Pular para o conteúdo
Saúde

Dia Nacional de Prevenção à Obesidade alerta para sinais que não devem ser ignorados

Redação Saiu Agora
29 de setembro de 2026 às 20:05
Dia Nacional de Prevenção à Obesidade alerta para sinais que não devem ser ignorados
Foto: Divulgação
Compartilhar: WhatsApp Facebook X LinkedIn

O ganho progressivo de peso, o aumento da circunferência abdominal e o chamado efeito sanfona podem ser mais do que questões estéticas. Esses sinais podem indicar o desenvolvimento da obesidade, uma doença crônica e multifatorial associada a maior risco de diabetes tipo 2, hipertensão, doenças cardiovasculares, apneia do sono, dores articulares e perda de mobilidade.

Celebrado em 11 de outubro, o Dia Nacional de Prevenção à Obesidade reforça a importância de reconhecer o problema antes que surjam complicações. O alerta é especialmente relevante diante dos dados da Pesquisa Nacional de Saúde, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE): 25,9% dos adultos brasileiros viviam com obesidade, o equivalente a aproximadamente 41,2 milhões de pessoas. O excesso de peso atingia 60,3% da população adulta.

Obesidade é uma doença crônica, não apenas uma questão de aparência

A obesidade resulta da combinação de fatores genéticos, metabólicos, comportamentais, ambientais e sociais. Alimentação, sono, estresse, uso de medicamentos, condições de saúde, rotina de trabalho e acesso a espaços para atividade física podem influenciar o ganho de peso. Por isso, a avaliação não deve se limitar ao número mostrado pela balança.

"A prevenção não deve começar somente quando a obesidade já comprometeu a saúde ou a qualidade de vida. Quanto mais cedo identificamos uma trajetória contínua de ganho de peso e suas causas, maiores são as possibilidades de intervir de maneira segura e evitar complicações", afirma o médico Joaquim Menezes, especialista em emagrecimento e longevidade e fundador do Instituto Evollution, em Alphaville.

O médico relata ter enfrentado pessoalmente a obesidade, quando chegou a pesar 137,8 quilos, e informa já ter acompanhado mais de 2 mil pacientes em tratamentos com medicamentos da classe dos GLP-1. Esses remédios são utilizados em situações específicas e precisam de indicação, acompanhamento e avaliação individualizada. Não devem ser usados por conta própria nem tratados como solução rápida para emagrecimento.

Sete sinais de alerta para procurar avaliação

A identificação precoce não significa que toda variação de peso represente uma doença. Oscilações pontuais podem ocorrer. O alerta está na repetição, na progressão e no impacto sobre a saúde e a rotina. Entre os sinais que merecem atenção estão:

  • Ganho contínuo de peso: aumentos pequenos, mas repetidos ao longo dos meses ou dos anos, podem indicar mudança na composição corporal e elevação do risco metabólico.
  • Aumento da circunferência abdominal: roupas que deixam de servir na região da cintura podem indicar maior acúmulo de gordura visceral, associado à resistência à insulina, diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares.
  • Efeito sanfona frequente: perder e recuperar peso repetidamente pode dificultar a manutenção de resultados e exige investigação das causas e do tipo de tratamento adotado.
  • Falta de ar ou cansaço em atividades simples: subir escadas, caminhar pequenas distâncias ou realizar tarefas diárias com dificuldade pode indicar impacto do excesso de peso sobre o condicionamento e o sistema cardiovascular.
  • Dores articulares e perda de mobilidade: joelhos, quadris e coluna podem sofrer com a sobrecarga, reduzindo a disposição para se movimentar e criando um ciclo de sedentarismo e mais ganho de peso.
  • Alterações no sono: ronco intenso, pausas na respiração e sonolência durante o dia podem estar relacionados à apneia obstrutiva do sono, condição que precisa de diagnóstico e tratamento.
  • Alterações metabólicas ou dificuldade persistente para controlar o peso: pressão alta, glicose elevada, mudanças no colesterol e tentativas repetidas sem resultado são motivos para buscar avaliação profissional.

Por que a medida da cintura também importa

O peso isoladamente não conta toda a história. Duas pessoas com o mesmo peso podem ter proporções diferentes de gordura visceral, massa muscular e distribuição de gordura. A gordura concentrada no abdômen é considerada um importante marcador de risco porque está relacionada a alterações hormonais e metabólicas que podem afetar o funcionamento do organismo.

"Não é necessário aguardar um grande aumento de peso para buscar ajuda. Ganhar dois ou três quilos repetidamente, ano após ano, pode representar uma mudança importante na composição corporal e no risco metabólico", explica Joaquim Menezes.

A avaliação pode incluir histórico de peso, hábitos alimentares, rotina de sono, nível de atividade física, uso de medicamentos, exames laboratoriais e medidas corporais. Em alguns casos, também pode envolver investigação de doenças associadas, como diabetes, hipertensão, alterações no colesterol e distúrbios do sono.

Prevenção começa antes das complicações

O objetivo da prevenção não é estimular dietas radicais ou estabelecer um padrão estético. A proposta é interromper uma trajetória de piora da saúde com medidas seguras e sustentáveis. A conduta pode envolver mudanças graduais na alimentação, aumento progressivo da atividade física, tratamento de problemas do sono, acompanhamento psicológico e uso de medicamentos quando houver indicação.

O atendimento pode começar na unidade básica de saúde, com avaliação clínica e encaminhamento, quando necessário, para profissionais como nutricionista, endocrinologista, psicólogo, educador físico ou especialista em medicina do sono. A escolha do tratamento depende do quadro de cada pessoa, do histórico de saúde e da presença de outras doenças.

O que fazer diante dos sinais

  • Observe a evolução do peso e da medida da cintura ao longo do tempo, e não apenas uma pesagem isolada.
  • Procure uma unidade de saúde ou profissional habilitado se houver ganho contínuo de peso, falta de ar, dores, alteração da pressão ou glicose elevada.
  • Evite medicamentos, fórmulas, dietas restritivas e produtos para emagrecer sem orientação.
  • Informe ao profissional sobre sono, estresse, alimentação, atividade física e remédios em uso.
  • Estabeleça metas realistas e acompanhe também indicadores de saúde, mobilidade, disposição e qualidade do sono.

O Dia Nacional de Prevenção à Obesidade chama atenção para uma mudança de abordagem: quanto mais cedo os sinais forem reconhecidos, maior a possibilidade de evitar o avanço da doença e reduzir seus impactos. Buscar ajuda antes de uma complicação não é exagero, mas uma medida de cuidado com a saúde.

Assuntos

Relacionadas

Leia também