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EBC tem três finalistas no Prêmio Vladimir Herzog de Jornalismo

Redação Saiu Agora
21 de setembro de 2026 às 19:54
EBC tem três finalistas no Prêmio Vladimir Herzog de Jornalismo
Foto: Divulgação
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A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) tem três produções entre as finalistas da 48ª edição do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. A seleção reúne dois episódios do programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, e uma fotografia produzida pela Agência Brasil no Rio de Janeiro.

A lista foi divulgada na segunda-feira (21) pelo Instituto Prêmio Vladimir Herzog, responsável pela organização da premiação. Ao todo, foram inscritas 346 produções. Em cada uma das sete categorias — arte, fotografia, texto, vídeo, áudio, multimídia e livro-reportagem — foram escolhidos três finalistas.

O prêmio leva o nome do jornalista Vladimir Herzog, assassinado em 1975 durante a ditadura militar. A premiação é voltada a trabalhos jornalísticos que contribuam para a defesa da democracia, da liberdade de imprensa, da memória, da verdade e dos direitos humanos. Na prática, a presença da EBC entre os selecionados destaca reportagens e registros visuais ligados a temas como violência policial, trabalho análogo à escravidão, conflitos no campo e reparação social.

Fotografia da Agência Brasil registra luto no Complexo do Alemão

Na categoria fotografia, o finalista é o fotógrafo Tomaz Silva, da Agência Brasil, com o trabalho Viúva se despede do marido morto na operação policial mais letal do Rio de Janeiro. A imagem foi feita em outubro de 2025, no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, e retrata a dor de Fernanda da Silva Martins após a morte do marido.

O registro foi republicado por jornais e sites do Brasil e do exterior. A fotografia ganhou repercussão por mostrar, a partir da perspectiva de uma familiar, os efeitos humanos de uma operação policial de grande impacto. Além de documentar o luto, o trabalho coloca no centro da cobertura uma moradora diretamente atingida pela violência e pelas consequências da ação.

Tomaz Silva afirmou que a publicação da imagem representou uma forma de dar visibilidade ao sentimento da personagem e da comunidade onde ela vive. “Usar a visibilidade de um veículo de comunicação pública para retratar os sentimentos de uma mulher que, ao mesmo tempo, era a dor de toda uma comunidade” foi, segundo o fotógrafo, o sentido do trabalho.

TV Brasil concorre com reportagens sobre escravidão e violência no campo

A TV Brasil tem dois finalistas na categoria vídeo, ambos episódios do programa Caminhos da Reportagem. O primeiro é Trabalho escravo doméstico: silêncio e servidão, exibido em 20 de abril de 2026.

A produção apresenta histórias de mulheres que foram submetidas a condições de escravidão dentro de residências e discute os desafios enfrentados depois do resgate. O chamado pós-resgate envolve a reconstrução da vida, o acesso a direitos, a busca por autonomia e o acompanhamento das vítimas — etapas que costumam ser decisivas para evitar novas situações de exploração.

Participaram do trabalho Marieta Cazarré, Paulo Leite, Ana Graziela Aguiar, Ana Passos, Cleiton Freitas, Patrícia Araújo, Gabriel Penchel, JM Barbosa, Rogério Verçoza, Sigmar Gonçalves, Alexandre Souza, Marcelo Vasconcelos, Rafael Carvalho, Rivaldo Martins, Aleixo Leite, Caroline Ramos e Wagner Maia.

O segundo episódio finalista é O Eterno Abril de Carajás: 30 anos de um massacre, exibido em 13 de abril de 2026. O programa revisita o massacre de Eldorado do Carajás, no Pará, ocorrido em 1996, quando uma repressão policial a trabalhadores rurais deixou 21 mortos e dezenas de feridos.

O episódio recupera um dos episódios mais graves da violência no campo brasileiro e discute a permanência de seus efeitos na memória das famílias, dos movimentos sociais e da sociedade. Ao retomar o caso três décadas depois, a reportagem também contribui para o debate sobre conflitos agrários, responsabilização do Estado e direito à memória.

A equipe responsável pela produção é formada por Thiago Padovan, Acácio Barros, JM Barboza, Rafael Carvalho, Márcio Garoni, Rodrigo Botosso, Nelson Lin e Fábio de Albuquerque.

Finalistas reforçam papel do jornalismo público

A EBC é uma empresa pública responsável por produzir e distribuir conteúdos de televisão, rádio, internet e agência de notícias. A Agência Brasil e a TV Brasil integram essa estrutura e têm como função oferecer informação de interesse público, com cobertura de temas que nem sempre recebem espaço proporcional nos meios de comunicação.

Os três trabalhos selecionados tratam de situações em que grupos vulneráveis aparecem no centro da narrativa. A fotografia produzida no Rio de Janeiro aborda o impacto da violência sobre uma família e uma comunidade. A reportagem sobre trabalho escravo doméstico trata da exploração de mulheres e das dificuldades depois da libertação. Já o episódio sobre Eldorado do Carajás recupera um massacre que permanece como referência nos debates sobre violência no campo.

A indicação não representa ainda a escolha dos vencedores. Os três trabalhos da EBC seguem na disputa ao lado de outras produções selecionadas pelo Instituto Prêmio Vladimir Herzog. O resultado final deverá considerar a qualidade jornalística, a relevância social e a contribuição das obras para a defesa dos direitos humanos.

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