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Saúde

Schwannoma vestibular: sintomas, diagnóstico e quando o tratamento pode dispensar cirurgia

Redação Saiu Agora
28 de setembro de 2026 às 14:47
Schwannoma vestibular: sintomas, diagnóstico e quando o tratamento pode dispensar cirurgia
Foto: Divulgação
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Perda de audição em apenas um ouvido, zumbido unilateral, tontura ou desequilíbrio persistente devem ser avaliados por um médico, mas não significam automaticamente a presença de um tumor. Esses sinais podem aparecer em várias doenças do ouvido. Em alguns casos, porém, fazem parte do quadro de schwannoma vestibular, uma lesão geralmente benigna e de crescimento lento que nem sempre exige cirurgia.

Também conhecido como neurinoma vestibular ou neurinoma do acústico, o schwannoma vestibular se desenvolve a partir das células de Schwann. Essas células envolvem e dão suporte às fibras nervosas. A lesão costuma surgir na porção vestibular do nervo vestibulococlear, estrutura ligada à audição e ao equilíbrio.

Conforme cresce, o tumor pode ocupar o conduto auditivo interno, um canal ósseo localizado no crânio, e avançar em direção a uma região próxima de nervos e outras estruturas neurológicas importantes. Por isso, mesmo sendo normalmente benigno — ou seja, sem comportamento típico de disseminação para outros órgãos —, o quadro precisa de acompanhamento especializado.

Quais são os sintomas do schwannoma vestibular

Os sintomas variam conforme o tamanho, a localização e a velocidade de crescimento da lesão. Em muitos pacientes, eles aparecem de forma discreta e progressiva, o que pode atrasar a investigação. A alteração mais comum é a redução da audição em um dos lados, mas também pode haver diferença perceptível entre a capacidade auditiva dos dois ouvidos.

  • Perda auditiva unilateral ou assimétrica;
  • Zumbido persistente em apenas um ouvido;
  • Desequilíbrio ou sensação de instabilidade;
  • Tontura;
  • Outras alterações relacionadas à audição e ao equilíbrio.

O otorrinolaringologista Fernando Balsalobre, CRM-SP 150.700 e RQE 68.586, alerta que a presença isolada desses sinais não confirma o diagnóstico. “A perda auditiva ou o zumbido de um lado não indicam automaticamente um schwannoma. No entanto, quando são persistentes ou aparecem acompanhados de assimetria auditiva, merecem avaliação para identificar a causa”, explica.

A orientação é especialmente importante quando o sintoma não desaparece, piora com o tempo ou aparece associado a dificuldades de equilíbrio. O objetivo da consulta não é apenas procurar um tumor, mas também investigar outras causas possíveis para a perda auditiva, o zumbido e a tontura.

Como é feito o diagnóstico

A investigação normalmente começa com uma avaliação otorrinolaringológica e exames auditivos. Entre eles está a audiometria, teste que mede a capacidade de ouvir sons em diferentes frequências e permite comparar o desempenho dos dois ouvidos.

Quando os achados clínicos indicam necessidade de uma investigação mais detalhada, o médico pode solicitar uma ressonância magnética. O exame é usado para identificar e caracterizar a lesão, mostrando seu tamanho, sua localização e sua extensão. Também ajuda a avaliar a relação do schwannoma com nervos e estruturas próximas.

A ressonância pode ainda ser comparada com exames anteriores. Essa análise permite verificar se houve crescimento ao longo do tempo, informação importante para definir a conduta. Uma imagem isolada mostra a situação naquele momento, mas não necessariamente revela o comportamento futuro da lesão.

O National Institute on Deafness and Other Communication Disorders, instituto dos Estados Unidos voltado a estudos sobre surdez e distúrbios da comunicação, relaciona a perda auditiva unilateral ou assimétrica, o zumbido e as alterações do equilíbrio entre os sinais que podem aparecer nas fases iniciais. A instituição também ressalta que esses sintomas são encontrados em várias outras condições do ouvido.

Tratamento pode incluir acompanhamento, radiocirurgia ou cirurgia

O diagnóstico de schwannoma vestibular não significa, por si só, que o paciente será encaminhado imediatamente para uma operação. As opções de manejo incluem acompanhamento periódico, radiocirurgia e cirurgia. A escolha depende de uma avaliação individualizada.

O acompanhamento periódico, muitas vezes chamado de observação, pode ser considerado quando a lesão é pequena, os sintomas são controláveis e não há evidência de crescimento relevante. Nessa estratégia, o paciente realiza consultas e exames de imagem em intervalos definidos pela equipe médica. A proposta é acompanhar o comportamento do tumor e agir caso surjam mudanças que indiquem outra abordagem.

A radiocirurgia é uma modalidade que utiliza radiação concentrada para tentar controlar o crescimento da lesão, sem a abertura tradicional do crânio. Apesar do nome, não se trata necessariamente de uma cirurgia convencional. Já a cirurgia pode ser indicada em situações específicas, como tumores maiores, crescimento documentado, compressão de estruturas próximas ou sintomas que exijam uma intervenção mais direta.

Essas possibilidades não devem ser escolhidas apenas com base no tamanho medido na ressonância. A diretriz da European Association, citada na discussão sobre o tema, reforça que a decisão terapêutica precisa considerar outros fatores clínicos. Entre eles estão os sintomas, a audição, o equilíbrio, a localização da lesão, a evolução observada nos exames e as condições gerais do paciente.

Por que o tamanho não é o único critério

Dois pacientes com tumores de dimensões semelhantes podem ter necessidades diferentes. Um deles pode apresentar perda auditiva progressiva e crescimento documentado; outro pode ter uma lesão estável, poucos sintomas e condições para realizar acompanhamento regular. Da mesma forma, uma lesão menor, mas localizada em área de maior risco para estruturas importantes, pode exigir uma análise cuidadosa.

A decisão também precisa levar em conta os possíveis efeitos de cada tratamento. O nervo vestibulococlear participa da audição e do equilíbrio, e a região onde o schwannoma se desenvolve fica próxima de outras estruturas neurológicas. Por isso, o planejamento deve buscar o controle da lesão e, sempre que possível, a preservação das funções afetadas.

Quando procurar avaliação médica

O paciente deve buscar avaliação com um otorrinolaringologista diante de perda auditiva unilateral ou assimétrica, zumbido persistente de um lado, tontura recorrente ou alterações de equilíbrio. A consulta permite diferenciar sinais que podem ser investigados com exames simples daqueles que justificam uma ressonância magnética.

É importante não interpretar qualquer zumbido ou tontura como sinal de tumor. Ao mesmo tempo, minimizar sintomas persistentes pode atrasar o diagnóstico de doenças do ouvido que precisam de tratamento. A avaliação médica é o caminho para identificar a causa e definir se o caso exige apenas acompanhamento, exames adicionais ou uma intervenção.

Em resumo, o schwannoma vestibular costuma ser benigno e de crescimento lento, mas pode afetar a audição, o equilíbrio e estruturas próximas quando aumenta de tamanho. O diagnóstico combina exame clínico, avaliação auditiva e, quando indicada, ressonância magnética. O tratamento é individualizado e pode variar do monitoramento regular à radiocirurgia ou cirurgia — sem que o tamanho do tumor, isoladamente, determine a conduta.

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