A Samsung SDS, divisão de tecnologia e logística do Grupo Samsung, participou pela primeira vez como expositora do evento Logística do Futuro. A companhia também integrou a programação de painéis, com uma apresentação sobre o tema “Cabotagem 2.0 - Logística eficiente, resiliente e sustentável”, em meio ao aumento da pressão sobre custos, infraestrutura e capacidade de resposta das cadeias de suprimentos no Brasil.
O debate colocou a cabotagem no centro de uma discussão que vai além da simples escolha do meio de transporte. A modalidade consiste no deslocamento de cargas entre portos do mesmo país, utilizando a navegação pela costa. No caso brasileiro, ela é considerada uma alternativa para complementar o transporte rodoviário e ajudar empresas a diversificar a matriz logística.
Custos logísticos alcançam 15,5% do PIB brasileiro
A necessidade de buscar operações mais eficientes ocorre em um cenário de encarecimento da logística nacional. Um levantamento do Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS) apontou que os custos logísticos consumiram 15,5% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2025. Em 2014, essa participação era de 10,4%.
O indicador reúne despesas relacionadas ao transporte, armazenagem, estoque e outras etapas necessárias para movimentar produtos desde a origem até o consumidor. Quanto maior o peso desses custos na economia, maior tende a ser o impacto sobre empresas, preços e competitividade. Para a indústria e o varejo, problemas de infraestrutura, atrasos, falta de previsibilidade e dependência excessiva de um único modal podem elevar despesas e comprometer o abastecimento.
Nesse contexto, a cabotagem aparece como uma possibilidade de reorganizar parte do fluxo de cargas. A navegação pode ser usada em trajetos de maior distância, especialmente quando há conexão adequada entre portos, centros de distribuição, terminais e outros meios de transporte. A operação, porém, depende de planejamento integrado e não se resume à contratação de um navio.
Cabotagem é apresentada como estratégia de resiliência
Durante o painel, a Samsung SDS apresentou sua experiência na estruturação de operações de cabotagem. A abordagem defendida pela empresa combina planejamento, gestão de transporte, dados e conhecimento operacional para criar alternativas de abastecimento mais eficientes e preparadas para diferentes cenários.
Para Rosa Amador, diretora comercial de Logística da Samsung SDS, o avanço da modalidade depende de uma visão estratégica sobre toda a cadeia.
“A cabotagem não deve ser analisada apenas como uma alternativa de transporte, mas como parte de uma estratégia capaz de ampliar a eficiência, a previsibilidade e a resiliência das operações. Quando conectamos planejamento, tecnologia, dados e execução, conseguimos tomar decisões mais estruturadas e construir operações preparadas para diferentes cenários”, afirmou.
Na prática, resiliência logística significa a capacidade de uma empresa manter ou recuperar suas operações diante de imprevistos. Entre os fatores que podem afetar o abastecimento estão mudanças na demanda, aumento de custos, limitações de infraestrutura, interrupções em estradas, indisponibilidade de veículos e alterações na oferta de transporte.
Ao distribuir os riscos entre diferentes rotas e modais, a empresa pode reduzir a dependência de uma única solução. A cabotagem, nesse modelo, não substitui necessariamente o transporte rodoviário. Em muitos casos, os caminhões continuam sendo necessários para levar a carga até o porto e, depois, do porto ao destino final. A eficiência depende da conexão entre essas etapas.
O que precisa ser considerado em uma operação de cabotagem
A escolha pela navegação costeira exige uma avaliação conjunta de diferentes pontos. Entre os principais estão:
- planejamento da origem e do destino das cargas;
- integração entre portos, terminais, centros de distribuição e transporte terrestre;
- previsibilidade dos prazos e acompanhamento da operação;
- uso de dados para comparar custos, rotas e níveis de serviço;
- capacidade de adaptação diante de mudanças na demanda ou na infraestrutura.
Esse conjunto de fatores ajuda a explicar por que a discussão atual trata a cabotagem como parte de uma estratégia de abastecimento, e não apenas como uma alternativa pontual ao caminhão. Uma rota marítima pode apresentar vantagens em determinadas distâncias e volumes, mas seus resultados dependem da qualidade da operação completa, desde o embarque até a entrega.
Tecnologia ganha espaço na gestão da cadeia de suprimentos
A participação da Samsung SDS também evidencia o avanço do uso de tecnologia na logística. Ferramentas digitais permitem reunir informações sobre transporte, estoques, prazos, demanda e desempenho operacional. Com esses dados, gestores podem identificar gargalos, comparar cenários e tomar decisões com maior antecedência.
Em cadeias de suprimentos mais complexas, a visibilidade das etapas se tornou um fator importante. Saber onde está a carga, qual é a previsão de chegada e quais riscos podem afetar a entrega ajuda a reduzir incertezas. A informação também facilita a reação a mudanças, como atrasos em um terminal, alterações no fluxo de pedidos ou necessidade de redirecionar mercadorias.
O trabalho de integração é especialmente relevante quando a operação envolve mais de um modal. O transporte marítimo pode ser eficiente no trecho principal, mas uma falha na conexão terrestre ou na armazenagem pode comprometer o resultado final. Por isso, a gestão precisa considerar a cadeia como um sistema único, com metas de custo, prazo, segurança e qualidade.
Pressão por eficiência deve manter debate em alta
O crescimento da participação dos custos logísticos no PIB, de 10,4% em 2014 para 15,5% em 2025, reforça a necessidade de ampliar o debate sobre infraestrutura e planejamento no país. Para as empresas, o desafio é equilibrar competitividade e capacidade de resposta sem comprometer o nível de serviço oferecido aos clientes.
A discussão sobre a cabotagem também envolve a busca por operações mais sustentáveis e resilientes. A possibilidade de combinar modais, organizar melhor os fluxos e usar dados para reduzir ineficiências pode contribuir para uma logística mais previsível. O resultado, no entanto, depende de decisões coordenadas entre embarcadores, transportadores, terminais, operadores logísticos e empresas de tecnologia.
Ao estrear como expositora no evento e participar do painel sobre a evolução da cabotagem, a Samsung SDS posicionou a integração entre tecnologia, planejamento e execução como um dos caminhos para enfrentar os custos e as incertezas da logística brasileira. A proposta apresentada é transformar a modalidade em parte de uma estratégia permanente de abastecimento, capaz de apoiar empresas em diferentes condições de mercado.