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Saúde

Consultas oftalmológicas podem prevenir ou tratar a tempo 75% das deficiências visuais

Redação Saiu Agora
29 de setembro de 2026 às 15:56
Consultas oftalmológicas podem prevenir ou tratar a tempo 75% das deficiências visuais
Foto: Divulgação
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Manter consultas regulares com o oftalmologista pode evitar, prevenir ou permitir o tratamento precoce de até 75% das deficiências visuais, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). O alerta chama atenção para um hábito comum no Brasil: procurar atendimento apenas quando surge dificuldade para enxergar ou quando é necessário atualizar o grau dos óculos.

O problema é que diversas doenças dos olhos evoluem por longos períodos sem apresentar sintomas claros. Quando a pessoa percebe uma alteração importante na visão, a enfermidade pode já estar em estágio avançado, com risco de danos permanentes. Por isso, a avaliação oftalmológica não deve ser confundida apenas com um exame para verificar a necessidade de óculos.

Mais de 6 milhões de brasileiros têm algum tipo de deficiência visual

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que mais de 6 milhões de pessoas no Brasil convivem com algum tipo de deficiência visual. A dimensão do problema reforça a importância da prevenção e do diagnóstico precoce, especialmente porque parte significativa das doenças oculares pode ser identificada antes que o paciente note mudanças na capacidade de enxergar.

O oftalmologista Marcos Ávila, presidente do CBCO e especialista em saúde ocular, afirma que ainda existe uma compreensão limitada sobre a finalidade da consulta. Em entrevista a um programa da TV Câmara, ele destacou que a avaliação precisa investigar o que está por trás da necessidade de correção visual.

“Na verdade, o grande problema é o que está por trás daquilo que a gente está examinando, por trás daquele grau de correção”, explicou o médico.

Na prática, o exame pode ajudar a identificar alterações que não seriam percebidas em uma simples verificação da acuidade visual. Entre os problemas que podem ser investigados estão:

  • catarata, que pode reduzir progressivamente a transparência do cristalino;
  • descolamento de retina, uma condição que pode comprometer a visão e exige avaliação médica;
  • retinopatia diabética, relacionada às alterações provocadas pelo diabetes nos vasos sanguíneos da retina;
  • glaucoma, doença que pode danificar o nervo óptico de forma gradual;
  • outras alterações capazes de afetar a visão em diferentes fases da vida.

Glaucoma pode avançar sem sintomas no início

Entre as doenças que mais preocupam os especialistas está o glaucoma. De acordo com estimativa do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), cerca de 1 milhão de brasileiros têm a doença. O conselho também estima que aproximadamente 70% dessas pessoas ainda não tenham sido diagnosticadas.

O glaucoma costuma ser associado ao aumento da pressão dentro do olho, mas a avaliação médica considera um conjunto de fatores e alterações, principalmente os danos ao nervo óptico. O avanço pode ocorrer de maneira silenciosa, sem dor ou perda perceptível da visão nas fases iniciais. Com o tempo, porém, a doença pode comprometer o campo visual e causar perdas irreversíveis.

É justamente essa evolução silenciosa que torna arriscado esperar o aparecimento de sintomas para buscar atendimento. Segundo Marcos Ávila, a consulta deve fazer parte dos cuidados de rotina, mesmo quando a pessoa acredita estar enxergando normalmente.

“O brasileiro precisa consultar o oftalmologista como parte da rotina, mesmo sem sentir nada”, ressaltou o especialista.

Cuidados com a visão devem começar na infância

A saúde ocular não deve ser tratada apenas como uma preocupação do envelhecimento. O acompanhamento precisa considerar diferentes fases da vida, começando pela infância. Alterações não identificadas nos primeiros anos podem interferir no desenvolvimento visual e no desempenho da criança em atividades escolares e cotidianas.

Na infância, a avaliação pode ajudar a reconhecer dificuldades que nem sempre são comunicadas pela própria criança. Problemas para acompanhar a leitura, aproximar demais os objetos dos olhos, apresentar dor de cabeça frequente ou demonstrar desinteresse por atividades que exigem visão podem merecer atenção dos responsáveis. Esses sinais não confirmam uma doença, mas indicam a necessidade de avaliação profissional.

Na vida adulta, o acompanhamento continua importante, sobretudo para pessoas com histórico familiar de doenças oculares ou condições que podem afetar a visão, como o diabetes. Já no envelhecimento, aumenta a atenção para alterações relacionadas à catarata, ao glaucoma e a outras doenças que podem surgir ou se agravar com o passar dos anos.

Por que o exame de vista não é suficiente?

O exame destinado a verificar o grau dos óculos mede a capacidade de enxergar determinadas imagens ou letras, mas a consulta oftalmológica pode incluir uma investigação mais ampla da estrutura e do funcionamento dos olhos. O objetivo é verificar se há sinais de doenças que não causam sintomas no início.

Essa diferença é importante porque uma pessoa pode conseguir enxergar relativamente bem e, ainda assim, apresentar alterações oculares. A ausência de dor ou de uma perda evidente da visão, portanto, não garante que os olhos estejam saudáveis.

O diagnóstico antecipado não significa que todos os problemas possam ser eliminados, mas amplia as possibilidades de prevenção, controle e tratamento. Em muitos casos, identificar a doença antes do agravamento é o que permite preservar a visão e reduzir o impacto sobre a autonomia e a qualidade de vida.

Quando procurar atendimento oftalmológico

A orientação central dos especialistas é não esperar a visão piorar para marcar uma consulta. O atendimento deve ser buscado com prioridade diante de mudanças repentinas ou progressivas, como:

  • perda ou redução da visão;
  • visão embaçada ou distorcida;
  • dor ou vermelhidão persistente nos olhos;
  • aparecimento de manchas, flashes ou sombras no campo visual;
  • dificuldade visual em crianças ou alterações percebidas pelos responsáveis.

Esses sinais podem ter causas diferentes e não permitem diagnóstico por conta própria. A avaliação deve ser feita por um oftalmologista, que poderá indicar os exames necessários e o tratamento adequado.

O dado da OMS de que 75% das deficiências visuais poderiam ser evitadas, diagnosticadas ou tratadas a tempo mostra que a prevenção depende tanto do acesso aos serviços de saúde quanto da mudança de comportamento. Incorporar a consulta oftalmológica à rotina é uma medida simples, mas pode fazer diferença antes que uma doença silenciosa provoque danos permanentes.

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