalho.

Entre as pessoas sem deficiência, o nível de ocupação era de 55,8%, quase o dobro. A comparação mostra que a barreira não está apenas na remuneração recebida depois da contratação. A entrada e a permanência no mercado de trabalho também são mais difíceis para quem tem algum tipo de deficiência.

  • Pessoas com deficiência em idade de trabalhar: 13,71 milhões;
  • Pessoas com deficiência ocupadas: 3,97 milhões;
  • Nível de ocupação entre pessoas com deficiência: 29%;
  • Nível de ocupação entre pessoas sem deficiência: 55,8%;
  • Rendimento médio: R$ 2.053 para pessoas com deficiência e R$ 2.890 para pessoas sem deficiência.

Tipo de dificuldade influencia acesso ao emprego

Os resultados também variam conforme o tipo de dificuldade relatada. O menor nível de ocupação foi observado entre as pessoas com limitações associadas às funções mentais: 12,9%. Também ficaram abaixo da média aquelas com dificuldade para caminhar ou subir degraus, com 17,2%, e para pegar objetos pequenos, com 17,7%.

Entre as pessoas que apresentavam mais de uma dificuldade, o nível de ocupação era de 15,6%. Já os grupos com maior proporção de pessoas ocupadas eram os que declararam dificuldade para enxergar, com 35,9%, e para ouvir, com 27,5%.

Esses números não significam que uma deficiência determine a capacidade profissional de uma pessoa. Eles indicam que diferentes necessidades de acessibilidade, apoio, transporte, comunicação e adaptação podem interferir na possibilidade de conseguir ou manter um emprego. A acessibilidade, nesse contexto, envolve não apenas rampas e espaços físicos, mas também recursos de comunicação, tecnologia assistiva, adaptação de tarefas e políticas de inclusão.

Renda do trabalho pesa menos nos lares com pessoas com deficiência

A diferença também aparece na composição da renda familiar. Nos domicílios com ao menos um morador com deficiência, a renda do trabalho respondia por 55,7% do rendimento médio total. Os outros 44,3% vinham de fontes diferentes, como aposentadorias, pensões, benefícios, aluguéis ou outras formas de rendimento.

Nos lares sem pessoas com deficiência, a situação era distinta: 78,4% da renda média vinha do trabalho, enquanto 21,6% era formada por outras fontes. A comparação sugere maior dependência de rendimentos que não estão diretamente ligados à ocupação profissional entre as famílias que convivem com a deficiência.

Essa composição é importante porque a renda do trabalho costuma estar relacionada à autonomia financeira das famílias. Quando o acesso ao emprego é menor e os salários também são mais baixos, aumenta a importância de outras fontes de renda para o orçamento doméstico. Em muitos casos, isso pode ampliar a vulnerabilidade diante de despesas com saúde, transporte, medicamentos, equipamentos e serviços de apoio.

Desigualdade também envolve gênero e raça

O levantamento do IBGE apontou diferenças no nível de ocupação quando os dados são observados por sexo e cor ou raça. Entre as pessoas com deficiência, homens pretos ou pardos tinham nível de ocupação de 36%, ante 34,6% entre homens brancos. Entre as mulheres, o índice era de 25,6% para pretas ou pardas e de 22,7% para brancas.

Os dados mostram que a realidade do mercado de trabalho não é igual dentro do próprio grupo de pessoas com deficiência. Sexo, cor ou raça, tipo de deficiência, escolaridade, idade, transporte e condições de acessibilidade podem se combinar e produzir experiências diferentes de exclusão ou inclusão.

O que os números indicam para municípios como Alfenas

O Censo é uma das principais fontes para conhecer a população brasileira e orientar políticas públicas. No caso das pessoas com deficiência, os dados podem ajudar prefeituras, empresas, escolas, serviços de saúde e entidades sociais a identificar barreiras e planejar ações mais eficientes.

Em Alfenas, a discussão pode envolver a ampliação da acessibilidade nos prédios e serviços públicos, o incentivo à contratação de trabalhadores com deficiência, a qualificação profissional e a fiscalização do cumprimento das regras de inclusão. Também é necessário considerar o deslocamento até o trabalho, a acessibilidade do transporte coletivo e a adaptação dos ambientes de atendimento.

A contratação, por si só, não resolve o problema. Para que a inclusão seja efetiva, a pessoa precisa ter condições de exercer a função, participar das atividades da equipe, receber remuneração compatível e encontrar possibilidades de crescimento profissional. O levantamento do IBGE reforça que o desafio é duplo: aumentar a participação das pessoas com deficiência no mercado de trabalho e reduzir a diferença de renda em relação aos demais trabalhadores.

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