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Polícia

Portal IRIS aponta avanços e desigualdades na segurança viária entre estados

Redação Saiu Agora
29 de setembro de 2026 às 17:18
Portal IRIS aponta avanços e desigualdades na segurança viária entre estados
Foto: Divulgação
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O Distrito Federal manteve a melhor avaliação do país em segurança viária, segundo a atualização de 2026 do Portal IRIS, sigla para Indicadores Rodoviários Integrados de Segurança. A ferramenta, desenvolvida pelo Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV), reúne informações das 27 unidades da Federação e permite comparar políticas, estruturas e resultados relacionados à prevenção de mortes e lesões no trânsito.

A nova edição considera dados de 2024 e faz a comparação com o levantamento anterior, baseado em informações de 2023. O resultado mostra que há diferenças importantes entre os estados e que o desempenho pode mudar em um intervalo relativamente curto. Roraima foi a unidade que mais avançou na classificação média, seguida por Pará, Piauí, Bahia e Minas Gerais.

Como funciona o Portal IRIS

O IRIS organiza dados públicos e indicadores de segurança viária em uma escala de uma a cinco estrelas. A proposta é transformar informações dispersas em uma visão mais clara sobre os pontos fortes e as deficiências de cada estado. Com isso, gestores públicos podem identificar prioridades, acompanhar a evolução das políticas e direcionar recursos para áreas que apresentam maior necessidade de melhoria.

A avaliação considera os seis pilares do Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (Pnatrans), política nacional que orienta ações para reduzir acidentes graves e preservar vidas nas vias brasileiras. Os critérios analisados são:

  • Gestão da Segurança no Trânsito;
  • Vias Seguras;
  • Segurança Veicular;
  • Educação para o Trânsito;
  • Atendimento às Vítimas;
  • Normatização e Fiscalização.

Além desses pilares, o sistema utiliza um sétimo indicador específico de mortalidade no trânsito. A combinação permite observar não apenas o número de mortes, mas também as condições institucionais e operacionais que influenciam a segurança de motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres.

Distrito Federal lidera, enquanto estados apresentam realidades diferentes

Na classificação geral de 2026, o Distrito Federal ficou na primeira posição, com quatro estrelas. O Rio de Janeiro aparece em seguida, com 3,9 estrelas, e Goiás ocupa a terceira colocação, com 3,8. São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná e Ceará registraram 3,4 estrelas.

Na parte inferior da classificação aparecem Maranhão, Acre, Amapá e Amazonas. A posição no ranking, no entanto, não deve ser interpretada de forma isolada. A metodologia reúne diferentes dimensões da segurança viária, e uma nota menor pode refletir problemas de gestão, fiscalização, infraestrutura, atendimento às vítimas ou mortalidade, entre outros fatores.

Os dados também indicam que estados de uma mesma região não necessariamente seguem o mesmo caminho. Unidades federativas vizinhas podem apresentar resultados e trajetórias muito diferentes. Isso mostra que fatores institucionais, a qualidade da gestão pública, a fiscalização, as condições das rodovias e o comportamento dos usuários influenciam os resultados de maneira combinada.

Avanço na nota não elimina desafios

A melhora registrada por Roraima, Pará, Piauí, Bahia e Minas Gerais indica evolução na classificação média entre 2023 e 2024. Esse movimento é relevante porque demonstra que políticas públicas, investimentos e mudanças na organização das ações de trânsito podem produzir efeitos em pouco tempo. Ao mesmo tempo, a evolução da nota não significa que os problemas estejam resolvidos.

O trânsito brasileiro envolve uma rede complexa de responsabilidades. A União, os estados, os municípios, os órgãos de trânsito, as concessionárias de rodovias, os serviços de saúde e as forças de fiscalização atuam em diferentes etapas da prevenção e do atendimento. Uma via mais segura, por exemplo, depende de projeto adequado, manutenção, sinalização e fiscalização, mas também de veículos em boas condições, educação e atendimento rápido depois de uma ocorrência.

O mesmo vale para a segurança dos motociclistas, grupo especialmente exposto em razão da vulnerabilidade física e do crescimento do uso de motocicletas para deslocamento e trabalho. Medidas de fiscalização, formação de condutores, controle de velocidade, melhoria do pavimento e atendimento de emergência precisam ser articuladas para reduzir a gravidade dos acidentes.

Indicadores ajudam a orientar políticas públicas

Para o usuário das vias, a principal utilidade do IRIS está em tornar mais visível a relação entre decisões administrativas e segurança no dia a dia. Uma avaliação por indicadores pode ajudar a responder perguntas como:

  • O estado tem uma política organizada de segurança no trânsito?
  • As vias oferecem condições adequadas para reduzir riscos?
  • Há fiscalização e aplicação das normas?
  • Os veículos e os equipamentos de segurança atendem aos padrões exigidos?
  • As vítimas recebem atendimento rápido e adequado?

De acordo com Paulo Guimarães, CEO do Observatório Nacional de Segurança Viária, a organização dos dados amplia a capacidade de decisão dos gestores. “Quando os dados são organizados, comparados e transformados em informação acessível, aumentamos a capacidade dos gestores de tomar decisões mais assertivas. O IRIS mostra onde estão os avanços, mas também evidencia as lacunas que precisam ser enfrentadas para que a segurança viária evolua de maneira consistente em todo o país”, afirmou.

O ranking, portanto, funciona como uma ferramenta de diagnóstico e acompanhamento, não como uma solução automática para os problemas do trânsito. A melhora efetiva depende da transformação dos indicadores em ações concretas, com metas, fiscalização, investimentos e avaliação contínua.

Ao comparar 2023 e 2024, a edição de 2026 do Portal IRIS reforça que a segurança viária pode avançar, mas também evidencia a desigualdade entre as unidades da Federação. Para reduzir mortes e lesões, o desafio é manter os avanços dos estados que melhoraram e enfrentar, de forma específica, as fragilidades apontadas em cada território.

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