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Saúde

TJ condena Unimed Alfenas por atraso de 108 dias na entrega de remédio oncológico que resultou na morte de paciente

Redação Saiu Agora
05 de abril de 2026 às 23:11
TJ condena Unimed Alfenas por atraso de 108 dias na entrega de remédio oncológico que resultou na morte de paciente
Foto: Divulgação
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Decisão judicial e contexto

A 15ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais condenou a Unimed Alfenas a pagar R$ 75 mil de indenização por danos morais a familiares de uma paciente que faleceu enquanto aguardava a liberação de um medicamento oncológico. A condenação ocorreu após a operadora de plano de saúde atrasar por 108 dias a entrega do remédio Enhertu (Trastuzumabe Deruxtecano), cuja prescrição médica foi feita em abril de 2024. A paciente, de 37 anos, mãe de duas crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), enfrentava um quadro agressivo de câncer de mama. O medicamento só foi disponibilizado um dia após seu falecimento.

Análise jurídica e entendimento

A maioria dos desembargadores aplicou a teoria da “perda de chance”, considerando que o atraso privou a paciente de uma oportunidade de tratamento que poderia ter melhorado sua condição ou prolongado sua vida. O relator, desembargador Monteiro de Castro, destacou que o atraso de mais de cem dias foi considerado uma “dilatação inaceitável” diante da gravidade do caso. A justificativa da Unimed, de que o uso do medicamento seria off-label ou não constaria no rol da ANS, foi considerada abusiva, especialmente por haver registro na Anvisa e recomendação médica.

Histórico do processo

Na primeira instância, a Justiça de Alfenas reconheceu a abusividade na negativa de cobertura, mas negou a indenização, alegando incerteza sobre o impacto do remédio no desfecho final da paciente, que estava em estado terminal. A decisão do TJ, porém, reforçou que o sofrimento causado pelo atraso e a necessidade de judicialização configuram dano moral passível de reparação. A Unimed alegou que não havia cobertura contratual ou comprovação científica para o uso do medicamento no caso específico, argumentos que foram rejeitados pela maioria dos desembargadores, que valorizaram a dignidade da paciente e a esperança de tratamento.

Situação atual

A decisão ainda não é definitiva e pode ser contestada por recurso. A Unimed Alfenas afirmou, por meio de sua assessoria jurídica, que respeita o direito à ampla defesa, mas não detalhou os próximos passos no processo.

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