O Senado realizou, nesta sexta-feira (25), uma sessão especial para marcar os 25 anos da Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde (Fepecs) e da Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS), instituições públicas do Distrito Federal voltadas à formação de profissionais, à pesquisa e ao atendimento das necessidades do Sistema Único de Saúde (SUS).
A homenagem foi proposta pelo senador Izalci Lucas (PL-DF), que destacou o papel da Fepecs e da ESCS na inovação tecnológica, na qualificação de médicos e enfermeiros e no fortalecimento da rede pública de saúde. Criada para formar profissionais alinhados aos princípios do SUS, a escola mantém uma proposta de ensino ligada à realidade dos serviços de saúde.
Formação dentro do SUS é apontada como diferencial
Durante a sessão, Izalci ressaltou que mais de 2 mil médicos e enfermeiros já foram formados pela instituição. Segundo o senador, o modelo adotado pela ESCS aproxima os estudantes dos pacientes e dos desafios encontrados diariamente nas unidades de saúde.
“Mais do que sorte, isso é método: formar dentro do Sistema Único de Saúde para o Sistema, com o professor que também está de plantão e o aluno que aprende olhando para o paciente, não para ilustrações desenhadas em um quadro”, afirmou.
Na prática, a proposta combina o conteúdo teórico com a vivência em serviços de saúde. Esse tipo de formação permite que o estudante acompanhe situações reais, conheça a organização da rede pública e compreenda as demandas da população antes de ingressar definitivamente no mercado de trabalho. Também aproxima a atividade dos professores, muitos deles profissionais que continuam atuando na assistência, da rotina dos alunos.
O SUS é a rede pública de saúde brasileira e envolve ações como atendimento médico, enfermagem, vacinação, vigilância em saúde, urgência, prevenção e acompanhamento de doenças. Por isso, formar profissionais dentro dessa estrutura significa prepará-los para atuar em diferentes níveis de atendimento e para lidar com as necessidades coletivas, além da relação individual entre profissional e paciente.
Desempenho da ESCS em avaliações nacionais
A qualidade do ensino oferecido pela escola também foi associada aos resultados obtidos no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), avaliação que mede o desempenho de estudantes de cursos superiores em relação aos conteúdos e às competências esperadas de sua formação.
- Em 2007, o curso de medicina da ESCS esteve entre as oito instituições brasileiras que obtiveram nota máxima na avaliação.
- Em 2023, a medicina voltou a alcançar o resultado máximo, ao lado da Universidade de Brasília (UnB).
- O curso de enfermagem manteve a nota máxima desde sua primeira avaliação, em 2013.
- A enfermagem repetiu o desempenho máximo nas edições de 2016, 2019 e 2023.
Esses resultados são usados como indicador da consistência da formação oferecida, embora avaliações nacionais representem apenas uma parte da análise sobre uma instituição de ensino. O desempenho também está relacionado à estrutura curricular, à qualificação dos professores, aos campos de prática e ao acompanhamento dos estudantes ao longo do curso.
Pesquisa e saúde pública no Distrito Federal
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) defendeu o fortalecimento da Fepecs e da ESCS, além da valorização dos profissionais que atuam nas instituições. Para ela, o Distrito Federal tem condições de ampliar sua participação na produção científica e transformar a pesquisa em uma área estratégica para a economia local.
“Sempre defendi o investimento em pesquisa; nossa nação precisa pensar em mais pesquisa. O Distrito Federal pode ser o maior centro de pesquisa do país”, afirmou.
A senadora também disse que a capital federal não precisa competir com outras regiões em setores nos quais elas já têm forte presença, como agricultura, turismo e indústria. Na avaliação dela, a pesquisa pode ser uma vocação própria do Distrito Federal, com potencial para gerar empregos, renda e participação no Produto Interno Bruto (PIB).
A Fepecs tem atuação que vai além da graduação. A fundação reúne atividades de educação, ciência e pesquisa ligadas à saúde pública, incluindo a participação de docentes, pesquisadores, residentes, preceptores e servidores. Os preceptores são profissionais que acompanham estudantes e residentes nos ambientes de prática, ajudando a relacionar o conhecimento acadêmico com o atendimento realizado na rede.
Instituição foi criada para responder às necessidades da população
A diretora-executiva da Fepecs, Vanessa Dalva Guimarães Campos, afirmou que a instituição nasceu com uma missão definida: aproximar educação, ciência e saúde pública. Segundo ela, a proposta é formar profissionais e produzir conhecimento a partir das necessidades sociais da população do Distrito Federal.
“Ao longo desses 25 anos, várias pessoas ajudaram a construir essa história. Gestores, servidores, docentes, preceptores, pesquisadores, estudantes, residentes deixaram na Fepecs e na Secretaria de Saúde do DF sua contribuição”, disse.
Vanessa também destacou que muitos dos profissionais que hoje atuam na saúde pública passaram pela instituição como estudantes. Parte deles retornou à Fepecs e à Secretaria de Saúde do Distrito Federal como trabalhadores, professores ou colaboradores da formação de novas gerações.
“Muitos chegaram como alunos e hoje são profissionais que cuidam da população, ensinam novas gerações e contribuem para o SUS”, acrescentou.
Impacto para a rede pública de saúde
Ao completar 25 anos, a Fepecs e a ESCS reforçam um modelo de ensino que conecta a universidade ao serviço público. O impacto dessa integração aparece tanto na formação de profissionais quanto na produção de pesquisas relacionadas a problemas concretos da população.
Para o leitor, o efeito mais direto está na preparação de médicos, enfermeiros e outros profissionais para atuar em uma rede que atende milhões de brasileiros e enfrenta demandas variadas. Uma formação baseada na realidade do SUS pode contribuir para que esses trabalhadores conheçam melhor os fluxos de atendimento, a prevenção de doenças e a continuidade do cuidado.
A sessão no Senado também colocou em evidência a necessidade de manter investimentos em educação, pesquisa e valorização dos profissionais. A avaliação apresentada pelos parlamentares e pela direção da fundação é que a experiência acumulada ao longo de duas décadas e meia pode servir de base para ampliar a qualidade da assistência e fortalecer a ciência aplicada à saúde pública.