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Economia

Brasil cria 165,8 mil empregos com carteira assinada em agosto

Redação Saiu Agora
29 de setembro de 2026 às 19:32
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O Brasil abriu 165.827 postos de trabalho com carteira assinada em agosto, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego. O resultado representa o saldo entre admissões e demissões registradas no mês e mostra uma reação do mercado formal depois do desempenho mais fraco de julho.

Em julho, o país havia criado 58.568 vagas formais. Com isso, o saldo de agosto foi 183,1% maior na comparação mensal. Apesar da alta, o resultado ainda está entre os mais baixos para o mês desde 2020: é o segundo menor da série iniciada naquele ano, ficando acima apenas do registrado em agosto de 2025.

Na comparação anual, houve crescimento de 7,2%. Em agosto do ano passado, foram abertas 154.683 vagas, considerando os dados ajustados, que incluem declarações entregues fora do prazo e correções feitas pelo Ministério do Trabalho em números de meses anteriores.

Saldo de empregos formais cai no acumulado de 2026

Mesmo com a melhora observada em agosto, o acumulado do ano aponta desaceleração na criação de empregos formais. Entre janeiro e agosto de 2026, o Caged registrou 1.134.033 novas vagas. No mesmo período de 2025, o saldo havia chegado a 1.516.881 postos.

A diferença representa uma queda de 25,2% no acumulado. O resultado ocorre em um cenário de juros altos e de perda de ritmo da atividade econômica, fatores que tendem a elevar o custo do crédito para empresas e consumidores e podem adiar decisões de contratação e expansão.

O Caged acompanha apenas o mercado de trabalho formal, ou seja, as relações de emprego registradas dentro das regras trabalhistas. O indicador não mede diretamente a informalidade nem substitui pesquisas de desemprego, que também consideram pessoas sem carteira assinada, trabalhadores por conta própria e quem está procurando uma ocupação.

Serviços lideram geração de vagas em agosto

Todos os cinco grandes setores acompanhados pelo Caged tiveram saldo positivo em agosto. O setor de serviços foi responsável pela maior parte das contratações, seguido por construção civil, indústria, comércio e agropecuária.

  • Serviços: 110.346 postos;
  • Construção civil: 20.848 vagas;
  • Indústria: 16.613 empregos;
  • Comércio: 16.565 postos;
  • Agropecuária: 1.452 vagas.

O desempenho dos serviços foi puxado principalmente pela área de educação, que abriu 25.416 postos formais. O segmento de saúde humana e serviços sociais registrou 19.142 novas vagas, enquanto transporte, armazenagem e correio teve saldo positivo de 16.819 empregos.

O predomínio dos serviços reforça o peso desse setor na economia brasileira. Ele reúne atividades que atendem empresas e famílias, como educação, saúde, logística, transporte, tecnologia, alimentação e serviços administrativos. Por isso, costuma reagir de maneira importante às mudanças no consumo e na demanda por atendimento.

Construção e indústria também avançam

Na construção civil, os serviços especializados para construção foram o principal destaque, com 8.415 empregos criados. O segmento inclui atividades contratadas para etapas específicas de obras. Em seguida, aparecem as obras de infraestrutura, com saldo de 7.396 postos.

O resultado ocorre em um setor que depende de investimentos públicos e privados, financiamento imobiliário e contratação de serviços para obras residenciais, comerciais e de infraestrutura. A abertura de vagas, portanto, sinaliza movimentação em diferentes frentes da cadeia da construção, embora os dados nacionais não indiquem como o desempenho se distribuiu entre os estados e municípios.

Na indústria, a fabricação de produtos alimentícios liderou a criação de empregos, com 10.171 vagas. Também tiveram saldo positivo a fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias, com 3.311 postos, e a fabricação de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis, com 2.845.

Agosto costuma marcar o pico de atividade industrial porque muitas fábricas começam a reforçar a produção para atender à demanda do período de fim de ano, especialmente o Natal. Esse movimento ajuda a explicar a presença da indústria entre os setores com saldo positivo no mês.

Agropecuária tem menor saldo entre os setores

A agropecuária abriu 1.452 vagas formais em agosto, o menor resultado entre os cinco setores analisados. O comportamento é considerado tradicional para o período, que coincide com o início do plantio em várias regiões do país.

O calendário agrícola influencia diretamente as contratações no campo. A demanda por mão de obra pode variar conforme o ciclo das culturas, o início ou o encerramento das colheitas e as condições de produção de cada região. Por isso, o saldo mensal do setor pode oscilar bastante ao longo do ano.

Como interpretar os números do Caged

O saldo divulgado pelo Ministério do Trabalho é calculado pela diferença entre o número de admissões e o de desligamentos informados pelos empregadores. Um resultado positivo significa que houve mais contratações do que demissões no período; um saldo negativo indica o contrário.

Os números podem ser atualizados posteriormente porque as empresas têm prazo para enviar informações e podem corrigir declarações anteriores. Por esse motivo, o ministério divulga dados ajustados, que oferecem uma fotografia mais completa do comportamento do emprego formal.

A série atual do Caged começa em 2020, após mudanças na metodologia de coleta e organização das informações. Por essa razão, não é possível comparar diretamente os números de agosto de 2026 com os resultados de anos anteriores a 2020.

Os dados de agosto mostram, portanto, um mercado formal que voltou a contratar em ritmo mais forte do que em julho, mas ainda enfrenta perda de velocidade no acumulado de 2026. O desempenho dos serviços, da construção e da indústria ajudou a sustentar o resultado mensal, enquanto o cenário de juros elevados e desaceleração econômica continua limitando uma expansão mais intensa do emprego com carteira assinada.

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