Um homem foi preso em Machado, no Sul de Minas, suspeito de participar de um esquema que utilizava motoboys para trocar e depositar cheques falsificados. A investigação começou depois que o gerente de uma agência bancária identificou sinais de fraude em um cheque apresentado por um trabalhador contratado por telefone.
Motoboy foi contratado para trocar cheque e depositar o dinheiro
De acordo com as informações apuradas, o motoboy procurou a agência para cumprir uma tarefa solicitada por uma pessoa que havia entrado em contato por telefone. A orientação era trocar o cheque e, em seguida, depositar o valor em uma conta bancária indicada pelo contratante.
Durante o atendimento, o gerente percebeu que o documento apresentava indícios de falsificação e acionou a Polícia Civil. O trabalhador foi ouvido pelos policiais e relatou como havia sido contratado. Segundo a apuração, ele não demonstrou ter conhecimento de que o cheque fazia parte de uma fraude.
Enquanto os investigadores verificavam o caso, um segundo motoboy compareceu à mesma agência em circunstâncias semelhantes. Ele também portava um cheque com características parecidas com o primeiro documento e afirmou ter sido contratado para realizar um serviço. Os relatos dos dois trabalhadores indicaram que eles poderiam estar sendo usados pelo responsável pelo golpe, sem participação consciente na falsificação.
Investigação também encontrou ocorrência semelhante em Campestre
A Polícia Civil identificou ainda que uma situação parecida havia sido registrada em Campestre, município da mesma região. Na ocasião, dois cheques falsificados foram apresentados em uma agência bancária.
A repetição do método em cidades próximas reforçou a suspeita de que os casos poderiam estar ligados a um mesmo esquema. O uso de trabalhadores contratados por telefone, sem contato direto inicial com o responsável, também dificultou a identificação de quem estaria por trás da operação.
Polícia prepara abordagem em Bandeira do Sul
Para tentar localizar o suspeito, os policiais orientaram um dos motoboys a manter contato com ele. A estratégia foi combinar um encontro para a entrega do dinheiro. O objetivo era acompanhar a movimentação e realizar a abordagem no momento em que o suspeito encontrasse o trabalhador.
O encontro foi marcado em Bandeira do Sul, município localizado a cerca de 60 quilômetros de Machado. Os policiais acompanharam a situação e visualizaram o homem abordando o motociclista. Ao perceber a aproximação da equipe, ele tentou fugir, mas foi contido.
Durante a abordagem, foram apreendidos:
- Dois cheques falsos;
- Valor total estimado em aproximadamente R$ 8 mil;
- Um celular, que poderá contribuir para o avanço das investigações.
Investigações continuam para identificar outros envolvidos
O homem foi preso e levado para os procedimentos cabíveis. A apuração continua para verificar a participação de outras pessoas no esquema e esclarecer como os cheques eram produzidos, de onde vinham os dados utilizados nos documentos e para quais contas os valores seriam encaminhados.
Em casos desse tipo, os investigadores analisam documentos apreendidos, aparelhos celulares, contatos telefônicos e movimentações bancárias. Essas informações podem ajudar a estabelecer a ligação entre os episódios registrados em Machado e Campestre, além de apontar se outras vítimas ou trabalhadores foram envolvidos.
Como funciona o golpe investigado
A dinâmica descrita pelas autoridades envolve a apresentação de um cheque fraudulento em uma instituição financeira e a utilização de um intermediário para realizar tarefas como troca, saque ou depósito. O intermediário pode ser atraído por uma oferta de serviço e receber instruções apenas por telefone ou aplicativos de mensagem.
O fato de os motoboys terem sido contratados para executar etapas específicas não elimina a necessidade de investigação, mas os relatos reunidos até o momento indicam que eles não sabiam da origem ilícita dos cheques. A Polícia Civil deverá reunir outros elementos antes de definir a responsabilidade individual de cada possível envolvido.
O caso serve também de alerta para trabalhadores que recebem propostas de serviços envolvendo dinheiro, cheques ou transferências para contas de terceiros. Antes de aceitar esse tipo de tarefa, é importante confirmar a identidade do contratante, desconfiar de pedidos feitos apenas por telefone e não movimentar valores cuja origem não possa ser comprovada.