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Polícia

Mulheres recorrem a consultas de antecedentes antes de encontros marcados pela internet

Redação Saiu Agora
18 de setembro de 2026 às 12:29
Mulheres recorrem a consultas de antecedentes antes de encontros marcados pela internet
Foto: Divulgação
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Com o aumento dos casos de violência contra mulheres no Brasil, a checagem de informações públicas sobre pretendentes passou a fazer parte da preparação para encontros marcados pela internet. Em Alfenas e em outras cidades, a prática chama atenção por oferecer uma camada adicional de prevenção antes do primeiro encontro presencial, embora não substitua os cuidados tradicionais nem os canais oficiais de denúncia e acolhimento.

O Brasil registrou 1.568 feminicídios em 2025, segundo o Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O número é o maior da série histórica iniciada em 2015, quando o feminicídio passou a ser previsto de forma específica na legislação brasileira. A alta foi de 4,7% em relação ao ano anterior, resultado que recolocou a segurança feminina no centro do debate público.

Como funciona a consulta antes do encontro

A verificação consiste em procurar dados disponíveis em bases públicas e registros oficiais antes de aceitar um convite ou marcar uma reunião presencial. A consulta pode envolver o nome completo ou o CPF do pretendente e reunir informações que, muitas vezes, estão espalhadas em diferentes sistemas da Justiça e da administração pública.

Entre os dados que podem aparecer estão processos judiciais disponíveis para consulta pública, antecedentes registrados em fontes oficiais e eventuais vínculos empresariais. Plataformas que utilizam inteligência artificial ajudam a organizar essas informações em relatórios mais fáceis de compreender, reduzindo a necessidade de o usuário pesquisar manualmente em sites de tribunais, diários oficiais e cadastros públicos.

Um dos serviços que ganhou visibilidade nesse contexto é o Puft.ai, plataforma brasileira idealizada pelo empresário Gianluca Ferro. A ferramenta reúne, em um só lugar, informações que já estão disponíveis em bases e registros oficiais acessíveis pela internet.

“O diferencial da plataforma está justamente na organização e centralização dessas informações, facilitando a consulta pelo usuário”, afirma Ferro. Segundo o idealizador, a proposta é ampliar o acesso à informação e ajudar as pessoas a tomar decisões mais conscientes, tendo a segurança feminina como principal motivação do projeto.

O que pode e o que não pode aparecer no relatório

A consulta não dá acesso irrestrito à vida da pessoa pesquisada. Informações protegidas por sigilo judicial ou dados legalmente restritos não aparecem nos relatórios. Por isso, a ausência de registros em uma busca não significa que seja possível conhecer completamente o histórico ou o comportamento de alguém.

  • Podem ser consultados processos judiciais que estejam disponíveis em fontes oficiais.
  • Também podem aparecer antecedentes acessíveis publicamente e vínculos empresariais.
  • Processos em segredo de Justiça e informações protegidas por restrições legais ficam fora da consulta.
  • O resultado deve ser interpretado como uma fonte de informação, e não como uma conclusão definitiva sobre o caráter de uma pessoa.

Processo não é sinônimo de condenação

O uso dessas ferramentas exige cautela. A existência de um processo judicial não significa, por si só, que houve condenação. A Constituição Federal garante a presunção de inocência, princípio segundo o qual ninguém pode ser considerado culpado antes do trânsito em julgado de uma decisão condenatória.

Na prática, isso significa que um relatório pode indicar a necessidade de atenção ou de uma investigação mais cuidadosa, mas não deve ser tratado como um veredicto. Também é preciso considerar a possibilidade de homônimos, informações desatualizadas ou interpretações equivocadas dos dados apresentados.

Para evitar conclusões precipitadas, a orientação é conferir a fonte original, observar o número do processo quando ele estiver disponível e buscar esclarecimentos antes de compartilhar qualquer informação. A divulgação irresponsável de dados pode causar danos à reputação de pessoas e gerar conflitos, principalmente quando a pesquisa envolve nomes semelhantes ou registros que não resultaram em condenação.

Consulta é apenas uma das medidas de segurança

A checagem de antecedentes pode ser combinada com outras medidas simples antes e durante um encontro. O primeiro contato presencial pode ocorrer em local público e movimentado, com aviso prévio a pessoas de confiança sobre o endereço e o horário. Também é recomendável manter o próprio transporte ou uma alternativa segura para deixar o local a qualquer momento.

  • Compartilhar com alguém de confiança o local do encontro.
  • Preferir ambientes públicos, movimentados e conhecidos.
  • Evitar enviar dinheiro ou documentos pessoais a alguém conhecido apenas pela internet.
  • Manter o celular carregado e com acesso a meios de comunicação.
  • Interromper o encontro diante de qualquer situação de ameaça, pressão ou constrangimento.

Esses cuidados não transferem para a vítima a responsabilidade pela violência. A prevenção serve para reduzir riscos, mas a responsabilidade por qualquer agressão é sempre de quem pratica o crime.

Importância do Ligue 180 para mulheres em situação de violência

Em situações de ameaça, violência ou necessidade de orientação, o Ligue 180 oferece atendimento voltado às mulheres. O canal recebe denúncias, fornece informações sobre a rede de atendimento e ajuda a orientar vítimas e pessoas que tenham conhecimento de uma situação de violência.

Em casos de emergência, a recomendação é procurar os serviços de segurança pública. A consulta a processos e antecedentes não substitui o registro da ocorrência, o atendimento especializado ou as medidas protetivas previstas na legislação.

Uma ferramenta de informação, não uma garantia de segurança

O crescimento desse tipo de serviço mostra como a tecnologia vem sendo usada para organizar informações públicas e apoiar decisões pessoais. Ao mesmo tempo, revela o grau de insegurança enfrentado por mulheres que precisam avaliar riscos antes mesmo de um primeiro encontro.

Para quem vive em Alfenas ou em qualquer outra cidade, a consulta pode funcionar como uma camada complementar de prevenção. Mas os dados precisam ser analisados com responsabilidade, respeitando a privacidade, a legislação e a presunção de inocência. A medida mais segura é combinar informação, atenção aos sinais de comportamento, comunicação com pessoas de confiança e busca por ajuda sempre que houver ameaça ou violência.

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