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Saúde

Andrologia amplia o cuidado com a saúde sexual, hormonal e reprodutiva dos homens

Redação Saiu Agora
29 de setembro de 2026 às 17:09
Andrologia amplia o cuidado com a saúde sexual, hormonal e reprodutiva dos homens
Foto: Divulgação
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A andrologia, área da medicina voltada à saúde sexual, hormonal e reprodutiva do homem, tem ganhado espaço por propor uma avaliação mais ampla do paciente. A ideia é não tratar apenas sintomas como disfunção erétil, queda da libido ou ejaculação precoce, mas investigar também fatores hormonais, metabólicos, emocionais e relacionados ao estilo de vida.

Segundo o urologista Dr. Gabriel Cardoso, que atua em Belo Horizonte (MG) com foco nessa área, a avaliação individualizada é importante porque diferentes causas podem aparecer ao mesmo tempo. Quando cada sintoma é analisado de forma isolada, o tratamento pode não alcançar o resultado esperado.

Saúde masculina envolve mais do que desempenho sexual

O acompanhamento andrológico pode incluir a investigação de alterações na função sexual, nos níveis hormonais, na fertilidade e na saúde reprodutiva. Também considera aspectos que interferem diretamente no bem-estar, como ganho de peso, sedentarismo, estresse, ansiedade, privação de sono, consumo de álcool e alterações metabólicas.

Para o médico, os homens estão mais dispostos a falar sobre esses assuntos do que no passado, embora ainda exista resistência em procurar ajuda. “Temas como dificuldade de ereção, queda da libido, ejaculação precoce e alterações hormonais estão deixando, aos poucos, de ser assuntos que o homem simplesmente precisa esconder ou aceitar”, afirma Gabriel Cardoso.

Apesar dessa mudança, muitos pacientes ainda chegam ao consultório somente quando o problema já interfere de maneira significativa na vida sexual, no relacionamento ou na rotina. Nesses casos, a consulta pode revelar que a queixa inicial está associada a outros fatores de saúde que também precisam de atenção.

Quando a disfunção erétil deve ser investigada

Uma alteração pontual na função sexual pode ocorrer com qualquer homem. Estresse, ansiedade, excesso de álcool e noites mal dormidas, por exemplo, podem afetar temporariamente a resposta sexual. O sinal de alerta aparece quando a dificuldade se torna frequente, persistente ou começa a causar impacto emocional e no relacionamento.

Entre os sinais que merecem avaliação médica estão:

  • dificuldade frequente para obter ou manter uma ereção;
  • redução persistente do desejo sexual;
  • desaparecimento das ereções espontâneas;
  • queda importante da disposição;
  • episódios recorrentes de ejaculação precoce ou outras alterações que provoquem sofrimento.

Estimativas citadas na área médica indicam que cerca de 100 milhões de homens no mundo apresentam disfunção erétil. O número ajuda a dimensionar a frequência do problema, mas não significa que todos os casos tenham a mesma causa ou devam receber o mesmo tratamento.

Problema sexual pode indicar risco cardiovascular

A disfunção erétil não deve ser interpretada apenas como uma questão de desempenho. A ereção depende do funcionamento adequado dos vasos sanguíneos, do sistema nervoso, dos hormônios e de fatores psicológicos. Por isso, uma alteração persistente pode estar relacionada a condições como obesidade, sedentarismo, diabetes, hipertensão, alterações do colesterol e outros problemas metabólicos.

“Em alguns homens, ela pode estar associada a alterações vasculares e metabólicas e funcionar como uma oportunidade para identificar fatores de risco cardiovascular ainda não diagnosticados”, pontua o urologista.

Essa relação não permite concluir, por si só, que um paciente tenha uma doença cardíaca. No entanto, uma mudança persistente na função sexual pode justificar uma avaliação mais completa da saúde. A queixa pode aparecer antes de outros sinais perceptíveis de alterações circulatórias, o que reforça a importância de não tratar o assunto com vergonha ou automedicação.

Consulta avalia causas físicas e emocionais

O atendimento em andrologia costuma partir da história do paciente: quando os sintomas começaram, com que frequência aparecem, se existem ereções espontâneas, quais medicamentos são usados e como estão o sono, o humor, a alimentação e a prática de atividades físicas. Dependendo do caso, o médico pode solicitar exames para analisar hormônios, glicemia, colesterol e outros indicadores de saúde.

A avaliação também pode considerar questões emocionais. Ansiedade de desempenho, estresse prolongado, conflitos no relacionamento e sintomas depressivos podem contribuir para a dificuldade sexual ou agravar um problema de origem física. Isso não significa reduzir a queixa a um fator psicológico, mas reconhecer que a saúde sexual resulta da combinação de diferentes aspectos.

Da mesma forma, a presença de uma causa orgânica não elimina a possibilidade de fatores emocionais envolvidos. O cuidado individualizado busca identificar o conjunto de elementos que está afetando o paciente para definir a conduta mais adequada.

Busca por atendimento deve ocorrer sem automedicação

Medicamentos para disfunção erétil, reposição hormonal e produtos anunciados para aumentar o desempenho sexual não devem ser utilizados sem avaliação profissional. A escolha do tratamento depende da causa, das condições clínicas e dos medicamentos já usados pelo paciente. O uso inadequado pode provocar efeitos adversos, interações medicamentosas e mascarar problemas que precisam ser investigados.

Também é importante não interromper remédios de uso contínuo por conta própria. Alguns medicamentos podem influenciar a libido ou a ereção, mas qualquer alteração deve ser discutida com o profissional responsável, que poderá avaliar alternativas com segurança.

O cuidado preventivo inclui manter atividade física regular, controlar o peso, reduzir o consumo de álcool, não fumar, dormir adequadamente e acompanhar fatores como pressão arterial, glicemia e colesterol. Essas medidas não substituem a consulta, mas ajudam a proteger a saúde vascular, metabólica e sexual.

A orientação central é observar a persistência dos sintomas. Dificuldades ocasionais podem estar ligadas a situações passageiras, mas alterações repetidas, queda importante do desejo, ausência de ereções espontâneas ou perda de disposição devem ser levadas a um urologista ou profissional habilitado. A andrologia amplia esse olhar ao tratar a saúde sexual masculina como parte do cuidado integral com o corpo e com a qualidade de vida.

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