A terceira edição do MFM – Mercado Futuro da Música terminou no HackTown 2026 com resultados práticos para artistas e profissionais da indústria musical. Durante três dias, a Casa MFM, em Santa Rita do Sapucaí, no Sul de Minas, reuniu apresentações, debates, encontros profissionais e atividades de criação que aproximaram artistas, produtores, executivos, curadores e outros agentes do setor.
A programação teve 18 apresentações artísticas e incluiu Song Camps voltados à composição de canções, à criação de trilhas para produções audiovisuais e ao desenvolvimento de música para games. O formato transforma o evento em um espaço de trabalho colaborativo, no qual os participantes não apenas discutem o mercado, mas também produzem conteúdos que podem seguir para gravação, filmes e outros projetos.
Song Camps geram trilhas para filme e curta-metragem
Um dos principais resultados desta edição foi o Song Camp de Audiovisual, realizado em parceria com o SINDAV – Sindicato da Indústria do Audiovisual. A atividade resultou na criação de duas trilhas sonoras originais, destinadas a um filme documentário e a um curta-metragem que estão em fase de finalização.
Na prática, a iniciativa aproxima compositores e profissionais do audiovisual em uma etapa decisiva de uma produção: a construção da identidade sonora de uma obra. A trilha pode ajudar a definir o ritmo, a atmosfera e a emoção de uma cena. Como os trabalhos criados no MFM serão destinados a produções que já estão sendo finalizadas, o resultado do encontro tem possibilidade de chegar ao público por meio desses filmes.
O Song Camp de Canções também produziu novos materiais. Duas obras foram compostas durante o encontro e devem ser gravadas em breve. No último dia do HackTown, as criações desenvolvidas nos Song Camps foram apresentadas ao vivo ao público. Dessa forma, o processo realizado nos bastidores passou a integrar a programação aberta da Casa MFM.
O que é um Song Camp
O Song Camp é uma dinâmica de criação coletiva que reúne compositores, produtores e músicos durante um período concentrado de trabalho. Os participantes desenvolvem canções ou trilhas a partir de ideias, referências e propostas definidas no próprio encontro. O modelo é usado em diferentes mercados musicais porque estimula parcerias e acelera o desenvolvimento de repertório.
No MFM, a proposta foi aplicada a três frentes: canções, audiovisual e games. Embora cada área tenha objetivos próprios, todas dependem de profissionais capazes de combinar criação artística, conhecimento técnico e compreensão das novas formas de circulação e consumo de música.
Casa MFM reúne apresentações e novos nomes da música brasileira
Os showcases foram outro eixo importante da programação. As apresentações mostraram diferentes linguagens e trabalhos da música brasileira, com participação de artistas como Ana Morais, André Prando, Pedro Emílio, Matheus Torres e Colomy. Paulo Monarco também integrou a programação, ao lado de outros nomes apresentados na Casa MFM.
Além dos shows, o espaço funcionou como ponto de encontro para profissionais em diferentes momentos da carreira. Essa combinação entre palco, formação e articulação de negócios é uma das características do Mercado Futuro da Música: o público acompanha os artistas, enquanto os participantes podem trocar experiências e desenvolver projetos em conjunto.
Debates discutem inteligência artificial e direitos autorais
A programação de debates e conferências tratou de temas que estão mudando a indústria musical. Entre os assuntos estiveram o uso da inteligência artificial, os direitos autorais, a construção de carreira e a longevidade artística, além de curadoria, novas tecnologias, relação entre marcas e música, festivais, conferências e formação de novos mercados.
Participaram das conversas profissionais como Marcos Maynard, Paulo Junqueiro, Simoninha, Dani Black e Marcelo Falcão. Também contribuíram Bruna Campos, Dani Pepper, Pena Schmidt, Carol de Amar, Renné Chalú, Simone Marçal, Larissa Sossai, Alan Wallace, César Lemos, Daniela Fernandes, Vanessa Schutt e Daniela Souza, entre outros convidados.
A discussão sobre inteligência artificial ganhou espaço porque ferramentas automatizadas já interferem em etapas como composição, produção, distribuição e divulgação de músicas. O avanço tecnológico, porém, também amplia dúvidas sobre autoria, uso de obras protegidas e remuneração dos criadores. Por isso, o debate aparece ligado diretamente ao tema dos direitos autorais e à necessidade de adaptação dos profissionais do setor.
Outro ponto central é a sustentabilidade da carreira artística. Em um mercado com grande volume de lançamentos e múltiplas plataformas, a permanência de um artista depende de mais fatores do que a publicação de uma música. Formação, planejamento, relacionamento com o público, participação em festivais e capacidade de criar novas parcerias passaram a ter peso crescente.
Mercado musical aproxima criação, conhecimento e negócios
O MFM foi criado para aproximar três áreas que muitas vezes funcionam separadamente: criação, conhecimento e mercado. A edição realizada no HackTown mostrou essa integração em diferentes momentos: artistas se apresentaram, especialistas compartilharam experiências e os participantes produziram músicas e trilhas durante o próprio evento.
- 18 apresentações artísticas fizeram parte da programação da Casa MFM;
- o Song Camp de Audiovisual criou duas trilhas sonoras originais;
- as trilhas serão destinadas a um documentário e a um curta-metragem em fase de finalização;
- o Song Camp de Canções produziu duas novas obras, que devem ser gravadas em breve;
- as criações dos encontros foram apresentadas ao vivo no encerramento.
Realizado em Santa Rita do Sapucaí, o encontro reforça a presença do Sul de Minas no debate sobre tecnologia, cultura e economia criativa. A proximidade entre música e inovação esteve presente tanto no formato do HackTown quanto nos temas discutidos na Casa MFM, que tratou de ferramentas digitais, novos modelos de negócio e oportunidades para diferentes áreas da produção cultural.
Ao encerrar a terceira edição com obras já encaminhadas para gravação e trilhas vinculadas a produções audiovisuais, o MFM deixou de ser apenas um espaço de apresentações e palestras. A programação também funcionou como ambiente de produção, conexão profissional e desenvolvimento de projetos que podem continuar depois do fim do evento.