São Paulo recebe uma exposição inédita que reúne mais de 100 obras brasileiras e chinesas dedicadas às diferentes representações do cavalo na história da arte. A mostra está em cartaz no Museu da Energia e apresenta pinturas, esculturas, desenhos e outras manifestações artísticas produzidas em períodos que vão da Dinastia Han, entre 206 a.C. e 220 d.C., à arte contemporânea.
Com curadoria de Anna Paola Baptista e Clay D’Paula, a exposição aproxima referências de dois países e mostra como o cavalo foi associado, em diferentes sociedades, a ideias como força, deslocamento, autoridade, trabalho, liberdade, diversão e transformação. O conjunto inclui trabalhos de artistas como Djanira, Francisco Faria, Sofia Borges, Flávia Junqueira, Leandro Júnior e Hua Tunan.
Obras brasileiras e chinesas atravessam séculos de história da arte
Entre os destaques está a presença de obras de Hua Tunan apresentadas pela primeira vez na América Latina. O artista chinês integra o recorte contemporâneo da exposição, que também reúne peças provenientes de instituições brasileiras e de coleções privadas do Brasil e da China.
A abrangência histórica é um dos principais aspectos da mostra. A Dinastia Han, período iniciado em 206 a.C. e encerrado em 220 d.C., teve papel relevante na formação cultural e política da China antiga. Ao colocar produções associadas a esse período ao lado de trabalhos atuais, a exposição permite observar permanências e mudanças no modo como o animal foi representado ao longo do tempo.
O cavalo aparece tanto como figura observada no cotidiano quanto como símbolo. Em algumas obras, pode estar ligado à atividade prática, ao transporte e ao trabalho. Em outras, assume uma dimensão mitológica, política ou espiritual. A proposta é mostrar que a imagem do animal não tem um único significado e muda conforme a época, a cultura e a intenção do artista.
Cavalo de Fogo é tema central da exposição
O eixo temático da mostra é o Cavalo de Fogo, associado a um ciclo de 60 anos da astrologia chinesa. A escolha relaciona o animal a conceitos de movimento, transformação, energia e renovação.
A temática também estabelece uma ligação direta com o Museu da Energia. Antes do desenvolvimento e da expansão da eletricidade, o cavalo era uma das principais forças de movimento utilizadas pelos seres humanos. Já o fogo está entre as primeiras formas de energia dominadas pela humanidade. A exposição parte dessa conexão para discutir como força, potência e deslocamento aparecem no imaginário artístico.
Essa relação ajuda a aproximar a experiência estética do conteúdo histórico. O visitante não encontra apenas imagens de cavalos, mas um percurso sobre a maneira como diferentes sociedades compreenderam a energia e o poder associados ao animal. A proposta também dialoga com o papel do museu, que trabalha temas ligados à história e às transformações nos modos de produzir e utilizar energia.
Exposição é dividida em cinco núcleos temáticos
As obras estão organizadas em cinco núcleos. A divisão conduz o público por diferentes sentidos atribuídos ao cavalo e evita que a exposição seja vista apenas como uma reunião de imagens de um mesmo animal.
- A Prática da Representação: aborda o cavalo como fonte de inspiração para a produção artística.
- Poder, Glória e Serventia: explora a relação do animal com força, autoridade, prestígio e utilidade.
- Mitos e Símbolos: reúne referências ao imaginário fantástico e às interpretações simbólicas do cavalo.
- Diversão e Alegria: apresenta o aspecto lúdico e as representações associadas ao entretenimento.
- Confluências Culturais: aproxima referências brasileiras e chinesas, com destaque para o imaginário do Cavalo de Fogo.
A organização em núcleos permite acompanhar diferentes camadas da representação. O cavalo pode ser visto como instrumento de trabalho, marca de distinção social, personagem de narrativas míticas ou elemento de celebração. Ao colocar essas visões lado a lado, a mostra evidencia como a arte registra não apenas a aparência dos animais, mas também os valores e as crenças de cada sociedade.
Festival promove aproximação entre Brasil e China
A exposição faz parte da programação do Brasinês: Festival Internacional Sino-Brasileiro, realizado em São Paulo até 22 de novembro de 2026. O festival reúne atividades de artes visuais, literatura, gastronomia e experiências sensoriais, dentro da programação do Ano Cultural Brasil-China.
O festival amplia o alcance da mostra ao apresentar a cultura como espaço de diálogo entre os dois países. Nas artes visuais, essa aproximação ocorre por meio da comparação de técnicas, símbolos e referências. Na literatura, na gastronomia e nas experiências sensoriais, o intercâmbio se estende para outras formas de expressão e convivência cultural.
Para o curador Clay D’Paula, a exposição oferece uma experiência estética singular e revela o fascínio atemporal exercido pelo cavalo na arte. A curadora Anna Paola Baptista também destaca a variedade de facetas exploradas pela mostra, que reúne aspectos práticos, simbólicos, mitológicos e culturais associados ao animal.
Serviço e informações disponíveis
A mostra pode ser visitada no Museu da Energia, em São Paulo, dentro da programação do festival sino-brasileiro. A exposição permanece relacionada ao calendário do evento até 22 de novembro de 2026. Informações como horários, valores de entrada e eventuais regras de visitação devem ser confirmadas diretamente pelos canais oficiais do museu ou da programação cultural.
Ao reunir obras de diferentes épocas, países e linguagens, a exposição apresenta o cavalo como um tema capaz de atravessar a história da arte. O percurso também propõe uma reflexão sobre a relação entre humanidade, energia e movimento — uma conexão que ganha significado especial em um espaço dedicado à memória e às transformações da energia.