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Polícia

Governo derruba 506 sites suspeitos de oferecer bets e monitora rede com 212 mil usuários

Redação Saiu Agora
28 de setembro de 2026 às 15:38
Governo derruba 506 sites suspeitos de oferecer bets e monitora rede com 212 mil usuários
Foto: Divulgação
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Uma força-tarefa do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e do Ministério da Fazenda (MF) derrubou 506 sites com indícios de oferta irregular de apostas online após a edição da medida provisória que proibiu as bets no Brasil. A operação também acompanha uma rede de divulgação de apostas no Telegram que reúne cerca de 212 mil usuários.

A ação foi ampliada depois da publicação da medida provisória (MP) editada na sexta-feira (25). O texto estabeleceu regras para interromper a publicidade de apostas online e determinou prazo de dez dias para a retirada de anúncios que já estavam em circulação. A partir da edição da MP, novos anúncios passaram a ser proibidos.

Segundo o MJSP, o objetivo é impedir que plataformas sem autorização continuem acessíveis ao público brasileiro e evitar que operadores usem novos endereços para driblar o bloqueio. “O trabalho busca interromper o acesso a plataformas que operem sem autorização e impedir que novos endereços sejam usados para oferecer apostas ao público brasileiro”, informou o ministério.

Monitoramento encontrou anúncios em Google, Meta e TikTok

O levantamento foi realizado pelo Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), estrutura do MJSP voltada ao acompanhamento de atividades criminosas e irregulares no ambiente digital. O relatório identificou que a publicidade de bets continuava sendo distribuída em plataformas da Meta, do Google e do TikTok, mesmo depois da publicação da medida provisória.

Os anúncios ofereciam novos cadastros, bônus e incentivos financeiros para atrair usuários. Entre as mensagens encontradas estavam chamadas como “convide amigos e ganhe R$ 888,00” e “Ganhe R$ 50,00 grátis”. Esse tipo de publicidade costuma usar valores promocionais para estimular o primeiro cadastro e aumentar rapidamente a base de usuários das plataformas.

No Google, foram identificados 1,9 mil anúncios relacionados a bets. O relatório ressalva que não foi possível separar, nesse conjunto, quais peças eram novas e quais já estavam ativas antes da proibição. Por isso, o número representa o material localizado durante o monitoramento, sem indicar necessariamente que todos os anúncios tenham sido publicados depois da MP.

Anúncios usavam nomes e links diferentes das marcas divulgadas

Na Meta, foram encontrados sete anúncios. Dois deles começaram a ser veiculados já durante a vigência da medida provisória, de acordo com o Ciberlab. O órgão recomendou que a empresa fosse notificada para retirar as peças publicadas após a entrada em vigor da nova regra.

O relatório também apontou sinais de possível ocultação da identidade dos anunciantes. Alguns anúncios usavam nomes de páginas diferentes das marcas exibidas ao público, enquanto os links direcionavam para domínios que não correspondiam à marca anunciada.

“Alguns anúncios utilizavam nomes de páginas diferentes das marcas exibidas e links cujo domínio também não correspondia à marca anunciada. O relatório aponta que esses elementos podem indicar ocultação do anunciante real e do destino do tráfego”, informou o Ciberlab.

Na prática, a utilização de páginas com nomes genéricos e links mascarados dificulta a identificação de quem está pagando pela publicidade e de qual plataforma receberá o usuário. Também pode atrapalhar a fiscalização, já que um endereço pode ser retirado do ar enquanto outro, com aparência diferente, passa a cumprir a mesma função.

Força-tarefa continuará acompanhando o mercado de apostas

O Ciberlab informou que continuará monitorando as plataformas digitais para verificar o cumprimento da legislação. O laboratório também pediu que as grandes empresas de tecnologia adotem medidas para identificar páginas com identidade dissimulada e links mascarados.

Além dos anúncios em redes sociais e mecanismos de busca, o governo acompanha uma rede de divulgação de apostas mantida no Telegram. O grupo monitorado tem 212 mil usuários, o que mostra a dimensão dos canais usados para alcançar potenciais apostadores fora da publicidade convencional.

O aplicativo permite a criação de grupos e canais para distribuição rápida de mensagens, links e ofertas. Por isso, pode ser utilizado para redirecionar usuários a sites que mudam de endereço com frequência. O monitoramento busca identificar essa circulação e localizar plataformas que continuem oferecendo apostas ao público brasileiro apesar da medida provisória.

O que muda para usuários e anunciantes

Para o usuário, a operação significa maior dificuldade de acesso a sites considerados irregulares e redução da publicidade de bets em plataformas digitais. A recomendação prática é evitar clicar em anúncios que prometam dinheiro fácil, bônus elevados ou ganhos garantidos, especialmente quando o endereço não corresponde claramente à marca divulgada.

Já para anunciantes e plataformas de tecnologia, a medida estabelece a necessidade de retirar anúncios antigos dentro do prazo previsto e impede a publicação de novas peças durante a vigência da proibição. A fiscalização também deve considerar não apenas o conteúdo do anúncio, mas a identidade da página, o domínio utilizado e o destino final do link.

  • 506 sites com indícios de oferta irregular foram derrubados;
  • uma rede de divulgação no Telegram, com 212 mil usuários, está sendo monitorada;
  • o Google registrou 1,9 mil anúncios relacionados a bets;
  • a Meta teve sete anúncios identificados, sendo dois publicados durante a vigência da MP;
  • anúncios antigos têm prazo de dez dias para serem retirados, enquanto novas peças estão proibidas.

O trabalho conjunto entre o MJSP e o Ministério da Fazenda combina fiscalização de conteúdo digital, análise de publicidade e bloqueio de endereços suspeitos. Como os operadores podem trocar rapidamente de domínio e usar diferentes canais de divulgação, o governo sinaliza que a retirada de sites será acompanhada por monitoramento contínuo das redes sociais, dos mecanismos de busca e dos aplicativos de mensagens.

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