Uma técnica de cirurgia plástica conhecida como deep plane facelift busca melhorar o contorno do rosto e do pescoço por meio do reposicionamento de estruturas localizadas abaixo da pele. A abordagem foi explicada pelo cirurgião plástico Gibran Chedid, que destaca a diferença entre tratar apenas a superfície da face e atuar nos tecidos responsáveis pela sustentação e pela definição do contorno facial.
O procedimento não se resume à tração da pele. A técnica envolve a liberação controlada de ligamentos de retenção, o reposicionamento do SMAS — sigla em inglês para sistema músculo-aponeurótico superficial —, do músculo platisma e da gordura malar, localizada na região das maçãs do rosto. Em alguns casos, o planejamento também pode incluir uma abordagem endoscópica nas áreas temporais e dos supercílios.
Como funciona o deep plane facelift
O rosto possui diferentes camadas de pele, gordura, músculos e tecidos de sustentação. Os ligamentos de retenção conectam essas estruturas e ajudam a mantê-las posicionadas. Com o passar do tempo, alterações nessas camadas podem contribuir para a queda dos tecidos, a perda de definição da mandíbula e a formação de mudanças no contorno do pescoço.
Na técnica deep plane, o cirurgião trabalha em um plano mais profundo da face. A revisão técnica publicada em 2018 descreve a liberação desses ligamentos na face e no pescoço para ampliar a mobilidade do SMAS e do platisma. Com maior mobilidade, pele, SMAS e gordura malar podem ser deslocados em conjunto, formando o chamado retalho composto.
Esse retalho pode ser reposicionado para tratar principalmente a região média da face e o ângulo da mandíbula. A proposta é devolver suporte aos tecidos profundos, em vez de concentrar o resultado na tensão da pele. Na região cervical, o plano profundo pode ser estendido até o pescoço, permitindo o reposicionamento do platisma e o reforço do contorno abaixo da mandíbula.
Estruturas tratadas na cirurgia
- Ligamentos de retenção: são liberados de maneira controlada para permitir a movimentação dos tecidos;
- SMAS: camada de sustentação que participa do suporte dos tecidos faciais;
- Platisma: músculo que se estende pela parte inferior da face e pelo pescoço;
- Gordura malar: tecido localizado na região das maçãs do rosto, que pode ser reposicionado;
- Região cervical: área abaixo da mandíbula e do pescoço, com foco na melhora do contorno.
Estudo avaliou volume e definição da mandíbula
Os resultados de uma modificação da técnica, chamada extended deep plane facelift, foram analisados em um estudo prospectivo publicado em 2019. A pesquisa acompanhou 89 pacientes, considerando um total de 178 lados faciais, durante um período médio de 19 meses.
As medições foram feitas por meio de fotografias tridimensionais. De acordo com o estudo, houve ganho médio de 3,5 cm³ de volume na área gonial, região relacionada ao ângulo da mandíbula. A medida visual do contorno mandibular também aumentou de 7,1 centímetros para 9,8 centímetros.
Esses dados fornecem uma avaliação objetiva dos efeitos da modificação da técnica sobre o volume e a definição mandibular. O estudo, porém, representa um grupo específico de pacientes e não significa que o mesmo resultado será obtido por todas as pessoas. A indicação, o alcance do procedimento e a resposta individual dependem da anatomia e das necessidades de cada paciente.
Combinação com endoscopia pode ampliar o planejamento
Segundo Gibran Chedid, o planejamento pode combinar diferentes vias de acesso. Nas regiões temporal e dos supercílios, pode ser utilizada a abordagem endoscópica. Já as áreas média e inferior da face e o pescoço podem ser tratados com a técnica deep plane, quando a anatomia do paciente permitir.
A endoscopia utiliza pequenas incisões e instrumentos específicos para permitir a visualização e o tratamento de determinadas áreas. No contexto descrito pelo cirurgião, a combinação das técnicas procura tratar diferentes planos de sustentação, com a possibilidade de limitar o descolamento da pele em situações selecionadas. Isso não transforma o procedimento em uma solução padronizada: a decisão depende da avaliação individual e dos objetivos cirúrgicos.
"Estas estruturas profundas são tratadas, e elas refletem seu reposicionamento na pele", afirmou o cirurgião.
Quando outros recursos podem ser usados
Em situações específicas, enxertos de gordura ou nanofat podem ser associados ao procedimento. Esses recursos funcionam como complementos do planejamento, enquanto o foco principal do deep plane permanece no reposicionamento das estruturas profundas.
O uso de gordura pode fazer parte da estratégia para ajustar volume e transições do contorno facial, mas não substitui a avaliação das camadas de sustentação. A escolha de utilizar ou não esse recurso depende do exame do paciente e da análise das regiões temporal, média e inferior da face, além do pescoço.
Indicação depende da avaliação individual
A escolha entre as diferentes abordagens deve considerar quais áreas precisam ser tratadas e como os tecidos estão distribuídos em cada pessoa. Entre os fatores avaliados estão a necessidade de correção nas regiões temporais, nos supercílios, na parte média da face, na linha mandibular e no pescoço.
O deep plane facelift é, portanto, uma técnica que trabalha com o reposicionamento de tecidos profundos e não apenas com a retirada ou a tração da pele. A indicação deve ser feita por profissional habilitado, com avaliação clínica, explicação sobre as alternativas e discussão individualizada dos benefícios, limitações e riscos do procedimento. O cirurgião responsável pela avaliação deve possuir registro profissional e qualificação compatíveis com a realização da cirurgia.
Gibran Chedid informa os registros CRM-SC 16479, RQE-SC 22778, CRM-SP 248194 e RQE-SP 121844.