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Saúde

Alopecia areata pode causar queda de cabelo em episódios e afetar autoestima

Redação Saiu Agora
27 de setembro de 2026 às 19:29
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A alopecia areata é uma doença autoimune que provoca queda de cabelo e de pelos em diferentes partes do corpo. Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), a condição atinge cerca de 2% da população mundial e pode surgir em qualquer fase da vida. Apesar de não causar feridas ou cicatrizes no couro cabeludo, a perda dos fios costuma afetar a autoestima e a rotina de quem convive com o problema.

A doença ocorre quando o próprio sistema imunológico passa a atacar o folículo piloso, estrutura responsável pela formação do pelo. Com isso, o organismo impede que um fio saudável se forme e permaneça no local. A dermatologista Enilde Borges Costa, da SBD, define a alopecia areata como uma doença imprevisível, porque a evolução varia de uma pessoa para outra e os episódios podem aparecer e desaparecer ao longo do tempo.

Como a alopecia areata se manifesta

Um dos sinais mais comuns é o surgimento de áreas sem cabelo no couro cabeludo. Em geral, a pele permanece íntegra, sem lesão, descamação, ferida ou cicatriz. A ausência dos fios pode ser percebida também em outras regiões, como barba, cílios e sobrancelhas.

A doença pode ocorrer de forma cíclica. Depois de um período de queda, os fios podem voltar a crescer na área afetada, mas um novo episódio pode surgir posteriormente. De acordo com a dermatologista, a alopecia areata apresenta três formas principais:

  • Alopecia areata em pequenas áreas: a queda aparece em pontos localizados do couro cabeludo;
  • Alopecia areata total: ocorre a perda do cabelo de todo o couro cabeludo;
  • Alopecia areata universal: há perda dos pelos de todo o corpo.

A extensão da queda não é o único aspecto observado pelos profissionais. A presença de falhas na barba, nas sobrancelhas ou nos cílios também pode ajudar na avaliação clínica. Em algumas situações, o cabelo pode se soltar com facilidade ao ser tracionado suavemente, um sinal que auxilia o dermatologista durante o exame.

Diagnóstico é feito em consulta médica

O diagnóstico da alopecia areata costuma ser realizado no próprio consultório, a partir da observação das áreas sem pelos e da avaliação do histórico do paciente. Até o momento, não existe exame laboratorial ou de imagem específico capaz de confirmar sozinho a doença.

Isso não significa que toda queda de cabelo seja alopecia areata. A perda dos fios pode ter outras causas, e a avaliação médica é importante para diferenciar os problemas e indicar a conduta adequada. Ao perceber falhas repentinas, queda intensa ou perda de pelos em outras partes do corpo, a orientação é procurar um dermatologista.

Estresse pode desencadear crises, mas não explica todos os casos

A alopecia areata tem relação com fatores genéticos e com o funcionamento do sistema imunológico. A doença pode surgir ou ser reativada depois de situações que alteram as defesas do organismo, como um quadro infeccioso ou a presença de outra doença autoimune.

O estresse intenso também pode atuar como um fator desencadeante em alguns casos. No entanto, a dermatologista alerta que a condição não deve ser tratada simplesmente como consequência de um problema emocional. A alopecia areata não é considerada, pelo conceito geral, uma doença psicossomática.

Essa distinção é importante porque atribuir toda a responsabilidade ao estado emocional pode aumentar a culpa do paciente. Quem enfrenta uma nova crise pode passar a acreditar que provocou a própria queda de cabelo por estar ansioso, triste ou sob pressão. Segundo Enilde, existem diferentes fatores envolvidos, e nem sempre é possível apontar uma causa única para cada episódio.

Impacto na autoestima e na vida cotidiana

Embora a alopecia areata não provoque feridas, a mudança na aparência pode ter forte impacto emocional. O cabelo, a barba, os cílios e as sobrancelhas fazem parte da identidade e da forma como muitas pessoas se apresentam socialmente. Por isso, o surgimento de falhas pode causar constrangimento, insegurança e dificuldade para lidar com comentários ou olhares.

A perda dos fios pode ocorrer de maneira visível e inesperada, inclusive em pessoas que nunca tiveram problemas semelhantes. Como os episódios são imprevisíveis, a preocupação não se limita à queda já existente: também pode envolver o receio de que novas áreas sejam atingidas.

O acompanhamento médico ajuda a esclarecer o diagnóstico e a acompanhar a evolução do quadro. Também é importante que familiares, amigos e colegas evitem comentários que responsabilizem o paciente ou reduzam a doença a uma questão estética. O acolhimento é parte relevante da convivência com uma condição que pode alternar períodos de queda e crescimento dos fios.

O que observar

  • Áreas arredondadas ou bem delimitadas sem cabelo;
  • Queda repentina em partes do couro cabeludo;
  • Falhas na barba, nas sobrancelhas ou nos cílios;
  • Fios que se soltam com facilidade em determinadas regiões;
  • Novos episódios de queda depois de um período de crescimento.

Esses sinais não substituem o diagnóstico profissional. A recomendação é não iniciar medidas por conta própria e buscar atendimento dermatológico para investigar a causa da queda. Com informação correta, o paciente pode compreender melhor a doença, reduzir a culpa associada às crises e tomar decisões com acompanhamento adequado.

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