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Saúde

IA da Serv Medical estima economia de US$ 65 milhões em hospitais de Singapura e Tailândia

Redação Saiu Agora
29 de setembro de 2026 às 14:29
IA da Serv Medical estima economia de US$ 65 milhões em hospitais de Singapura e Tailândia
Foto: Divulgação
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Um sistema de apoio à decisão clínica desenvolvido pela Serv Medical pode gerar uma economia estimada de aproximadamente US$ 65 milhões por ano nos sistemas públicos de saúde de Singapura e da Tailândia. A projeção também aponta a liberação de mais de 72 mil dias-leito e a possibilidade de realização de cerca de 5.100 angioplastias eletivas adicionais por ano.

Os dados fazem parte de um estudo de impacto orçamentário apresentado no ISPOR Asia Pacific Summit 2026, realizado em Bangkok. A análise avaliou o uso de uma plataforma de inteligência artificial voltada ao apoio à decisão clínica após intervenções coronárias percutâneas, conhecidas pela sigla ICP. O procedimento é usado para desobstruir artérias do coração, geralmente por meio de angioplastia com cateter, e pode exigir um período de observação hospitalar depois da intervenção.

A plataforma analisa a prontidão do paciente para a alta e oferece informações para ajudar a equipe médica a tomar decisões mais rápidas e baseadas em dados. A ferramenta, no entanto, não substitui o profissional de saúde. Conforme o estudo, a decisão final continua sob responsabilidade do médico, que deve considerar o quadro clínico completo, os riscos e a evolução de cada paciente.

Como a inteligência artificial poderia reduzir o tempo de internação

O estudo comparou o cuidado padrão com o uso do sistema da Serv Medical em unidades públicas de Singapura e da Tailândia, considerando um período de um ano. A principal hipótese é que parte das internações mantidas por mais tempo após procedimentos eletivos poderia ser reduzida sem ampliar a infraestrutura hospitalar na mesma proporção.

Nos cenários simulados, o tempo médio de internação depois da angioplastia cairia de quatro para dois dias em Singapura. Na Tailândia, a redução projetada seria de dois para um dia. A liberação de leitos permitiria que os hospitais recebessem novos pacientes com a mesma estrutura física, desde que os resultados da modelagem sejam confirmados na prática e que a alta seja clinicamente segura.

  • Singapura: redução simulada de quatro para dois dias de internação após a angioplastia;
  • Tailândia: redução simulada de dois para um dia;
  • Capacidade hospitalar: mais de 72 mil dias-leito potencialmente liberados;
  • Procedimentos adicionais: aproximadamente 5.100 angioplastias eletivas por ano;
  • Impacto financeiro estimado: cerca de US$ 65 milhões anuais nos dois países.

Dia-leito é uma medida usada para calcular a ocupação hospitalar. Quando um paciente permanece internado por um dia, esse período corresponde a um dia-leito utilizado. A redução desse tempo não significa apenas economia direta: ela também pode diminuir filas, melhorar a organização das equipes e ampliar o acesso de pessoas que aguardam por procedimentos programados.

Estudo é uma projeção econômica, não uma prova clínica definitiva

Apesar dos resultados positivos, a própria análise destaca que as estimativas foram obtidas por meio de modelagem econômica. Esse tipo de estudo utiliza dados, premissas e cenários para calcular possíveis efeitos financeiros e operacionais de uma tecnologia. Ele é importante para orientar decisões de gestores públicos, mas não substitui ensaios clínicos, acompanhamento de pacientes ou avaliações realizadas diretamente em hospitais.

O trabalho aponta, por isso, a necessidade de validação por meio de programas-piloto em hospitais públicos. Na prática, esses projetos serviriam para verificar se a redução do tempo de internação é segura para diferentes perfis de pacientes, além de medir eventuais efeitos sobre reinternações, complicações, satisfação dos usuários e rotina das equipes de saúde.

A modelagem contou com o apoio de ferramentas de inteligência artificial. Segundo as informações divulgadas sobre o estudo, todos os dados, as premissas e as conclusões foram revisados e verificados pelos autores. A ressalva é relevante porque sistemas de IA podem apoiar a análise de grandes volumes de informação, mas dependem da qualidade dos dados utilizados e de supervisão humana para evitar interpretações inadequadas.

O que é um CDSS e qual é o papel da Serv Medical

O sistema avaliado é um CDSS, sigla em inglês para Clinical Decision Support System, ou sistema de apoio à decisão clínica. Essas plataformas organizam informações de saúde e apresentam alertas, recomendações ou avaliações que ajudam os profissionais durante o atendimento. O objetivo não é automatizar completamente o cuidado, mas apoiar decisões com base em critérios previamente definidos e em dados do paciente.

A Serv Medical é uma healthtech global, empresa de tecnologia voltada à área da saúde, com sede em Singapura. A companhia desenvolve sistemas de apoio à decisão clínica e soluções orientadas por dados para diferentes etapas da jornada do paciente. O estudo sobre angioplastias foi elaborado e publicado no âmbito da ISPOR por Arthur Schahin, Country Manager da empresa no Brasil, em coautoria com o CEO da Serv Medical Pte. Ltd.

A ISPOR é uma organização internacional ligada à pesquisa em economia da saúde e resultados clínicos. Seus trabalhos costumam abordar o custo, a efetividade e o impacto de novas tecnologias e tratamentos nos sistemas de saúde. A apresentação em um evento da entidade coloca o estudo no debate sobre como ferramentas digitais podem ajudar governos a administrar recursos limitados.

Regulação e próximos passos

A Serv Medical informa possuir marcos regulatórios nos Estados Unidos e no Brasil. Entre eles estão a liberação FDA 510(k) para seu sistema de apoio à decisão cirúrgica com inteligência artificial e a notificação da ServHub na Anvisa, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

A liberação FDA 510(k) indica que um dispositivo médico foi analisado pela autoridade regulatória norte-americana e considerado substancialmente equivalente a uma tecnologia já comercializada, dentro das condições autorizadas. Já a notificação na Anvisa integra o processo regulatório brasileiro para produtos sujeitos à vigilância sanitária. Esses marcos não eliminam a necessidade de avaliação local de desempenho, segurança e adequação ao uso em cada serviço de saúde.

O estudo não apresenta uma implantação efetiva da plataforma em hospitais públicos nem confirma que as economias projetadas já foram obtidas. Os números são uma estimativa para um cenário de uso após angioplastias eletivas. A confirmação dependerá de testes em ambiente real, da análise dos resultados clínicos e da decisão dos gestores sobre a adoção da tecnologia.

Se os resultados forem comprovados em programas-piloto, ferramentas desse tipo poderão contribuir para enfrentar um problema comum a diferentes sistemas de saúde: a limitação de leitos e a necessidade de atender mais pessoas com os recursos já disponíveis. Até lá, a principal conclusão é que a inteligência artificial pode funcionar como instrumento de apoio à gestão hospitalar, desde que usada com supervisão médica, transparência nos critérios e avaliação contínua dos efeitos sobre os pacientes.

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