A combinação de procedimentos não invasivos e terapias ortobiológicas vem ampliando as alternativas para pessoas que convivem com dor crônica na coluna, no quadril, no ombro e no joelho. A abordagem também é utilizada em casos de cefaleia e fibromialgia, sempre a partir da avaliação individual de cada paciente. No Agreste de Pernambuco, a Clínica InDor reúne técnicas como radiofrequência, indução eletromagnética, laser terapêutico e ondas de choque no atendimento em medicina da dor e ortopedia regenerativa.
A unidade é conduzida pelos médicos Caio Soprano, anestesiologista especializado em medicina da dor, e Mário Henrique Almeida. A proposta é identificar a origem do problema antes de definir a conduta, evitando que pacientes sejam submetidos a tratamentos iguais para dores que podem ter causas diferentes.
Dor crônica afeta milhões de pessoas no mundo
Considerada persistente quando dura mais de três meses, a dor crônica é um dos principais desafios atuais da saúde. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), agência das Nações Unidas responsável por orientar políticas globais de saúde, indicam que cerca de 1,71 bilhão de pessoas convivem com alguma condição musculoesquelética no mundo.
Entre esses problemas, a dor lombar aparece como a principal causa isolada de incapacidade em 160 países. Uma revisão publicada em 2026 no Journal of the American Medical Association (JAMA) estimou que aproximadamente 619 milhões de pessoas sofrem com dor lombar. O levantamento também aponta que a recuperação tende a ser mais lenta quando o quadro se torna crônico.
No Brasil, o envelhecimento da população é um dos fatores que ajudam a explicar o aumento desses casos. O desgaste natural de articulações, alterações na coluna, compressões de nervos e doenças inflamatórias podem se tornar mais frequentes com o passar dos anos. Além do desconforto físico, a dor prolongada pode comprometer o sono, o humor, a capacidade de trabalhar e a realização de atividades simples do dia a dia.
Diagnóstico define o tratamento da dor
Segundo Caio Soprano, muitos pacientes chegam ao atendimento depois de passar por cirurgias que não resolveram completamente o problema ou de usar medicamentos que proporcionam alívio limitado e temporário.
“A dor crônica atinge uma parcela expressiva da população brasileira e vem crescendo junto com o envelhecimento do país. Boa parte dos pacientes não busca tratamento adequado, e outra parte já passou por cirurgias que não resolveram ou depende de remédios que aliviam pouco e por pouco tempo”, afirma o médico.
Para o especialista, o primeiro passo é descobrir de onde a dor está partindo. Uma queixa na região lombar, por exemplo, pode estar relacionada a uma articulação desgastada, a um nervo comprimido, a um processo inflamatório ou à combinação de mais de um fator.
A investigação pode envolver:
- histórico clínico e evolução dos sintomas;
- exame físico;
- exames de imagem;
- testes específicos para localizar a origem da dor;
- análise de tratamentos anteriores e dos objetivos do paciente.
“Não existe uma dor igual à outra, mesmo quando os sintomas parecem parecidos. Isso exige histórico do paciente, exame físico, exames de imagem e, muitas vezes, testes que ajudam a localizar de onde a dor está partindo”, explica Soprano.
Como funcionam as técnicas utilizadas
Depois do diagnóstico, a equipe define a combinação mais adequada de recursos. O objetivo é considerar o tipo de dor, a região afetada, o tempo de duração, as tentativas anteriores de tratamento e o que o paciente espera recuperar, como dormir melhor, voltar ao trabalho ou retomar atividades físicas.
Radiofrequência
A radiofrequência utiliza energia para atuar em estruturas relacionadas à transmissão da dor. A indicação depende da avaliação médica e da causa identificada, já que o recurso não é adequado para todos os quadros.
Indução eletromagnética e laser terapêutico
A indução eletromagnética e o laser terapêutico são recursos usados com o objetivo de auxiliar na modulação da dor e na recuperação dos tecidos. A resposta pode variar de acordo com o diagnóstico, o tempo de evolução do problema e as condições gerais de cada pessoa.
Ondas de choque e terapias ortobiológicas
As ondas de choque podem ser empregadas em determinadas alterações musculoesqueléticas, enquanto as terapias ortobiológicas integram uma linha de cuidado voltada ao suporte dos processos de reparação e regeneração dos tecidos. A indicação precisa ser individualizada e não deve ser confundida com uma solução única para qualquer tipo de dor.
Tratamento deve ser individualizado
A principal mudança na abordagem da dor crônica é deixar de tratar apenas o sintoma sem investigar sua origem. A combinação de técnicas pode ser considerada quando há indicação clínica, mas não substitui a avaliação de um profissional habilitado nem garante o mesmo resultado para todos os pacientes.
Também é importante que a pessoa não interrompa por conta própria medicamentos, fisioterapia ou outros cuidados já prescritos. Dores persistentes, perda de força, alterações de sensibilidade ou limitações que pioram com o tempo exigem avaliação médica.
Ao reunir procedimentos e terapias diferentes, a medicina da dor busca oferecer alternativas para casos em que o tratamento convencional não foi suficiente. O foco é reduzir o sofrimento, melhorar a função e devolver qualidade de vida, com decisões baseadas nas características de cada paciente.