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Saúde

Tratamento a laser fecha a veia safena sem retirar a veia da perna

Redação Saiu Agora
29 de setembro de 2026 às 15:10
Tratamento a laser fecha a veia safena sem retirar a veia da perna
Foto: Divulgação
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O tratamento a laser da veia safena é uma alternativa à cirurgia convencional para casos de varizes e insuficiência venosa crônica. Em vez de retirar a veia da perna, como ocorre na safenectomia, a técnica utiliza uma fibra introduzida por uma pequena punção para aplicar energia térmica e fechar o vaso comprometido. O sangue, então, passa a circular por outras veias que continuam funcionando normalmente.

As varizes aparecem quando as válvulas das veias deixam de impedir o refluxo do sangue. Com a circulação prejudicada, parte do sangue se acumula nos membros inferiores, favorecendo o surgimento de veias dilatadas e sintomas como sensação de peso, dor, inchaço e alterações na pele. Quando o refluxo atinge a safena e há indicação de intervenção, o tratamento precisa ser definido após avaliação médica e exames de imagem.

Como funciona o tratamento a laser da safena

Na técnica endovenosa, o médico faz uma pequena punção na veia e insere uma fibra óptica, posicionada com o auxílio do ultrassom. O equipamento libera energia de forma controlada, aquecendo a parede interna da safena e provocando o fechamento do vaso. Como a veia não é retirada, o procedimento é chamado de ablação endovenosa.

“A principal diferença é que o laser trata a safena por dentro. Como não é necessário retirá-la cirurgicamente, a manipulação dos tecidos ao redor da veia é menor, o que favorece uma recuperação mais rápida”, explica a cirurgiã vascular e endovascular Andressa Louzada, CRM-SP 182.973.

Depois que a safena é fechada, o organismo passa a utilizar outras veias para conduzir o sangue de volta ao coração. A circulação não depende de uma única veia, e a intervenção é indicada justamente quando o vaso tratado apresenta refluxo e deixou de cumprir adequadamente sua função.

Diferenças entre o endolaser e a cirurgia convencional

A cirurgia tradicional, conhecida como safenectomia ou stripping, consiste na ligadura e retirada da veia safena por meio de incisões. Já o endolaser costuma exigir apenas uma punção, com menor manipulação dos tecidos próximos ao vaso.

Essa diferença pode influenciar o período de recuperação. Em comparação com a cirurgia convencional, o tratamento a laser geralmente está associado a menor ocorrência de dor e hematomas e a um retorno mais precoce às atividades leves. A recuperação, no entanto, varia conforme a extensão da doença, o estado de saúde do paciente, a quantidade de veias tratadas e a orientação do profissional responsável.

  • Cirurgia convencional: a safena é ligada e retirada por meio de incisões.
  • Tratamento a laser: uma fibra é introduzida por punção e fecha a veia por dentro.
  • Controle por ultrassom: o exame orienta o posicionamento da fibra e acompanha a aplicação da energia.
  • Circulação após o procedimento: o sangue é direcionado para outras veias funcionantes.

Resultados podem ser semelhantes no longo prazo

A Diretriz Brasileira de Doença Venosa Crônica, elaborada pela Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular, reconhece a eficácia das técnicas endovenosas no tratamento da insuficiência da veia safena. Uma revisão sistemática e metanálise publicada em 2023 comparou a ablação endovenosa a laser com a ligadura e retirada cirúrgica da safena magna.

A análise encontrou resultados clínicos e taxas de recorrência comparáveis entre os dois métodos. O laser, porém, apresentou menor ocorrência de algumas complicações no período pós-operatório. Diretrizes das sociedades Americana e Europeia de Cirurgia Vascular também reconhecem a ablação térmica endovenosa, incluindo o endolaser, como uma das técnicas preferenciais para o tratamento da safena doente.

Isso não significa que o laser seja indicado para todos os pacientes. A escolha depende de fatores como o trajeto da veia, o diâmetro do vaso, a extensão do refluxo, a presença de outras varizes e as condições clínicas da pessoa. O exame de ultrassom com Doppler é utilizado para avaliar o funcionamento das veias e ajudar na definição da conduta.

Quando procurar avaliação para varizes

Varizes visíveis nem sempre exigem procedimento, mas sintomas persistentes devem ser investigados. Dor, peso nas pernas, inchaço no fim do dia, coceira, mudanças na coloração da pele e feridas próximas aos tornozelos podem estar relacionados à doença venosa crônica.

A avaliação com um cirurgião vascular permite diferenciar alterações predominantemente estéticas de quadros que podem comprometer a circulação. O diagnóstico também ajuda a identificar se o problema está na safena, em veias menores ou em outros segmentos do sistema venoso.

O procedimento e os cuidados após a intervenção devem ser definidos individualmente. Mesmo quando o tratamento a laser é escolhido, o paciente pode receber orientações sobre caminhada, uso de compressão, retorno gradual às atividades e acompanhamento clínico. A indicação médica é essencial para reduzir riscos e aumentar a possibilidade de um resultado adequado.

O que o paciente deve considerar

  • O laser fecha a safena comprometida, mas não retira a veia da perna.
  • A técnica é realizada com orientação por ultrassom.
  • A recuperação tende a ser mais rápida do que na cirurgia convencional, embora varie entre os pacientes.
  • Os resultados de longo prazo podem ser comparáveis aos da safenectomia.
  • A decisão depende do exame clínico e da avaliação do sistema venoso.

Com a evolução das técnicas endovenosas, o tratamento das varizes passou a contar com opções menos invasivas do que a retirada cirúrgica da safena. O endolaser é uma dessas alternativas e pode oferecer menor agressão aos tecidos, sem comprometer a circulação das pernas. A escolha, porém, deve ser feita caso a caso, com base em diagnóstico, indicação clínica e acompanhamento especializado.

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