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Polícia

Tecnologia ajuda a reduzir riscos para caminhões e ônibus nas rodovias brasileiras

Redação Saiu Agora
21 de setembro de 2026 às 18:27
Tecnologia ajuda a reduzir riscos para caminhões e ônibus nas rodovias brasileiras
Foto: Divulgação
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Acidentes envolvendo caminhões deixaram quase 20 mil pessoas feridas e provocaram mais de 2.800 mortes nas rodovias federais brasileiras em 2025. Os dados, reunidos no Anuário Estatístico da Polícia Rodoviária Federal (PRF), mostram que ocorrências com veículos de carga responderam por 23% dos feridos e 46% das mortes registradas em todos os acidentes no período.

O cenário reforça a necessidade de combinar fiscalização, formação dos condutores, melhoria da infraestrutura e uso de tecnologias de segurança. O tema ganha destaque durante a Semana Nacional do Trânsito, realizada entre 18 e 25 de setembro, período dedicado à conscientização sobre o comportamento nas ruas e rodovias e à redução de mortes e ferimentos no trânsito.

Falhas de reação estão entre as principais causas de acidentes

De acordo com os registros da PRF, as principais causas de acidentes nas rodovias federais em 2025 estiveram relacionadas à resposta dos motoristas diante de situações de risco. A ausência de reação apareceu em quase 11.500 ocorrências. Já a reação tardia ou ineficiente foi associada a aproximadamente 10.800 acidentes.

Esses dados ajudam a explicar por que sistemas de assistência à condução passaram a ser considerados importantes aliados na segurança de veículos comerciais. Caminhões e ônibus são maiores, mais pesados e, em muitos casos, percorrem longas distâncias diariamente. Uma falha de atenção, uma mudança involuntária de trajetória ou uma demora para reagir pode provocar consequências mais graves, especialmente em trechos de pista simples, áreas de ultrapassagem e locais com grande circulação de veículos.

As tecnologias não substituem o motorista, mas podem ampliar a capacidade de identificar situações perigosas e reduzir o tempo de resposta. Dependendo do sistema, câmeras e sensores emitem alertas ou interferem diretamente em determinados comandos do veículo.

Como funciona o sistema de permanência em faixa

Uma das soluções voltadas a veículos comerciais é o Servotwin, sistema de direção eletro-hidráulica que pode trabalhar em conjunto com recursos de assistência de permanência em faixa, conhecidos em inglês como lane keeping assist.

O funcionamento depende de câmeras capazes de identificar as faixas pintadas na pista e perceber quando o veículo se desloca de maneira involuntária. As informações são encaminhadas ao sistema de direção. Em determinadas situações, o mecanismo pode realizar uma correção automática para ajudar o caminhão ou ônibus a retornar à trajetória adequada.

  • Câmeras monitoram as marcações da pista;
  • O sistema identifica possíveis desvios involuntários;
  • O motorista pode receber um alerta sobre a saída da faixa;
  • A direção pode fazer uma correção automática, conforme a configuração e as condições de operação;
  • O recurso atua como apoio, sem retirar do condutor a responsabilidade pelo controle do veículo.

Na prática, esse tipo de assistência pode ser útil em situações de distração momentânea, cansaço ou perda involuntária de trajetória. No entanto, seu desempenho depende de fatores como a qualidade da sinalização horizontal, as condições climáticas, a visibilidade e a manutenção dos sensores e câmeras.

Estudo aponta possível redução de acidentes na Alemanha

Um estudo da área de pesquisa de acidentes da Bosch analisou dados registrados na Alemanha entre 2001 e 2022. A conclusão apresentada é que a adoção ampla de sistemas de assistência de permanência em faixa poderia evitar mais de 1.000 acidentes por ano naquele país.

A mesma análise estima que a medida poderia gerar uma economia anual superior a 36 milhões de euros para empresas de transporte. Considerando os impactos mais amplos dos acidentes, como atendimento médico, reparos, interrupção de atividades, perdas econômicas e demais consequências sociais, a redução de custos poderia ultrapassar 400 milhões de euros por ano.

Os números são de um estudo realizado com dados alemães e não representam uma projeção direta para o Brasil. Ainda assim, servem para mostrar como sistemas de assistência podem produzir efeitos que vão além da proteção do motorista. Menos acidentes também significam menor prejuízo para transportadoras, redução da interrupção de entregas e menor pressão sobre serviços de emergência e saúde.

Ônibus também aparecem entre os veículos de maior impacto

Embora os caminhões concentrem a maior parte dos números destacados, os ônibus também representam uma preocupação importante. Em 2025, acidentes envolvendo ônibus deixaram mais de 4 mil pessoas feridas e causaram 377 mortes nas rodovias federais.

A presença de vários passageiros transforma qualquer ocorrência em um evento de grande impacto. Por isso, recursos capazes de auxiliar na manutenção da trajetória, alertar sobre riscos e apoiar o condutor podem ser relevantes tanto no transporte de cargas quanto no transporte coletivo.

Tecnologia depende de motorista preparado e veículo mantido

Apesar do avanço dos sistemas eletrônicos, a tecnologia não elimina os fatores humanos nem corrige todos os riscos da estrada. O motorista continua responsável por manter atenção, respeitar os limites de velocidade, observar a sinalização e conduzir de acordo com as condições do trânsito.

Também é necessário que empresas mantenham os veículos em condições adequadas de funcionamento. Câmeras desalinhadas, sensores sujos, falhas no sistema de direção ou marcações desgastadas na pista podem comprometer a atuação dos recursos de assistência.

Para que a tecnologia produza resultados consistentes, a segurança precisa ser tratada como um conjunto de medidas. Entre elas estão:

  • treinamento contínuo dos condutores;
  • manutenção preventiva de caminhões e ônibus;
  • fiscalização do cumprimento das regras de trânsito;
  • melhoria da sinalização e das condições das rodovias;
  • uso responsável de sistemas de assistência à condução.

Os dados da PRF mostram que ainda existe um desafio expressivo nas estradas brasileiras. A quantidade de acidentes associados à falta de reação ou à resposta inadequada indica que medidas capazes de alertar o condutor e apoiar decisões em frações de segundo podem contribuir para reduzir ocorrências. O resultado, porém, depende da combinação entre tecnologia, comportamento seguro, fiscalização e infraestrutura.

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