A defesa de Daniel Vorcaro, dono do antigo banco Master, pediu ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, a revogação da prisão preventiva do ex-banqueiro. Ele é investigado por suspeitas de corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras bilionárias no âmbito da Operação Compliance Zero.
O pedido foi apresentado em meio a um impasse no Supremo sobre a relatoria e a competência para conduzir os procedimentos relacionados ao caso. Segundo os advogados, as investigações ficaram paralisadas depois que o ministro Flávio Dino pediu vista durante a sessão plenária de 15 de setembro de 2026. Na ocasião, os ministros analisariam uma questão ligada à eventual abertura de investigação contra o também ministro Alexandre de Moraes.
Defesa contesta manutenção da prisão preventiva
Na petição encaminhada a Fachin, os advogados afirmam que Vorcaro não pode permanecer preso por tempo indeterminado enquanto o Supremo enfrenta um impasse institucional sobre a condução do caso Master. A defesa também sustenta que o ex-banqueiro está detido há mais de 90 dias sem que a Corte tenha analisado um recurso que pede sua soltura.
“Na sessão plenária de 15 de setembro de 2026, a própria definição da relatoria e da competência para a condução dos procedimentos correlatos foi objeto de questão de ordem, cujo julgamento foi suspenso por pedido de vista”, diz a petição.
O pedido de vista ocorre quando um ministro solicita mais tempo para analisar um processo antes da conclusão do julgamento. Na prática, a medida suspende a análise pelo colegiado até que o caso seja devolvido para votação. No processo relacionado ao banco Master, a defesa argumenta que essa interrupção passou a afetar diretamente a apreciação das medidas impostas ao investigado.
Onde Daniel Vorcaro está preso
Daniel Vorcaro está preso desde novembro de 2025, conforme as informações apresentadas no caso. Atualmente, ele está no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, em uma área destinada a presos especiais conhecida como Papudinha.
O local fica próximo ao Complexo Penitenciário da Papuda. A prisão preventiva é uma medida cautelar usada antes de uma eventual condenação e, pela regra geral, deve ser reavaliada conforme o andamento das investigações e do processo. A manutenção da custódia depende de decisão judicial fundamentada, especialmente quando há demora na análise de recursos ou mudanças na condução do caso.
Entenda a crise no caso Master
O caso ganhou novos contornos depois que o ministro André Mendonça, relator da investigação, decidiu retirar o sigilo de um relatório produzido no âmbito da Operação Compliance Zero. O documento reúne mensagens que investigadores atribuem a Vorcaro e que teriam sido enviadas ao ministro Alexandre de Moraes.
Com base nesse material, Mendonça pediu ao plenário do STF autorização para o prosseguimento das investigações contra Moraes. A iniciativa provocou uma crise institucional dentro da Corte, porque envolve integrantes do próprio Supremo e questionamentos sobre a condução da apuração.
Em reação, Moraes divulgou um relatório de inteligência da Polícia Federal (PF) que, segundo as informações do caso, sugere que as investigações teriam sido direcionadas por Mendonça. O episódio ampliou a disputa em torno da relatoria, dos limites de atuação dos ministros e da competência para decidir sobre os procedimentos relacionados ao antigo banco Master.
Por que a relatoria é importante
A relatoria define qual ministro acompanha o processo, analisa os pedidos apresentados pelas partes e leva questões relevantes ao julgamento do colegiado. Também concentra decisões sobre diligências, sigilo de documentos, medidas cautelares e recursos apresentados durante a investigação.
Por isso, a discussão sobre quem deve conduzir o caso tem efeito prático sobre todas as partes envolvidas. Enquanto a questão não é resolvida, pedidos relacionados à investigação e à situação de Vorcaro podem permanecer sem uma decisão definitiva, conforme argumenta a defesa.
- André Mendonça é apontado como o relator original do caso Master;
- Edson Fachin recebeu os procedimentos em meio à crise sobre a relatoria e a competência;
- Flávio Dino pediu vista da questão de ordem na sessão de 15 de setembro;
- Alexandre de Moraes aparece no centro da controvérsia relacionada às mensagens atribuídas a Vorcaro;
- A Polícia Federal produziu relatório de inteligência citado no conflito entre os ministros.
Até o momento descrito no pedido da defesa, a análise do recurso pela soltura ainda não havia sido concluída. A solicitação agora será examinada no contexto das discussões internas do STF sobre o caso, sem que o pedido, por si só, altere a situação prisional do investigado.